Jarbas da Rosa (PDT) e Giovane Wickert (PSB) devem ser os dois principais nomes para as eleições 2020 em Venâncio Aires (Foto: Divulgação)
Jarbas da Rosa (PDT) e Giovane Wickert (PSB) devem ser os dois principais nomes para as eleições 2020 em Venâncio Aires (Foto: Divulgação)

Em um cenário de total incerteza por conta da pandemia de coronavírus, certo é que, se o calendário eleitoral for mantido, a população irá às urnas no dia 4 de outubro, para escolher novos vereadores e prefeitos. Faltam, portanto, quatro meses para o pleito. Talvez por isso, os embates políticos estejam intensificados na Capital do Chimarrão. Mais do que isso, os ‘confrontos’ têm sido centralizados em dois nomes: Giovane Wickert (PSB) e Jarbas da Rosa (PDT). Um é atual prefeito, e sua candidatura natural; o outro é o principal ator da oposição e terá oportunidade de uma revanche, se a conjuntura permanecer como está. Em 2016, Wickert venceu Rosa por diferença de 254 votos para chegar pela primeira vez à Prefeitura.

É grande a probabilidade de que Wickert concorra novamente em dobradinha com o vice-prefeito Celso Krämer (PTB). Também é forte a tendência de que Rosa tenha em sua composição um vice do MDB. Os mais cotados são os vereadores Gilberto dos Santos, Helena da Rosa e Izaura Landim. Corre por fora o também vereador Nelsoir Battisti (PSD). Os cenários serão confirmados até o fim de julho, com a realização das convenções partidárias. A projeção é de que os eleitores de Venâncio Aires tenham pelo menos dois e no máximo quatro opções de voto. E que o contato dos candidatos seja pelo telefone e pelas redes sociais. Tudo indica que teremos um período eleitoral diferente bem diferente de anos anteriores.

Giovane Wickert

  • O atual prefeito concorda que o cenário político se encaminha para um repeteco de 2016 e que os ânimos tendem a se acirrar com a proximidade da eleição. No entanto, pondera que em todo processo eleitoral, “sempre acabamos tendo alguma surpresa, reviravolta ou um fato novo”. O socialista diz também que acredita em quatro candidaturas ao Executivo e que “o ex-prefeito Airton Artus, já apresentou vários fatos novos na política”, dando a entender que o pedetista pode aparecer como candidato.
  • Wickert argumenta que “quem enfeita a noiva muito cedo, corre o risco de ver o penteado estragar até o casamento”, ao se referir ao provável enlace entre PDT e MDB. Ele ressalta que a única vez em que um prefeito foi reeleito em Venâncio Aires se deu na eleição de 2012, quando ele, que era o vice, e Airton Artus, que comandava o Executivo, repetiram a chapa. “Os dois primeiros anos da próxima gestão serão muito difíceis. É perigoso termos alguém sem experiência no comando da Prefeitura. É como jogar na água alguém que não sabe nadar”, comenta.
  • O prefeito declara ainda que, neste momento, está focado no enfrentamento à pandemia da Covid-19. “Eleição é uma preocupação secundária. Aliás, acho engraçado que o pessoal do PDT só sabe dizer o tempo inteiro que nada presta no governo e não está preocupado com toda a crise. Pelo que parece, eles nada têm a falar de si. Podiam, pelo menos, dizer o que fariam de diferente, de onde tirariam o dinheiro para fazer tudo o que discursam. Podiam também explicar como um carro da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Social foi parar em São Paulo. O PDT adotou como estratégia dizer que a Prefeitura está endividada e levantar suspeitas contra a minha pessoa”, dispara.

