Que a relação entre o presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Venâncio Aires, Eduardo Kappel, e os integrantes do seu partido – o Progressistas – não é pacífica, todos sabem. O que pode ser apontado como novidade é a intenção da cúpula da legenda de expulsar o político. O presidente da sigla, Ailto Melo, confirma a informação e acrescenta que, após o Carnaval, será convocada uma reunião da executiva para avaliar a medida. “Não concordamos com a conduta dele e vamos buscar uma solução”, comenta.

De acordo com Melo, Kappel, atual vice-presidente do Progressistas, “não participa das decisões do partido e não é companheiro”. Segundo o presidente, a permanência do desafeto na legenda implica em frequentes desgastes políticos, já que o parlamentar costuma ser polêmico e de comportamento inconstante. Ele diz ainda que muitas lideranças políticas e comunitárias que têm intenção de entrar para o Progressistas condicionam a adesão à saída de Kappel. “Temos inclusive vereadores da atual legislatura interessados em integrar a sigla. O Nelsoir (Battisti, do PSD) é uma das possibilidades”, argumenta o presidente.

“Vá com Deus”, “já vai tarde” e “é um espinho” são expressões utilizadas por Melo ao manifestar o que pensa em relação Kappel. Ele lembra que em 2018 já teve “bate-boca na Folha do Mate” com o vereador e que desde lá a intenção de expulsar o filiado se consolidou. “Ele é um entrave para nosso propósito de oxigenar o partido, de trazer novas pessoas. Para nós está claro que, mais cedo ou mais tarde, ele vai sair”, aposta.

DESPREOCUPADOEm relação a uma possível expulsão do Progressistas, Kappel se diz despreocupado e vai ainda mais longe, afirmando que “seria maravilhoso ser expulso, inclusive já falei, na tribuna da Câmara, que o partido me faria um favor se encaminhasse a situação”. O vereador não se importaria com eventual expulsão porque, dessa forma, não enfrentaria problemas com o mandato. Por outro lado, se não for expulso, precisará esperar até 2019 – provavelmente março – para aproveitar a janela que permite a troca de legenda.

Se a saída do Progressistas se confirmar, o destino de Kappel deve ser o PTB, partido presidido pelo atual vice-prefeito, Celso Krämer, que além de já ter escancarado as portas da sigla para o vereador, teve papel decisivo na eleição dele para o comando da Mesa Diretora do Legislativo. “Todos meus amigos estão lá no PTB e é provável que eu assine a ficha, mas tenho outros convites também”, diz o presidente da Câmara.

“Pra mim, seria maravilhoso ser expulso, até porque nem converso com esta gente. Eles estariam me fazendo um grande favor.”EDUARDO KAPPELPresidente da Câmara

“Não aceitamos a conduta dele (Kappel). É um espinho, um entrave para que possamos oxigenar o partido com novas pessoas.”AILTO MELOPresidente do Progressistas

Em caso de uma confirmação de Eduardo Kappel do Progressistas, o partido passaria a não ter representação na Câmara de Vereadores. Uma filiação ao PTB, por exemplo, daria à legenda o ‘título’ de maior bancada do Legislativo, com quatro parlamentares.

Possibilidade

Nesta sexta-feira, 1º, o presidente do PTB, Celso Krämer, declarou que antes de qualquer tratativa com Kappel, vai esperar “ele se resolver com o partido dele, que ainda é o Progressistas”. Segundo o petebista, também será necessário ouvir as bases da legenda para que Kappel tenha uma recepção positiva. “Ele faz parte da nossa coligação de governo e pode, sim, ter oportunidade no PTB, mas primeiro tem que oficializar a saída do Progressistas”, reforçou Krämer.