O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou, na sexta-feira, 6, uma lista de candidatos nas eleições de 2020 que receberam parcelas do auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo Federal em virtude da pandemia do novo coronavírus.

Na relação constam 11 nomes de candidatos da microrregião que declararam à Justiça Eleitoral patrimônios superiores a R$ 300 mil e, segundo o TCU, eles se configuram em “potenciais integrantes no rol de inclusões indevidas do benefício, uma vez que os indícios apontam renda incompatível com as regras do programa.

Ao mesmo tempo, o TCU salienta que não há confirmação de irregularidades nos casos em questões, pois é admitida a possibilidade de erros dos candidatos no preenchimento dos dados ou mesmo fraudes a partir de dados de terceiros.

Os nomes

De Venâncio Aires, aparecem os nomes de Sebastião Flores (do MDB, com R$ 660.000,00 declarados), Nilson Lehmen (do MDB, com R$ 419.000,00 de patrimônio), Carlos Moisés Pereira Dipp (do Progressistas, com R$ 367.051,00 em bens) e Patrícia Beatriz Padilha (do PSD, com R$ 482.000,00 de patrimônio). Todos concorrem a uma vaga na Câmara de Vereadores.

De Passo do Sobrado são mais quatro nomes: Adriane Gonçalves (do MDB, com R$ 663.500,00 em bens), Eder Luis Dupont (do Progressistas, com R$ 397.190,00 declarados), Carmo José Sasse (do PTB, com patrimônio de R$ 322.000,00) e Ivo Port (do PT, com R$ 518.200,00 em bens. Os três primeiros são candidatos ao Legislativo, já Ivo Port concorre a prefeito.

De Mato Leitão, constam na lista os nomes de Eloi Kroth (do PSDB, com declaração de R$ 490.000,00) e José Valdir de Freitas (do PDT, com R$ 317.000,00 de patrimônio). Ambos disputam a eleição para vereador. E, de Vale Verde, está na relação Ricardo Froemming (do PTB, com R$ 641.200,00 em bens), que é candidato a vice-prefeito.

Contrapontos

Venâncio Aires

• Nilson Lehmen (MDB): “A partir de um pente-fino na lista, é possível verificar que há diferença no recebimento de valores, pois eu na verdade não recebi. Meu nome consta na lista porque fui aprovado. Ocorre que lá em maio eu estava recebendo no escritório muitos clientes com a queixa de que o governo estava negando o auxilio e resolvi testar para entender o processo. Aprovou, e eu devolvi em julho, antes mesmo de receber, o que bloqueou o auxílio pra frente. Até hoje meu escritório está atuando com recurso judicial para as pessoas que precisam do auxílio. Não recebi, porém, por ter sido aprovado, consto como beneficiário, o que é um erro. Não tinha como saber que o sistema coloca tudo no mesmo saco quem recebeu e quem não.”

• Carlos Moisés Pereira Dipp (Progressistas): “Tem um erro no somatório dos valores da minha declaração. Temos uma casa em Cidreira, que foi avaliada em R$ 49 mil, um imóvel e um terreno, avaliados, respectivamente, em R$ 152 mil e R$ 148 mil. Só que isso é oriundo de herança, como consta na minha declaração de bens feita ao me candidatar, e a mim cabe apenas a terça parte de cada bem. Ou seja, somando as terças partes dos três bens, meu patrimônio fica em 134,2 mil, já com o valor do carro que tenho e também comprei com o que meu pai deixou de herança. Na minha declaração foram somados os valores totais, o que acabou me colocando nesta lista, onde não deveria estar, pois meu patrimônio é bem menor do que os R$ 300 mil que serviram de ponto de corte para o TCU. Tive redução significativa de salário na pandemia. Meu pedido de auxílio não foi irregular, pois atendi a todos os requisitos apresentados para receber o benefício.”

• Patrícia Beatriz Padilha (PSD): “Tive que fechar a minha empresa quando começou a pandemia. Trabalho com a venda e conserto de pneus para fora de Venâncio Aires e fiquei sem renda, com três filhos para sustentar. A chácara onde está a minha empresa eu comprei a partir de empréstimo bancário e tenho as parcelas para pagar. A moto que está declarada é do meu filho, mas está no meu nome, e o outro veículo eu recebi por conta de uma dívida, mas está parado, cheio de problemas, em Pantano Grande. Além disso, meu caminhão está alienado. Eu peguei sim, mas eu precisei, fui obrigada. Meu patrimônio não é isso tudo, e ele não estava gerando renda. Não entendo como chegaram nestes valores, não queria ser prejudicada com isso. Não é nem uma questão de voto e eleição, mas faço parte de entidade tradicionalista e de outros grupos e todos sabem que não é da minha personalidade andar fora linha.”

