Com informações de ADI/AGERT.

O governador José Ivo Sartori (PMDB) concedeu entrevista à Associação dos Diários do Interior (ADI/RS) e à Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert), no último programa da série 2015 do Governo em Rede. A atividade ocorreu no Galpão Crioulo do Palácio Piratini e foi transmitida para todo o Estado com apresentação do radialista Pedro Farias.

Sartori respondeu às perguntas elaboradas por associados das duas entidades. As questões passaram por aspectos mais gerais, como a crise nas finanças, a necessidade de ajuste nas contas e as mudanças no calendário do IPVA, até as mais específicas, levando em conta demandas de hospitais e estradas. Questionado sobre novos parcelamentos de salários, o governador admitiu que o próximo ano ainda será de dificuldades e evitou fazer promessas que não possam ser cumpridas por conta da crise no Estado. Além do próprio governador e do secretário de Comunicação, Cleber Benvegnú, acompanharam a entrevista jornalistas e os presidentes da ADI/RS, Jones Alei da Silva, e da Agert, Roberto Cervo.

 

Foto: Daniela Barcelos / Palácio PiratiniGOVERNADOR CONCEDEU ENTREVISTA PARA ADI/RS E AGERT
GOVERNADOR CONCEDEU ENTREVISTA PARA ADI/RS E AGERT

ADI/AGERT – A região Noroeste do Rio Grande do Sul está na expectativa da realização da hidrelétrica denominada Panambi/Garabi. A falta de informações sobre o projeto é a grande preocupação da população regional. Como o Estado pode interferir e auxiliar nesta inquietação da comunidade regional, já que o projeto poderá alterar toda a realidade socioeconômica desta parte do Estado?

JOSé IVO SARTORI – é uma questão judicial, tem um impasse muito forte judicialmente. Acho que amanhã (hoje), às 14 horas, haverá uma nova audiência na Justiça Federal sobre esse assunto. A comunidade está argumentando e defende que não desapareça o Parque do Turvo. Além das inundações, que obrigarão a remoção de comunidades de quatro municípios lá no fundo de Garruchos – porque tem aqui no Rio Grande do Sul e na Argentina – Alba Posse, do lado de lá, e Porto Mauá. Então tudo isso, acho eu, são coisas que precisam ser resolvidas judicialmente, pois já tivemos casos assim. Mas todo mundo quer a preservação, a manutenção. Mas, primeiro, qualquer coisa dessa natureza terá de ser resolvida judicialmente para que sejam feitos os ajustes: nem para impedir que haja energia, nem para impedir para que se preserve a história natural de cada comunidade.

ADI/AGERT – Sobre a duplicação da faixa velha de Camobi – ERS-509: os recursos estão garantidos?SARTORI – O que tem valor garantido será feito. A própria Secretaria de Transportes faz a PROGRAMAÇÃO. O Daer e a Secretaria de Transportes pretendem assegurar no mínimo os recursos necessários para o andamento da obra. A obra está sendo realizada, e que portanto tenha continuidade. Talvez não na agilidade e no dinamismo que a gente gostaria, mas dentro das condições que o Estado tem de atender. Mesmo que seja em ritmo lento, no mínimo manter a expectativa porque isso também revela a esperança de que será concluída.

ADI/AGERT – E o asfaltamento da RSC-392, entre Tupanciretã e Santa Tecla?SARTORI – Melhorar as condições da estrada sempre foi uma condição que nós colocamos. Olha, se nós conseguíssemos fazer um tapa-buracos em todos os lugares, nos consideraríamos muito satisfeitos. A execução dessa obra vai depender muito do que nós tivermos nos recursos do próprio tesouro do Estado, porque não tem outro tipo de financiamento e não há colocação de outra atividade, mas acho que nós estamos conversando e já avançamos bastante. Acho que dentro de pouco tempo também teremos novidades sobre as parcerias público-privadas. Já estudamos bastante, analisamos bastante, talvez não seja o caso desta. Temos um projeto e já conversamos, estamos bem adiantados com a Corporação Andina de Fomento, e deveremos ter lá um processo de financiamentos para mais ou menos 50 acessos municipais. Devemos ter perto, ainda, de 100 municípios que não têm acessibilidade através do asfalto.

