Paulo Roberto Sterz retornou à função para complementar a renda (créditos: Beatriz Colombelli)

Eles têm até um dia para comemorar, 27 de abril, o Dia do Engraxate. Também é em homenagem a eles que o escritor e jornalista Rubem Alves escreveu a antologia poética ‘O anjo engraxate’. No entanto, a figura deste profissional que até os anos 70 era uma constante também nas ruas de Venâncio Aires, ‘fugiu’ dos olhares’.

Mas quem lembra bem desta época é Paulo Roberto Stertz, 53 anos, que entre 8 e 12 anos, tirava o sustento desta atividade, pelas ruas da Capital do Chimarrão.

Morador do bairro Coronel Brito, o venâncio-airense, novamente, retorna às ruas, porém com um objetivo definido: retomar a atividade de engraxate para complementar a renda. Com a caixa às costas, Stertz conta que esta fez com restos de madeira de uma pia velha. “Mas ficou com um bom acabamento”, declara.

As escovas e as pastas, segundo ele, foram os primeiros itens adquiridos com reserva de outras atividades, entre elas, a de vendedor de picolés no verão, motorista e garçom em eventos, e até transporte de pessoas para a Capital. “Sou motorista profissional”, destaca.

DOIS PONTOS

Na antiga rodoviária, área central da cidade, onde Stertz atendeu no passado, foi um dos pontos escolhidos para recomeçar as atividades. No local, até antigos clientes encontrou. Seu José*, um senhor que veio do interior para receber a aposentadoria, conta que aquele ‘menino’ deixava seus sapatos um “brilho só”. O aposentado destaca que ficou surpreso quando reencontrou Stertz. “Fazia muitos anos que não via mais ele, nem outro engraxate”.

Com um brilho no olhar e agilidade nas mãos, Stertz vai lustrando os sapatos do aposentado e se diz agradecido pelo reconhecimento das pessoas. “Muita gente me conhece, tenho muitos amigos”, salienta. Enquanto isso, conta que também atende em outra “ponta da cidade, perto do Supermercado Lenz”, para onde se deslocaria ainda, naquela tarde. Porém, projeta ter um ponto fixo para exercer a atividade de engraxate, durante o inverno, no próximo ano. “Durante o verão me dedico a vender picolés”, conta.

RECOMEÇO

“Nada tá perdido, mas é preciso amor ao próximo e muito trabalho”, observa. A reflexão vem por conta das dificuldades que o venâncio-airense relata ter encontrado ao longo da vida. No entanto, acredita que é possível enfrentar estas turbulências mesmo “quando se pensa ter chegado ao fundo do poço”. Hoje, evangélico, ele que frequenta a Igreja Batista, reforça que a fé e a vontade de vencer lhe motivam a seguir em frente.

Se o circo também fez parte de sua história e, em outras cidades morou e teve comércio, recomeçar para Stertz está entre os seus desafios, conforme vai contando a sua história.

A expressão “vai uma graxa aí”, tem ainda para ele um lugar especial entre as gerações dos tênis. O engraxate acredita que trabalho não lhe faltará. “Sempre tem quem aprecie um brilho nos sapatos e nas botas”, acrescenta.

*Nome fictício

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