Hellen Vitória Soares Fermino, 17 anos, chegou nesta semana na Capital do Chimarrão para mais uma temporada de espetáculos. Ela não lembra quantas vezes já passou por aqui, mas Venâncio Aires marcou a vida da jovem. Mesmo não tendo residência fixa e percorrendo todo o Rio Grande do Sul, é o nome de Venâncio Aires que está na certidão de nascimento da jovem.

No dia 21 de novembro de 2000, enquanto o circo estava em Venâncio, a mãe, Mauren Soares, entrou em trabalho de parto e Hellen nasceu no Hospital São Sebastião Mártir. A jovem nunca teve residência fixa, durante toda sua vida circulou nas mais diferentes cidades do Estado.

Foto: Arquivo Pessoal / DivulgaçãoHellen, com 10 anos, ensaiando números de contorcionismo
Hellen, com 10 anos, ensaiando números de contorcionismo

Estudante do 2º ano do Ensino Médio, a família matricula a jovem e a irmã, Tayla, 11 anos, nas escolas em cada município que ficam. “Às vezes eu consigo formar um grupo de amigos, mas tem gente que nem olha, nem pergunta de onde a gente vem”, confessa.

Toda a família de Hellen trabalha com circo. Ela viaja com o pai, Luciano Fermino, no Circo Metropolitano. A mãe, Mauren, também trabalha em circo junto com o padastro de Hellen. O Metropolitano foi fundado pelo avô da jovem, Adão Fermino, que após muitos números ao longo da trajetória de mais de 50 anos no picadeiro, hoje é o ‘Palhaço Linguiça’ na atração. Quem também segue junto é a avó, Noeli, 70, que faz uma participação no ‘táxi maluco’. Adão e Noeli completam 50 anos de união no próximo ano, sempre no circo.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateJovem quer seguir tradição da família no circo
Jovem quer seguir tradição da família no circo

TRAJETÓRIAHellen começou a se apresentar aos 5 anos, quando fazia números de altura com a mãe. Aos 9, deu início à arte do contorcionismo. Ela fez aulas com o professor Petronio Romero e, após muitos ensaios, fez sua primeira apresentação e segue com a arte até hoje. “Eu ensaiava de manhã e de tarde ia para a escola”, conta. Além disso, ainda na infância, foi também ‘palhacinha’ no circo’. “Palhaço eu fiz até os 11 anos, depois disso tinha vergonha e parei”, conta.

As apresentações de altura também foram deixadas de lado após sofrer uma queda. Quando tinha 12 anos, a corda rompeu durante um espetáculo e a menina caiu de lado no chão. “Por sorte, não me machuquei, podia ter fraturado a bacia”, revela. Hoje, ela também faz números de magia, bambolê e globo da morte com bicicleta. “Eu e meu namorado estamos ensaiando agora um número com bambus, daqui um tempo podemos apresentar também”, comenta.

“Eu quero ficar no circo e seguir a tradição da minha família. Olha meu avô, com 73 anos está aí trabalhando com a gente.”HELLEN VITÓRIA SOARES FERMINOArtista Circense

Foto: Arquivo Pessoal / DivulgaçãoNo palco, Hellen se reinventa e se sente bem
No palco, Hellen se reinventa e se sente bem

SUCESSÃO1 Não está nos planos de Hellen deixar a vida circense de lado. Ela quer dar continuidade ao trabalho da família ao lado do namorado, Daniel, 20 anos. Eles se conheceram durante uma estada do Metropolitano em Camaquã e há cinco meses o rapaz segue viagem com o circo. “Nós queremos continuar no circo, temos planos de comprar uma carreta”, diz.2 Sobre as dificuldades da vida de artista, diz que o que desmotiva é o desinteresse do público muitas vezes. Ela diz que gosta de ouvir as histórias dos avós porque contam uma outra realidade. “Quando vejo o sorriso de alguém do público já dá mais vontade de trabalhar”, enfatiza.