Jarbas da Rosa

  • O presidente do PDT e pré-candidato do partido à Prefeitura diz que está acompanhando notícias em relação ao processo eleitoral e acredita que o pleito será realizado este ano. “Se não em outubro, até dezembro acho que teremos a eleição”, comenta. Ao mesmo tempo, se diz preocupado com a pandemia de coronavírus, “embora me pareça que o nosso pico já passou”.
  • Ele também admite que os debates estão ficando mais acalorados, mas vê isso como algo natural. “É normal que, com a proximidade da eleição, tenhamos os bastidores mais quentes. Não fosse o coronavírus e estivéssemos com a vida normal, a política estaria muito mais movimentada a esta altura”, afirma. Rosa se diz otimista para a provável revanche com Wickert. “Temos notado que a Administração está a reboque do PDT. Lançamos um plano para os próximos 20 anos e, no fim do dia, eles apresentaram um também. Só que faltam argumentos para fazer parecer coincidência e daí baixam o nível. Não conseguem perceber que a falta de competência e proatividade deles é que nos torna cada vez mais a primeira opção da comunidade”, sugere.
  • O pedetista diz que a atual Administração “gosta muito de olhar para o passado”. Ele afirma que prefere “olhar para o futuro e pensar como poderemos recuperar o desmantelamento da saúde e da agricultura, por exemplo”. “Estamos acompanhando muitos gastos com pesquisas e consultorias, algo totalmente desnecessário neste momento. Tivemos a criação de uma Secretaria de Segurança, que é de um homem só. Posso garantir que esta política o PDT não vai fazer. Vamos realmente colocar Venâncio nos trilhos”, conclui.

Câmara de Vereadores é o termômetro

E é na Câmara de Vereadores que o embate político fica muito bem evidenciado. Com frequência, integrantes da base governista e vereadores de oposição travam discussões acaloradas, cada um em defesa dos seus aliados ou dos governos que fizeram ou fazem parte.

Na sessão de segunda-feira, 1º, Ana Cláudia do Amaral Teixeira (PDT) e Arnildo Camara (PTB) trocaram farpas. Primeiro, Ana fez menção à apresentação das metas do primeiro quadrimestre do Município, destacando a projeção de R$ 14 milhões de déficit. A parlamentar declarou que “a contadora da Prefeitura pintou um quadro horroroso para nós” e disse ainda que “apesar de todo o cenário desfavorável, nenhuma ação para resolver os problemas é apresentada”.

Na sequência, o petebista contra-atacou afirmando que a atual Administração recebeu a Prefeitura com cerca de R$ 5 milhões de restos a pagar. Também disse que o prefeito eleito, Giovane Wickert (PSB), foi quem quitou as rescisões de cargos em comissão do ex-prefeito, Airton Artus (PDT), que haviam sido desligados sem acerto de contas.

“Fico muito sentido e chateado com essa tentativa de denegrir o atual governo de ponta a ponta. Recebemos duas patrolas, uma tinha que colocar numa rampa para dar ré. Hoje temos frota renovada, estradas melhores e outras tantas realizações. Vamos mais devagar”, declarou o vereador.

Mais nomes

  1. A reportagem da Folha do Mate ouviu também o pré-candidato a prefeito pelo Progressistas, Luiz Fernando Staub, popularmente conhecido como Ratinho. Aos 75 anos, ele permanece recolhido em casa, em Porto Alegre, por determinação médica. “Estou me cuidando, não saio para a rua há dois meses. Sou do grupo de risco, tenho alguns problemas de saúde que podem ser agravados em caso de infecção pelo coronavírus”, comentou.
  2. Ratinho tem mantido contatos telefônicos com a cúpula do partido em Venâncio Aires, bem como com representantes de legendas e outros apoiadores que simpatizam como sua pré-candidatura. No entanto, ele acredita ser muito difícil se manter na disputa, em razão da pandemia. “Pelo que tenho acompanhado, a eleição deve sair até o fim do ano. Sem fazer visitas, é mais complicado convencer as pessoas sobre um novo projeto. O partido não se reuniu mais, porém não temos uma decisão em relação a isso. Está tudo como dantes no quartel de Abrantes”, afirmou.
  3. A respeito de PSDB e PT, outras duas siglas que podem ter nomes para concorrer à majoritária, a reportagem não ouviu representantes por conta de não haver uma definição sobre pré-candidaturas. O PSDB tem como opções Vinícius Medeiros, Alexandre Wickert e Marcolino Coutinho. Já no PT fala-se nos nomes de Cesar Schumacher e José Cândido Faleiro Neto.

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