ADI/AGERT – Quando estará pronta a ERS-528, ligação asfáltica entre Palmitinho e Pinheirinho do Vale?SARTORI – Eu não conseguiria dizer em que ponto está, de que forma ela será realizada, mas estamos fazendo um esforço para fazer a recuperação onde é possível e as ações nas rodovias, pelo menos a manutenção para que a sua condição não seja agravada, embora com a chuvarada que tivemos houve problema. Quanto às questões novas, evidentemente vamos ter que no ano que vem ver quais são as possibilidades e os recursos. Junto com o governo federal, queremos fazer boas ligações entre as concessões federais que ligam Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, começando pela BR-101, BR-116, e depois todas as outras que vão até lá em cima em Iraí. Essas todas queremos acopladas com as rodovias estaduais para que se façam, a partir daí, corredores importantes em direção ao Porto de Rio Grande. Não significa que o governo federal possa fazer suas concessões e nós não possamos fazer as nossas. Temos que fazer as nossas de forma acoplada para que se forme em uma rede importante e que se transforme em transporte da produção em direção ao Porto de Rio Grande, estratégico não apenas para o Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina, mas para o País e internacionalmente.

ADI/AGERT – As cidades pequenas do interior do Estado estão sofrendo com a violência e a falta de efetivo da Brigada Militar e da Polícia Civil. O que será feito para resolver este problema da segurança pública?

SARTORI – O Estado do Rio Grande do Sul tem uma folha de pagamento em que 54% é de aposentados. O estado que chega mais próximo a isso é São Paulo, com 27% de inativos na sua folha de pagamento. E São Paulo é uma potência. Então nós tivemos que equilibrar isso. Durante este ano, controlamos tudo o que pudemos no governo e evitamos nomeações de concursados em todas as áreas, não apenas na segurança. O único em que abrimos uma exceção foi para a educação, em que convocamos perto de 600 professores que foram chamados. Não só o interior está sofrendo com o aumento da violência. Maior parte dos assaltos, 13% acontecem na Capital, considerando todo o Rio Grande do Sul. Estamos trabalhando conjuntamente, fizemos uma PROGRAMAÇÃO para atender os 20 municípios mais violentos e procuramos medidas com inteligência. Buscamos fora, inclusive com a Embaixada dos Estados Unidos. Teve gente aqui dando curso para a Polícia, Brigada Militar. Acho que todos eles, tanto a Polícia quanto a Brigada, estão procurando fazer mais com menos. Aumentar a prevenção e desmantelar grupos criminosos, também no interior, isso está sendo feito. Este ano, 101 mil pessoas foram presas por diferentes situações. Isto não é o suficiente.Com certeza o governo sozinho não vai conseguir diminuir, se não tivermos vigilância, cuidado e a sociedade ajudando a fazer isso. Por isso também criamos programas novos. Por exemplo, na educação: Comissões Internas de Prevenção aos Acidentes e Violência Escolar (Cipave). A Secretaria de Educação tinha uma meta de que essas comissões fossem instaladas nas escolas estaduais pelo menos em número de 100. Dou graças a Deus que foi a coisa mais bem-sucedida. Hoje temos comissões instaladas em mais de 1,3 mil escolas estaduais. é um avanço significativo porque temos que preparar as pessoas para parar de se irritar e conversar com os outros. Se nós colocarmos junto os acidentes de trânsito, a gente dobra e muito mais. Violência do trânsito também ceifa vidas. O jeito é aumentar a inteligência, a virtualidade, ocupar espaços antes não ocupados. Aqui no Estado, usamos na procissão dos Navegantes equipamentos usados na Copa. é uma maneira de deslocar Centros de Monitoramento para outros lugares, trabalhando com os municípios pequenos, médios e grandes.

ADI/AGERT – Por que foi alterado o prazo para o pagamento do IPVA?SARTORI – Em primeiro lugar, para facilitar tanto para o Estado quanto para quem contribui. Há diminuição de prazo, a arrecadação vem um pouco antes. Mas também mantivemos as questões do Bom Motorista. E também foi por conta das dificuldades financeiras do Estado. Ainda é uma maneira de auxiliar os municípios, pois 50% vai para os municípios. E também é uma maneira de ajudar o município a ter acesso a mais recursos e atender as necessidades de suas comunidades. é certo que o calendário do IPVA vai terminar em abril. Também teremos ações para combater a inadimplência, que é muito elevada. Temos obrigação de correr atrás dessas situações para que o Estado possa responder a prioridades que tem, como educação, saúde e segurança.

