Fotos: Divulgação

A movimentação eleitoral das últimas semanas desenhou um cenário que era muito pouco provável, mas que deve se confirmar para as eleições 2020: os eleitores de Venâncio Aires terão que escolher entre Giovane Wickert (PSB) e Jarbas da Rosa (PDT) para a Prefeitura. O socialista vai reeditar a dobradinha com Celso Krämer (PTB), enquanto que o pedetista anunciou como companheira de chapa a vereadora Izaura Landim (MDB). Se não houver mudanças nas convenções – que acontecem em setembro -, os dois vão protagonizar um duelo mano a mano em busca do Executivo Municipal.

O cenário com apenas duas candidaturas começou a se consolidar na semana passada, quando os partidos que tentavam fazer a terceira via sair do papel entenderam que qualquer nome do grupo não ofereceria competitividade em relação às pré-candidaturas já colocadas. As lideranças das siglas chegaram à conclusão após a aplicação de uma pesquisa de intenção de votos. Com isso, PSL, Democratas, Progressistas e PSDB encerraram as tratativas e passaram a negociar com os grupos já encaminhados.

O PSL, da presidente Claidir Kerkhoff, abriu apoio a Jarbas da Rosa. A comandante da legenda, inclusive, já participou da live de anúncio de Izaura Landim como pré-candidata a vice-prefeita, ocorrida na sexta-feira, 21. O Democratas, liderado por César Ernsen, decidiu que estará com Giovane Wickert. Progressistas e PSDB ainda não bateram martelo sobre com quem caminhar. O primeiro é da base do governo, mas o presidente Ailto Melo diz que a dúvida está mantida. Já os tucanos, comandados por Vinícius Medeiros, foram procurados pela presidente do PSB, vereadora Sandra Wagner, e a tendência, neste momento, é de que decidam pela defesa da reeleição de Wickert e Krämer.

PT se retira

Na segunda-feira, 24, o presidente do PT, Cesar Schumacher, confirmou à Folha do Mate que o partido não apresentará nome à majoritária. De acordo com ele, a pandemia prejudicou muito os planos da sigla, que pretendia fazer reuniões para debater o plano de governo e visitas para apresentar propostas aos eleitores. Dessa forma, a estratégia petista é fortalecer a nominata à Câmara de Vereadores, para voltar a ter representatividade no Legislativo. Sobre quem apoiar, Schumacher sinaliza que os filiados da legenda devem ter liberdade de escolha. “Não vamos, necessariamente, oficializar apoio a uma ou outra chapa. Mas, dificilmente, os companheiros irão votar no candidato que aderir ao Bolsonarismo”, sustenta, ao lembrar que o PSL está com a chapa de Jarbas da Rosa.

Cenário

Giovane Wickert e Celso Krämer

• Têm PSB e PTB coesos em torno da reedição da dobradinha que venceu a eleição de 2016 por diferença de 254 votos, justamente sobre Jarbas da Rosa (PDT), que naquela oportunidade teve Isabel Oestreich (PDT) como candidata a vice-prefeita. PSB e PTB ainda não definiram as datas para as convenções, mas devem realizá-las na segunda semana de setembro.

• PL: Presidido pelo vereador Eduardo Kappel, é partido confirmado na base de apoio governista. Kappel pretende publicar o edital de convocação para a convenção nos próximos dias e encaminhar o encontro para o fim de semana do dia 5 de setembro.

• Democratas: Liderado por César Ernsen, participou das conversas para a formação da terceira via, mas assim que a falta de competitividade foi verificada, confirmou apoio à dupla que buscará a reeleição. Está na base de governo. Ernsen também convocará a convenção por meio de edital. A data deve ser 5 ou 12 de setembro.

• Progressistas: Comandada por Ailto Melo, a sigla, que integra a atual base governista, também tentou fazer a terceira via acontecer. Com o desmanche do grupo, a tendência é de que apoie a continuidade da atual Administração. Melo, no entanto, não dá certeza da decisão. O partido já afastou a possibilidade de confirmação da candidatura de Luiz Fernando Staub, o Ratinho, que chegou a ser lançado, mas está em isolamento domiciliar, em Porto Alegre, por recomendação médica, e não poderá concorrer. Em princípio, a convenção partidária será no dia 12 de setembro.

