Cheirosa, com brilhos na cabeça e um tope no pescoço, Nina recebeu a reportagem cheia de amor para dar. Eufórica subia e descia a escada, assim como nas cadeiras estofadas e sofás espalhados pelo escritório de advocacia Soares, localizado na área central de Venâncio.

Mas a rotina da beagle Nina, de quatro anos não é pura festa. Cumpre regras e tem horários. A “colega de trabalho”, como o proprietário do escritório, o advogado Claudio Soares, a chama, faz parte da rotina do local. Todas as manhãs, por volta das 7h, quando a secretária, Alexandra Frantz, que também é considerada a ‘mãe adotiva’, chega, prepara as dinâmicas administrativas do início do dia sob a observação atenta da Nina que sabe a sequência e o momento em que será a vez dela de receber atenção, passear e curtir um pouco a rua. “A Nina participa de reuniões e atendimentos com os clientes de vez em quando. Obviamente, temos que ter o cuidado e a sensibilidade de entender que há casos e casos. Nunca um cliente reagiu mal. Mas cuidamos muito com isso”, explica Soares.

Nina esta há cerca de uma ano no escritório. Em decorrência de um processo de mudança para outra cidade, Claudio conversou com algumas pessoas e surgiu a ideia de incluir a Nina como uma ‘colega de trabalho’. “Fui verificar os prós e os contras. Há muita literatura que fala dos benefícios de animais domésticos dentro do ambiente de trabalho. Em conversa com os colegas, todos acharam uma boa ideia, só faltava decidir de que forma iríamos lidar com os períodos em que o escritório não estava aberto. Resolvida essa questão, ela passou a fazer parte de nossa equipe.”

Rotina da Nina

O escritório possui um amplo pátio. Ela tem duas casinhas e, de acordo com Alexandra, Nina fica sempre solta em algum espaço, seja nos fundos ou então no estacionamento a céu aberto. Durante a semana, no início das manhãs, ela transita livremente dentro do escritório. Já nos finais de semana, ganha atenção especial de sua ‘mãe adotiva’ que, voluntariamente, dispôs-se a ajudar nos cuidados com a Nina, tendo autorização de,

Foto: Arquivo pessoal / FMAlexandra: “Essas iniciativas humanizam o ambiente de trabalho, mas o processo exige cuidados. é preciso planejamento, organização e respeito aos outros.”
Alexandra: “Essas iniciativas humanizam o ambiente de trabalho, mas o processo exige cuidados. é preciso planejamento, organização e respeito aos outros.”

inclusive, em alguns dias, levá-la para a casa. Alexandra enfatiza que “a Nina é muito dócil, exige muita atenção e carinho. O cuidado com um cachorro como ela, dentro do ambiente de trabalho, ajuda a aliviar as tensões do dia a dia e vai corresponsabilizando todos. E aqui, todos adoram a Nina.”

A secretária ainda conta que ela recebe atenção especial na alimentação. “A Nina tem uma dieta equilibrada exclusivamente à base de ração premium. é mais cara, no entanto, contribui para a beleza e à saúde da mascote.”

Alexandra ainda conta que Nina tem data agendada para seu dia de banho e diversão. “Sim, diversão. Pois ela adora tomar banho e adora também quando a vestem de acordo com uma data comemorativa, como por exemplo, de cão-noel, coelhinha da páscoa, carnaval. Essa semana ela entrou em clima de Semana Farroupilha, e ficou feliz em se vestir de prendinha. Assim que o pessoal do Pet Shop chega no escritório para pegá-la para o banho, ela já sabe.”

Dica: animais na empresa

A proposta de ter ou levar o animal de estimação para o trabalho já é realidade em diversas empresas nos Estados Unidos e agora está se tornando aqui no Brasil. Como essa é uma estratégia nova em terras brasileiras, as empresas preferem ir com calma. Ter animais no ambiente de trabalho do dia para noite não é algo tão simples. Por isso, algumas estão optando por ter um Pet Day, ou seja, um dia na semana para que os seus funcionários possam levar o seu animal de estimação para o trabalho. Curtiu a ideia? Proponha ao seu chefe.

“Viver dentro de um escritório de advocacia como o nosso é estar dentro de uma panela de pressão. Temos os prazos para cumprir, as peças para produzir, os clientes para atender, as audiências, sustentações orais. Quando olhamos para o lado e observamos algo nos clamando atenção, ali, sob os nossos pés, invariavelmente, distensionamos. E isso é muito positivo.”

Claudio Soares – Advogado e sócio-proprietário do escritório

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