Foto: Carlos Dickow / Folha do Mate.

Quem não conhece a palhaça Piteca que adora brincar e encantar as crianças? Pois é, mas ninguém imagina que por traz de todas as brincadeiras, da roupa colorida e das cores tradicionais (vermelho, branco, verde, azul) existe uma mulher de coração puro. Apaixonada por sua família, animais e por ajudar o próximo.

Alguns, nem sabem seu nome, mas a reconhecem por seu jeito e sua alegria. Arlete Haas, ou, para os íntimos ‘Lete’ tem 53 anos, e desde 1993 divide sua rotina com a palhaça Piteca. Filha de érica Haas e José Ignácio Haas, ela mora no bairro Cidade Alta com a mãe, acompanhada dos gatos Ciça, Lila e Sartori e com os dois cachorros Sócrates e Preta. De coração puro e olhar sincero, Arlete é a irmã do meio de Ana Cristina e Alice. “Sempre digo que sou o presunto e o queijo, e elas, o pão”, brinca. A tia querida de Luís Felipe, Ana Luísa e Alexandre é dedica e divide sua rotina entre os cuidados com o seu trabalho da manhã, local onde cuida de dona Fernandina Ilha de Böer “que tem os cabelos brancos como a neve”, descreve.

Determinada, ela é catequista desde 2008 e colaboradora da Fraternidade Cristã de Deficientes (FCD) há cinco anos.Após o período morando em Porto Alegre, retornou a Venâncio Aires nos anos 2000 e foi a primeira palhaça no município. “A primeira festa que animei aqui foi de Alana Losekann e depois, deslanchou”, conta. 

O trabalho como palhaça começou com as palhaças do P: Pituca, Pitica e Pitoca, por isso a Piteca. No início, de acordo com ela, os primeiros trabalhos foram feitos vestindo Emília e Chapeuzinho Vermelho. “Até que uma mulher falou que queria apenas palhaços no aniversário, então, tudo começou”, relembra.

ESFORçO E foi a partir de cada esforço e cada festa animada a partir da Piteca que um grande sonho deve se concretizar em 2016: a construção da casa própria. No domingo, 27, Arlete foi a vencedora da promoção da Rádio Terra FM onde recebeu a quantia de R$ 20 mil. “Todo esse valor vai ser usado para a conclusão da minha obra. Agradeço, de coração, pela promoção que foi muito inteligente”, salienta. Questionada sobre como teria sido a reação, ela diz que não estava esperando: “Estava com a minha família na sala quando me ligaram, nunca me arrumei tão rápido.”

Arlete considera-se uma pessoa persistente e acredita que tudo que conquistou trabalhando como Piteca foi da paciência e da dedicação com as crianças: “Sempre procurei conquistá-las e quando consigo é uma vitória.”

Entre todas as tarefas, Arlete ainda tira tempo para ler. “Se eu não tiver livros na cabeceira da minha cama entro em desespero”. E passear com os cachorros é um hábito que concilia junto com a persistência em recolher aquilo que os outros deixam: o lixo. “é uma pequena coisa que se pode fazer para melhorar a cidade.”

Durante a vida escolar, Arlete frequentou o Monte das Tabocas, Gaspar Silveira Martins e Cônego Albino Juchem. Ela cursou, também, dois anos de administração quando a atual Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) ainda era Faculdade Integradas de Santa Cruz do Sul (Fisc).Entre todas as atividades que exerce, ela ainda tira tempo para jogar canastra com um grupo de amigas.

COMO PITECAEla defende que não é necessário apenas brincar com as crianças, mas ensinar também. “é necessário cultivar algo bom nas crianças”, diz. Com carinho, Piteca guarda todas as lembranças de aniversário que já participou.