• PSDB: O presidente Vinícius Medeiros – que concorreu a prefeito em 2016 e ficou na terceira colocação – não esconde que, no momento, há uma inclinação dos tucanos para apoiar a reeleição de Wickert e Krämer. Ele diz que, além da presidente do PSB, Sandra Wagner, só foi procurado pelo presidente do PSD, Nelsoir Battisti, interlocutor de Jarbas da Rosa (PDT). “Tenho boa relação com o Nelsoir e reconheço que ele é um contato do grupo, mas ele não é o PDT”, afirmou. Hoje, às 19h, PSDB e PSB se encontram para encaminhar um anúncio oficial da parceria. A data provável para a convenção é 12 de setembro.

Jarbas da Rosa e Izaura Landim

• O PDT está totalmente focado em fazer Jarbas prefeito. O MDB, no entanto, deve ter alguns resistentes à parceria, embora Izaura Landim faça parte da chapa. Isso já aconteceu em 2016, quando parte dos integrantes do partido, que oficialmente estava com Vinícius Medeiros (PSDB), apoiou a candidatura de Giovane Wickert (PSB). As convenções do PDT e do MDB serão realizadas no dia 5 de setembro.

• PSL: Fez parte das negociações para a criação da terceira via, mas acabou voltando atrás e fechando com o pedetista. A presidente Claidir Kerkhoff, inclusive, estava presente na live que anunciou Izaura Landim como pré-candidata a vice na chapa. A convenção deve ser realizada no dia 5 de setembro.

• Cidadania: O presidente Acemar da Silva, o Zequinha, desde os primeiros movimentos políticos relacionados ao pleito de 2020 deixou clara a preferência do partido pela pré-candidatura de Jarbas. Também participou da live de anúncio de Izaura Landim. A convenção deve ser realizada no dia 5 de setembro.

• PSD: A legenda participou da campanha para a eleição de Giovane Wickert e Celso Krämer, em 2016, na época liderada por Chico Rech, hoje no Democratas. O atual presidente, Nelsoir Battisti, foi secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo na atual Administração, mas deixou a função e foi para a Câmara, onde logo passou a fazer parte da oposição. Além de Battisti, o PSD também elegeu em 2016 o vereador Zé da Rosa, que foi para o Republicanos e é oposição ao governo na Câmara. Em 2020, o PSD estará com Jarbas. A convenção deve ser realizada no dia 5 de setembro.

• Republicanos: Mesmo estando atualmente na base de governo, o presidente da sigla, Benildo Soares, que até pouco tempo era o responsável pela Junta de Serviço Militar, abriu apoio a Jarbas da Rosa. A postura já era esperada, pois era sabido – mesmo que ele despistasse -, que as tratativas com o PDT estavam avançadas. A convenção deve ser realizada no dia 5 de setembro.

• PSC: A exemplo do que aconteceu em 2016, o partido vai novamente apoiar Jarbas da Rosa. Após o último pleito, muito por iniciativa do vereador Ciro Fernandes – que se elegeu pelo PSC, mas já está no PDT -, a sigla ensaiou uma aproximação com a atual Administração. A parceria não durou muito e a legenda reforçará a base pedetista em 2020. A convenção deve ser realizada no dia 5 de setembro.

Importante

• Além dos partidos citados nesta reportagem, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão em condições regulares, em Venâncio Aires, as siglas Avante, Novo, Patriota, PCdoB, PMN, Podemos, PROS, PRTB, PSOL, PSTU, PV, Rede e Solidariedade. As legendas não foram procuradas porque não há manifestações públicas de suas lideranças, até o momento, de que estarão presentes no processo eleitoral de 2020.

O que dizem os pré-candidatos

Giovane Wickert (PSB)

Para Giovane Wickert (PSB), embora a tendência seja de confirmação do duelo mano a mano entre ele e Jarbas da Rosa (PDT), “até as convenções muita coisa pode acontecer, pois os fatos ainda não estão consumados”. Ele diz que até a repetição da dobradinha com Celso Krämer (PTB), apesar de ser um “forte indicativo”, precisa ser um consenso entre as siglas que apoiam a continuidade da Administração.

