Pandemia domina ações dos primeiros 100 dias de Jarbas

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É comum os gestores fazerem um primeiro grande balanço do governo após 100 dias de atuação nos cargos. No caso de Jarbas da Rosa (PDT), o período se completa neste sábado, 10, e, embora o prefeito tenha várias ações para destacar, não há como fugir do tema mais atual e preocupante: a pandemia de coronavírus, em especial pelo fato de que Venâncio Aires – a exemplo do estado e do país – viveu recentemente o pior momento da crise de saúde, com muitos casos, internações e óbitos em decorrência da doença.

Depois de um ano de 2020 em que a população mundial conheceu um dos vírus mais letais de que se tem notícia ao longo dos tempos, a expectativa era de redução de danos, retomada da economia e da vida no chamado ‘novo normal’. Janeiro até sinalizou uma melhora, mas aos poucos a situação da pandemia se agravou e obrigou profissionais de saúde, gestores e comunidade a se unirem em busca da superação dos obstáculos. “Foi preciso dar prioridade total ao enfrentamento à Covid-19. Foram dias muito complicados. Quando pensávamos no pós-pandemia, na recuperação da economia, no desenvolvimento econômico e na geração de emprego e renda, fomos atingidos em cheio pela nova onda do vírus”, define Jarbas.

Junto com fevereiro chegou a determinação na Prefeitura de que todos os esforços precisavam ser canalizados para o combate à Covid. Apesar de previsões apontarem para um possível colapso no sistema de saúde, ninguém esperava que a doença atingisse os moradores da Capital do Chimarrão e região de forma tão avassaladora. O Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) viu seus leitos clínicos e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) se esgotarem e deflagrou ações e adaptações para não deixar os pacientes sem atendimento. Em dado momento, no entanto, foi necessário pedir socorro publicamente, pois a casa de saúde de Venâncio Aires e referência para a microrregião tinha o caos instalado, a capacidade além do limite.

“A gente praticamente não dormia mais. No máximo, dávamos umas cochiladas. Meu telefone não parava de tocar e eu não conseguia sequer checar todas as mensagens que recebia no WhatsApp. Tínhamos que abrir leitos e implementamos o segundo CAR (Centro de Atendimento Respiratório) na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), pois o hospital estava completamente lotado por conta do avanço desenfreado da Covid”, comenta Jarbas. De acordo com ele, os contatos com o diretor técnico do HSSM, médico Guilherme Fürst Neto, e com a médica infectologista Sandra Knudsen eram frequentes. “Criamos um grupo que conta ainda com o Luciano Spies (presidente do HSSM), o Fernando Siqueira (administrador do hospital); e a Jacqueline Froemming (médica de UTI); o Rodrigo da Silva (coordenador da UPA); e a vice-prefeita Izaura Landim, além de outras pessoas ligadas à área da saúde”, compartilha.

Medicamentos

Não bastasse a preocupação com a escassez de leitos Covid, Jarbas e os demais profissionais ainda depararam com outras situações delicadas. À medida que o número de pessoas que precisavam de internação aumentava assustadoramente, era preciso buscar mais médicos, enfermeiros e técnicos – ou adaptar as escalas -, bem como acelerar o fornecimento de medicamentos e oxigênio. Remédios utilizados no momento da intubação de pacientes tinham estoque reduzido e o consumo de oxigênio disparou. “O monitoramento era, e continua, sendo feito em tempo real. Houve oportunidades em que tivemos que chamar motoristas de madrugada para viagens a Canoas, pois o oxigênio estava se esgotando muito antes do tempo previsto”, revela.

“A questão emocional pesou muito”

O prefeito de Venâncio Aires, Jarbas da Rosa, lembra que, no pico de casos, internações e mortes, era visível o desgaste e, por vezes, desânimo dos profissionais de saúde. Médico que é, sabia que as perdas abalavam muito as equipes. “Vivemos em uma cidade relativamente pequena, onde todos se conhecem. Então, é normal que muitos profissionais de saúde deparem com amigos e até familiares internados no hospital ou na UPA. A questão emocional pesou muito, mas esperamos que o pior já tenha passado”, analisa.

O momento de maior tensão, recorda ele, foi quando a fila de espera por leitos de UTI chegou a 17. “A gente se virou como deu. Não tínhamos mais condições estruturais e de recursos humanos para os atendimentos. O pessoal que está na linha de frente tem que ser muito reconhecido, pois eles são verdadeiros heróis. Sofriam junto com os pacientes, amigos e familiares. Nunca vi coisa igual e não quero mais ver, pois não tenho dúvidas de que nós vivemos um dos piores momentos desta geração que aí está”, argumenta.