• Sebastião Leonardo Flores (MDB): A reportagem fez contato com o candidato, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição, por volta das 20h.

Passo do Sobrado

• Adriane Gonçalves (MDB): “Fui roubada e meus documentos estavam todos dentro do carro. Então, é bem provável que isso explique o episódio.”

• Eder Luis Dupont (Progressistas): “No sábado, dia 7, fui surpreendido por essa informação. Um amigo me encaminhou a listagem constando o meu nome como beneficiário do auxilio emergencial, sendo que jamais solicitei o benefício. Tive que aguardar até segunda-feira, quando procurei a agência da Caixa. Lá recebi a informação que um e-mail diferente do meu e um celular de prefixo 011 haviam solicitado o benefício. Fui orientado a baixar o aplicativo do auxílio, onde verifiquei a existência de três parcelas depositadas, inclusive com juros decorrentes da não utilização dos valores. Também necessitei emitir uma guia de restituição, pois a Caixa não estorna os valores automaticamente, o que levou dois dias para conseguir, pois o aplicativo tem limite diário de pagamento. Por fim procurei a Polícia, que me orientou a registrar um boletim de ocorrência. O que mais me impressiona nisso tudo é a dificuldade para solucionar o problema. Tive que sair do meu município, aguardar numa fila gigantesca, cadastrar um aplicativo, aguardar ele ser liberado, cadastrar e gerar as guias, esperar dois dias para pagamento e registrar um boletim de ocorrência. Eu fiquei sabendo isso por conta dessa listagem do TCU, pois sou candidato, mas quantas vítimas desses golpe ainda não sabem? Quanto ao lado político, não tenho preocupação, pois sou transparente e tenho a confiança de meus eleitores. Para aqueles que quiserem ter acesso a todos os documentos que mencionei é só olhar no meu perfil do Facebook ou me solicitar.”

• Carmo José Sasse (PTB): A reportagem fez contato com o candidato, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição, por volta das 20h.

• Ivo Port (PT): “Como já havia me manifestado em live, recebi sim parcelas do auxílio emergencial. Todos sabem que sou trabalhador e que fiz uma cirurgia de coluna. Como sou pedreiro deveria estar em laudo, pelo INSS, mas como a pandemia impediu que eu fizesse a perícia, meu benefício foi suspenso. Me enquadro perfeitamente nos requisitos exigidos pela lei. Quanto ao meu patrimônio, diferente de outros candidatos que precisam ocultar patrimônio, declarei tudo. No momento que solicitei o auxílio eu não fui calcular quanto valiam carros velhos, casa e pequena gleba de terras, para saber se o valor ultrapassava R$ 300 mil. Portanto, estamos muito tranquilos com isso. Sobre a matéria, só acho que o jornal deveria ter feito há mais tempo e não às vésperas da eleição. Porque esse súbito interesse? Mas não há nada de ilegal, portanto obrigado pela oportunidade de esclarecer.”

Mato Leitão

• Eloi Kroth (PSDB): “Em razão da pandemia, precisei pegar quatro parcelas do auxílio emergencial. Trabalho com eletrônica e os negócios ficaram praticamente parados, afetando muito a minha renda. Depois que surgiu o coronavírus, a baixa nos negócios foi uma realidade para quase todas as pessoas e, como eu atendia os requisitos, solicitei o benefício. Foi o que deu pra fazer quando a corda apertou. A realidade é de dificuldade para todos.”

• José Valdir de Freitas (PDT): “Não tenho todo este patrimônio. Dos quatro terrenos que aparecem na minha declaração, só tenho um, pois já me desfiz dos outros. Acho que colocaram na minha declaração algumas coisas que estavam na outra eleição, mas que não tenho mais. Trabalho com táxi e van e, com a pandemia, o serviço caiu muito. Tenho só um carro e um terreno com a casa onde eu moro.”

Vale Verde

• Ricardo Froemming (PTB): “Fico surpreso por constar na lista, pois no site do Ministério da Cidadania não consta nenhum valor a restituir.”

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