Wickert entende que PSDB e Progressistas estão inclinados a apoiar seu nome e acredita que o PT, por mais que venha a não oficializar apoio, pode ser um aliado, já que não concorda em dividir o mesmo espaço, principalmente, com o PSL, que anunciou apoio ao seu adversário. “Tudo precisa ser construído e consolidado. Vamos conversar, avançar com calma e respeitar todas as opiniões”, argumenta ele.

Experiência

O socialista aposta na sua experiência política como fator decisivo na eleição deste ano. São 20 anos de atuação como vereador (foi suplente e assumiu em algumas oportunidades), prefeito, vice-prefeito, assessor parlamentar e secretário de Planejamento e de Cultura e Esportes. Além disso, Wickert foi presidente da Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim), da Associação Gaúcha de Consórcios Públicos (AGCONP), do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale).

Aos 41 anos e formado em Gestão Pública, também acumula bagagem como representante da região na Câmara Setorial do Tabaco e na Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco). “Os próximos quatro anos serão de superação: da pandemia de coronavírus, da maior seca dos últimos 40 anos, da maior enchente dos últimos 60 anos e da recessão econômica. Não há espaço para aventuras e, por isso, no momento mais difícil da história do municipalismo, tenho obrigação de colocar minha experiência à disposição da comunidade de Venâncio Aires. Vamos enfrentar mais este desafio”, diz.

O pré-candidato salienta ainda que há “muitas realizações para mostrar à população” e que a continuidade do trabalho é a forma mais sensata para manter o processo de desenvolvimento da Capital Nacional do Chimarrão. “Cumprimos quase a totalidade do nosso plano de governo e fizemos outras várias coisas que nem estavam previstas nele. Agora, é hora de prestar contas à população, receber novas demandas e sugestões e pensar no futuro. Na prática, acho que o eleitor deve comparar o que os pré-candidatos já fizeram pela nossa cidade e ser convencido pelas propostas”, conclui.

Jarbas da Rosa (PDT)

Para o novo embate contra Giovane Wickert (PSB), Jarbas da Rosa (PDT) garante que está tranquilo, pelo fato de que vem trabalhando com intensidade, há pelo menos três anos, o projeto que pretende apresentar para a comunidade de Venâncio Aires. Geração de emprego e renda é tema prioritário para o médico de 45 anos, ao lado de saúde, educação, segurança. Ele vai para a segunda eleição à Prefeitura.

Embora tenha sido derrotado pelo próprio Wickert em 2016, Jarbas acredita que neste ano o resultado será diferente. Cita a base de apoio fortalecida com a chegada de MDB, PSL, PSD e Republicanos, que se juntam ao PDT, Cidadania e PSC. Diz que está aberto “para conversas com todos os partidos” e espera ter oportunidade de diálogo com PSDB e Progressistas, que tendem a apoiar o adversário.

Sinalização

O pré-candidato argumenta que só não procurou pessoalmente os presidentes das legendas porque entendeu que era momento de respeitar as tratativas que estavam sendo realizadas em torno da terceira via. Com o anúncio de que o grupo alternativo não se consolidaria, ele sentiu resistência de algumas lideranças e boa aceitação de outras, por isso está aguardando o melhor momento para os contatos oficiais. “Temos interesse de dialogar, mas de alguns temos que receber um sinal”, pondera.

Para ter o resultado diferente do que há quatro anos, o pedetista comenta que trabalhou nas filiações, renovação e qualificação dos candidatos a vereador. “Quase 70% dos nomes que vamos apresentar para a Câmara são de pessoas que nunca concorreram. Há muito tempo se fala na necessidade de oxigenação dos partidos e da política, e o PDT conduziu este processo. Hoje, temos uma mescla da experiência com a juventude e um grupo muito coeso para esta eleição”, declara.

Jarbas defende que “os gestores públicos devem fazer parte da sociedade, não podem ser políticos de carreira”, Para ele, administradores precisam “ser pessoais reais, de verdade e de caráter”. Com a experiência de um mandato como vereador, o pedetista insiste que a política “não deve ser profissão, mas uma devoção, um momento da vida da pessoa em que se doa para a comunidade”. O pré-candidato conclui afirmando que, em relação a 2016, seu grupo está fortalecido e sabe o que precisa fazer para vencer o pleito e chegar à Prefeitura. Quando perdi a eleição passada por 254 votos, tínhamos três vereadores. Hoje, a Câmara está 10 a 5 a nosso favor, por exemplo”, finaliza.

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