Jarbas tem forte lembrança do dia 24 de fevereiro, quando fez uma visita ao Hospital São Sebastião Mártir (HSSM). Naquela época, uma terceira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estava sendo implementada, de forma improvisada, em um dos lados do Pronto Atendimento (PA). O PA estava lotado de pacientes que precisavam de UTI, mas não havia lugar para todos. E ainda havia demanda represada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). “Aquele dia foi terrível. Estávamos vendo em Venâncio Aires coisas que só tínhamos visto em Manaus, pela televisão. Eu queria ver mais pessoas, mas não tinha o que dizer.

Quando cheguei em casa, de noite, minha esposa e filhos já tinham jantado. Me servi e, quando fui dar a primeira garfada, o telefone tocou. Era o filho de uma senhora de 82 anos, que não conseguia leito de UTI. Simplesmente empurrei o prato e não comi. Foi algo que acabou comigo”, lamenta.

“Chegamos ao extremo de o prefeito precisar atender como médico. Todo o nosso exército estava direcionado para o combate à Covid e o general estava na linha de frente. Não fiz isso pensando em dividendos políticos, fiz em busca do que era melhor para a nossa comunidade.”

JARBAS DA ROSA – Prefeito de Venâncio Aires

Momento crítico e medidas

Apesar das extremas dificuldades enfrentadas, Jarbas da Rosa diz que está preparado para o momento crítico. “Muita gente me fala que peguei o pior momento da história para ser prefeito. Eu respondo que, se Deus colocou eu e a Izaura à frente da Administração agora, é porque sabe que temos condições de superar as adversidades”, afirma.

Ele acredita que o Município tomou todas as medidas possíveis e necessárias para, pelo menos, amenizar os reflexos da pandemia de coronavírus. “Venâncio Aires foi o primeiro município a alertar sobre o colapso na rede de saúde, isso no dia 12 de fevereiro. Adotamos o toque de recolher no Carnaval, o que certamente contribuiu para que o cenário não fosse ainda pior”, comenta.

O prefeito lamenta muito todas as vidas perdidas, mas acredita que a Capital Nacional do Chimarrão vai se recuperar do baque sofrido. “Por enquanto, temos que manter a consciência, obedecer aos regramentos impostos, garantir o atendimento, prevenir e orientar. Se Deus quiser, ali na frente estaremos prontos para novas flexibilizações, pois sabemos o quanto esta pandemia está mexendo com a vida das pessoas”, projeta.

“A situação ainda é delicada, mas já estivemos em momentos piores. Foram cerca de 30 dias dramáticos, caóticos e angustiantes. Eu nunca tinha visto nada igual. Considero como um cenário de guerra, onde tentamos resgatar todo mundo, mas infelizmente não conseguimos salvar todos.”

JARBAS DA ROSA – Prefeito de Venâncio Aires

Trabalho técnico

Além dos esforços que foram canalizados para o enfrentamento do coronavírus, Jarbas da Rosa destaca o trabalho técnico realizado pelos servidores do Município nestes 100 primeiros dias à frente da Administração.

De acordo com ele, a atuação dos profissionais da Procuradoria Jurídica (Gisele Spies Chitolina) das secretarias da Fazenda (Fabiana Keller) e do Planejamento e Urbanismo (Ana Cláudia do Amaral Teixeira) “foi fundamental para que pudéssemos destravar uma série de processos e licitações”.

Entre as pautas que tiveram andamento neste início de governo, Jarbas salienta o asfaltamento da estrada de Linha Sapé, obras de pavimentação pelos bairros e consolidação do novo Distrito Industrial, em Vila Estância Nova.

Também elege como conquistas a projeção de conclusão do Centro de Bem-Estar Animal ainda este ano, após duas licitações desertas, e do Centro de Vocação Tecnológica (CVT). “Destravamos tudo o que foi possível, inclusive algumas situações que tinham sido engavetadas”, declara.

Para o chefe do Executivo, o trabalho desenvolvido pelas chamadas “secretarias meios” será decisivo para que as “secretarias fins” deslanchem nos próximos meses. “O suporte foi garantido e, agora, é assegurar que a prestação de serviços à comunidade seja cada vez melhor”, observa.

O encerramento das negociações salariais com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Venâncio Aires, conforme o prefeito, não deve deixar arranhões na Administração. “Legalmente, não tínhamos como oferecer qualquer percentual de reposição ou aumento. Sei que para a categoria não é fácil, mas a medida precisava ser tomada. O diálogo com os representantes foi tranquilo”, conclui.

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