ADI/AGERT – Os hospitais de Faxinal do Soturno e Campo Bom estão com dez novos leitos de UTI cada um. E ainda existem outros. Quando esses leitos serão credenciados pelo Estado?SARTORI – Primeiramente eu quero dizer a todos os hospitais, todas as santas casas, especialmente os filantrópicos que tiveram conosco uma boa negociação. Alguns ainda têm problemas de ajustes porque aceitaram negociar as dívidas de 2014 e parte de 2015 até 2018. Quanto às questões específicas da UTI, tanto do Faxinal quanto de Campo Bom, devo dizer que estão em análise técnica para futura habilitação. Há necessidade de seguir os critérios do Ministério da Saúde e da Anvisa. Não é apenas o Estado querer. Também somos gestores da saúde sob a responsabilidade do Ministério da Saúde. A estrutura física, os profissionais para atender a unidade, tudo isso tem que ser preparado, mas acredito que está num caminho muito bom para ser atendido. Quanto a Campo Bom, que é um município de gestão plena, o contrato é feito diretamente com o município e com a entidade. E daí depois é que entra o Estado como repassador dos recursos federais ou estaduais.

ADI/AGERT – Com relação ao Hospital Regional de Santa Maria, quem irá administrá-lo e quando entrará em funcionamento?SARTORI – é uma discussão dentro da comunidade regional. Eu tive a oportunidade de estar no Ministério da Saúde e colocando essa questão. é uma questão que vamos ter que olhar bem, falta ainda uma parte de recursos para a conclusão. E depois ainda colocar o mobiliário e os equipamentos. é uma caminhada que vamos trabalhar pra que seja feita. Já obtivemos a cessão do imóvel e vai sendo analisada pelas áreas específicas. Todos estamos atentos, mas se não houver uma deliberação do Ministério da Saúde, junto com o Estado e o município, terá, num futuro não muito distante, um Centro de Recepção Regional muito forte. Aliás, é o que eu sempre disse que gostaria de fazer, a descentralização forte da saúde para todas as regiões.

ADI/AGERT – O agravamento da crise financeira do Estado obrigou o governo a tomar diversos remédios amargos no decorrer de 2015. O ano de 2016 será diferente?SARTORI – Eu acredito que boa parte deles nós já colocamos. Teremos outros agora até o final do ano, que ainda serão apreciados. Outros projetos que amargam a vida das pessoas. Imagina ter uma LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e um orçamento com 3% de aumento? Mas a realidade financeira é essa. Ninguém pode ser perdulário ou irresponsável de não compreender essa realidade. Acho eu que a caminhada que estamos fazendo é no sentido de fazer a nossa parte. Vou fazer o que precisa ser feito. Espero que a minha equipe tenha condições de aguentar o ‘tirão’. Acho que fizemos uma demonstração para a sociedade daquilo que é verdade, de forma transparente. Acho que a população está se conscientizando das dificuldades. Vamos fazer aquilo que pode ser feito. Essa caminhada é longa. Eu espero que aquele que vier depois de nós dê continuidade à manutenção desse processo para segurar o que dá para obter equilíbrio financeiro do Estado do Rio Grande do Sul, para que volte a prestar serviços públicos melhores. E sirva bem à sociedade, melhore a vida das pessoas, especialmente os que mais precisam. Esse é o papel do poder público. Mas que tenha continuidade. Eu vou brigar por isso.

ADI/AGERT – Os servidores poderão voltar a ter salários parcelados em 2016?SARTORI – Quando chegamos a essa realidade, foi uma medida difícil de adotar. Surgiram muitas críticas e brincadeiras, até sobre o Gre-Nal. Não foi de vontade pessoal, mas de necessidade. Estamos buscando no Banrisul, está dando desconforto, mas me parece que até ontem (terça-feira) 120 mil servidores tinham alcançado e feito a operação com o banco. A gente não faz (o parcelamento) porque quer, mas a grave situação financeira do Rio Grande do Sul nos coloca isso. Atingiu todo mundo, inclusive o governador, o vice-governador e os secretários que receberam do governo. Temos que dar o exemplo. Hoje estamos pagando o preço do que está aí. Queremos construir novas realidades. Com paciência e tolerância, vamos conseguir. é um processo permanente. Vamos continuar com essas situações difíceis ao longo de todo o ano de 2016. Melhor seria que nossa economia não estivesse desaquecida e que não tivesse inflação alta. Seria bom para o Estado e a economia. O problema é o governo do Estado. Todo mundo que está de fora está se virando de um jeito ou de outro e criando condições de manutenção da economia estadual, do Rio Grande que dá certo.