Desde o racha oficial entre o PDT e o PT, em abril deste ano, o vice-prefeito Giovane Wickert (PT) saiu de cena, principalmente em atos públicos, inaugurações e anúncios da Administração Municipal.

No entanto, ele garante que mantém seu compromisso com o Município e com o cargo. Para quem ocupou duas secretarias durante o mandato de vice e diz ter “cansado de sair da prefeitura depois das 22h”, o ritmo de trabalho está sendo menor, ou como ele mesmo definiu: mais discreto, mas atua com responsabilidade, fazendo jus ao salário de R$ 11.817,43 mensais.

RELEMBRE

Giovane entrou na história da política local como o primeiro vice a se reeleger ao lado do mesmo prefeito, o pedetista, Airton Artus. No primeiro mandato ocupou o cargo de secretário do Planejamento e também foi escolhido pelo chefe do Executivo para presidir a 12ª Fenachim. No segundo, ocupou por um período o cargo de secretário da Cultura, posto deixado para concorrer em outubro de 2014, a deputado estadual. Depois do racha, Wickert assumiu, dias depois, o posto de prefeito em exercício, durante a viagem de Airton para Israel, em missão regional.“Tocamos com maior tranquilidade e sem retaliações.”

Na quinta-feira, 20, às vésperas de voltar a responder como prefeito em exercício, ele concedeu entrevista à Folha do Mate. Embora esteja praticamente sozinho no Governo – sem nenhum secretário do seu partido – nas suas respostas sempre tratou do seu trabalho no plural, respondendo “a gente” e “nós”. Com as férias de Airton Artus, Giovane assumiu no fim do expediente desta sexta-feira como prefeito em exercício, cargo que ocupa até dia 30 de agosto.

Folha do Mate – Qual vem sendo a rotina de vice-prefeito desde o racha?

Giovane Wickert – De segunda a segunda. A atividade não para, inclusive o fim de semana é muito intenso. Tenho uma sala, mesmo depois do racha. Nós mantemos o expediente, um pouco mais discreto, um pouco mais reduzido, justamente porque achamos não deveríamos fazer o que aconteceu na história de Venâncio, onde havia o afastamento total do vice-prefeito. Tanto é que no governo que nos antecedeu, onde o prefeito Airton era o vice, não havia mais a sala do vice-prefeito, porque o vice não dava mais o expediente na prefeitura, em função deste distanciamento.

Nós tentamos fazer alguma coisa intermediária, não atrapalhar o Governo e tentar contribuir dentro das grandes limitações quando não tem uma pasta [secretaria] específica e se tem um diálogo cortado. Então a gente tem ido lá, atendido vários cidadãos, recebido vários contatos, encaminhado algumas demandas. Muito ajuda quem não atrapalha no momento que se tem um tencionamento político. Também se tem tentado buscar fontes alternativas de apoio, visitar outras cidades, conhecer projetos e experiências exitosas.

Sente-se sozinho dentro da Prefeitura, considerando que não tens mais nenhum secretário do partido?

Giovane – A gente tem tentado interagir bastante com a Central de Projetos, inclusive minha sala é ao lado. Como a gente busca recursos junto a deputados e analisa projeto de outros municípios, se pergunta como está tal projeto, tal obra, como a gente pode cadastrar um projeto, como é o que vamos fazer agora que voltamos de Brasília e queremos cadastrar um único projeto dividido em etapas. Temos uma boa relação com os servidores e se tem tentado manter essa linha de harmonia.

Você é chamado para as reuniões da Prefeitura?

Giovane – Não. Não tenho participado das reuniões inclusive, nos atos públicos, a gente tem tentado, dar uma aliviada para que não crie um clima de tensionamento. Na Festa do Fumo, como prefeito em exercício, a gente foi chamado para a mesa [de autoridades], mas foi chamado o Secretário de Agricultura, Hélio Lawall, para falar em nome do prefeito. Gerou um clima de tensão e curiosidade das pessoas. Quando a gente percebeu isso, revolvemos dar uma aliviada para não gerar esse clima. Teve um e outro encontro, como a Festa do Colono, em Cecília, que fui chamado, mas o prefeito sempre me saúda nos eventos que estivemos depois do racha.

Como vem sendo a tua relação com o prefeito. Conversam?

Giovane – Nós não conversamos, mas quando nos encontramos nos cumprimentamos.

Quando foi a última vez que prefeito e vice sentaram juntos e tomaram alguma decisão?

Giovane – Desde o início do ano que isso não acontece.

Como vem utilizando motoristas e diárias da Prefeitura, que tem por direito?

Estive em Brasília este ano, paguei a passagem e não cobrei diária, até entendendo o momento e a crise que estamos vivendo. Não lembro a última vez que entrei em um carro público. Vou com o meu carro justamente para não onerar, ter gasto com motorista, combustível. O telefone que uso é o meu celular pessoal. é um esforço e uma contribuição para enfrentar essa grave crise. Isso vinha acontecendo já antes do racha. Desde o ano passado eu vinha tentando colaborar desta forma.

Giovane Wickert será candidato a prefeito no ano que vem?

Se tem a intenção. A gente está trabalhando essa possibilidade, em primeiro lugar, na comunidade, e também com partidos, até porque, as coisas não se dão, apenas, naquele ato da convenção. A discussão precisa ser elaborada para que, de fato, se tenha uma unidade em torno de um nome, de um grupo e de um projeto. Todas às quartas-feiras realizamos um almoço para discutir Venâncio Aires, o presente e o futuro. Têm lideranças de diversos partidos, lideranças do meio empresarial, da agricultura, jovens, quando discutimos diferentes temas.

Você também sente-se responsável pelos feitos apresentados pelo Governo, depois do racha?

Antes mesmo do racha, a gente foi percebendo que ficou um governo mais Airton. Airton no sentido dos pronunciamentos, das colocações, mais centralizado na figura do prefeito. A nota oficial do racha é só o fim de uma sequência de acontecimentos que se deu não somente naquele mês do racha, mas de um ano e meio para cá. E, nos atos inaugurais que tiveram desde lá, por mais que não estávamos presentes, nos sentíamos parte. Acredito que até o fim do ano, todas as obras previstas para serem inauguradas são remanescestes de um esforço coletivo desde o primeiro mandato.

O PT ainda ajuda a administrar Venâncio?

Acho que depois do racha nos tornamos independentes. Temos mais liberdade de expor nossa opinião. Ajudar, queremos ajudar,mas até onde vai nossos limites quem estabelece é o prefeito.

Voltar a dialogar com o PDT está fora de cogitação?

Seria estranho. é muito difícil ver esse cenário, pois foi o PDT que decidiu romper.

As visitas ao Jairo Jorge (PT), prefeito de Canoas já faz parte da preparação para as eleições de 2016?

Estamos aprendendo muito com ele. Ele tem sido um case na relação política, honrando a palavra com os partidos. Não é centralizador e temos muito a aprender com isso. E ele tem sido um sucesso na participação popular. é um prefeito de coragem, arrojado e tem feito a diferença. Na última pesquisa feita, ele está com 76% de aprovação.

Já existe um entendimento com outros partidos para as eleições?

Estamos tendo um bom diálogo com o PTB, PSB, PSD, tivemos a presença de nove presidentes de partidos na visita de Jairo Jorge e, nesses almoços, tivemos lideranças do PDT e PMDB, que tem vindo sim, ouvir, discutir, trocar uma ideia. Estamos tendo contato, praticamente, com 50% dos partidos de Venâncio.

O vereador Celso Krämer (PTB) é um possível candidato a vice-prefeito em uma chapa liderada por você?

Ele é pré-candidato a liderar uma majoritária, assim como a gente tem essa intenção. Acho que os outros partidos também têm nomes, o próprio PSB agora com a filiação do Adelânio Ruppenthal e o Nestor de Azeredo. O PDT também tem seus nomes. O próprio PMDB tem os nomes do Zecão e da Helena. Acho que estão todos abertos ao diálogo e o Celso é um nome. Nome que se apresenta como um pré-candidato e demonstra que tem uma linha de querer compor conosco. Então é viável, sim. Mas não é uma decisão acertada e também não é uma situação descartada. Tudo depende da composição dos partidos, do retorno da comunidade e também dos resultados de pesquisas que devem ser feitas para, em abril ou maio, definirmos a dobradinha.

Sente-se o mais preparado para ser prefeito?

Sinto-me preparado. Não posso desqualificar todos esses nomes. Todos têm condições. Mas me sinto preparado por ter sido vice-prefeito duas vezes, por ter começado a caminhada política lá no ano 2000, concorrendo a vereador. Concorri a deputado, fui assessor, fui secretário.

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