Foto: Divulgação

Na quarta-feira, 8, com a videoconferência que abordou o setor de inovação e tecnologia, foram concluídos os debates temáticos do Plano de Recuperação Econômica Pós-pandemia proposto pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo. Antes, os outros cinco eixos – turismo, produção rural, comércio, serviços e indústria – também foram alvo de discussões que contaram com a participação de representantes do poder público municipal e de profissionais que atuam nas áreas.

Agora, a partir do documento que está sendo elaborado pela Administração, o desafio é buscar os investimentos e oportunidades necessárias para que Venâncio Aires saia na frente de outras cidades no momento de retomada da economia. “O mais importante é que conseguimos construir um legado para os próximos anos, que não tem viés político e ideológico. Precisamos pensar hoje sobre como vamos agir na retomada”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, Claudio Soares.

Caminhos

Para ele, a participação de técnicos das seis áreas nos debates foi de fundamental importância para a indicação dos caminhos que os empresários podem seguir, tanto para evitar maiores prejuízos por conta dos reflexos da Covid-19, quanto para aproveitar oportunidades que o período pós-pandemia pode apresentar. “Nosso papel, enquanto poder público, é contribuir para que estes caminhos sejam trilhados com segurança, mesmo que sejam necessárias algumas correções ou aperfeiçoamento no curso. Temos informações, temos o que mostrar para quem estiver interessado em apostar na nossa cidade”, argumenta.

“O período pré-eleitoral poderia prejudicar ainda mais este processo de retomada da economia, mas felizmente, em Venâncio Aires, situação e oposição têm conseguido separar as coisas. Isso facilita o trabalho e beneficia a comunidade.”

CLAUDIO SOARES – Secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo

Setores

• Turismo: De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, Claudio Soares, os estabelecimentos do setor precisam estar preparados para um novo momento. “Na retomada, teremos um turismo de família, e não como estávamos acostumados, com aquelas grandes excusões”. Para isso, defende ele, o Município vai oferecer treinamentos e consultorias, com a previsão de que o setor possa voltar a funcionar com maior intensidade já em agosto. “Alguns locais não fecharam, pois foi possível adaptar o funcionamento às regras do distanciamento social. Podemos citar como exemplo a Figueira Centenária, que é um local aberto e que oportuniza que as pessoas deem uma passada rápida, ao mesmo tempo que fazem um giro pelo nosso interior. É uma forma de a família desopilar na pandemia, mantendo os cuidados necessários”, diz. Para os casos em que o turismo rural foi muito afetado, a dica é “preparar a venda agora para, ali na frente, arrancar com segurança para recuperar as perdas”.

• Comércio: Conforme Soares, o setor é o que mais está sofrendo com a pandemia, principalmente os pequenos empreendimentos. Por meio do programa Cidade Empreendedora, a Administração quer auxiliar as empresas a identificarem claramente o seu perfil e trabalharem no sentido de agregar valor aos seus produtos. “Em relação ao comércio, temos uma preocupação bem pontual. Até o momento, apenas um empresário nos procurou em busca de auxílio. Precisamos vencer a chamada ‘síndrome de avestruz’, tirar a cabeça do buraco. Nosso papel é mostrar que há luz fora do buraco”, comenta, acrescentando que, em razão do estresse gerado pela pandemia, os empresários não têm encontrado tempo para a qualificação. O secretário salienta também a importância do entendimento do comércio global, no sentido de tornar a empresa competitiva. “A compreensão da velocidade da rede é essencial e, por isso, oferecemos também cursos de marketing digital. Temos que jogar o jogo do mundo, não apenas do interior”, afirma.

• Serviços: O secretário aponta que o estímulo ao setor hospitalar, por exemplo, é uma das formas para o fortalecimento do setor. “Temos que criar condições para que os profissionais se estabeleçam por aqui”, sustenta. Ao mesmo tempo, destaca a necessidade de melhoria nos serviços de internet e telefonia, o que fará com que profissionais autônomos deem celeridade aos processos referentes às suas áreas de atuação. “Em relação aos serviços, a intenção é incentivar os cerca de 800 autônomos que temos e dar atenção também aos quase 2,5 mil MEIs (microempreendedores individuais) ativos no município”, esclarece, acrescentando que o número de MEIs deve aumentar significativamente após a pandemia, pois a tendência é de demissões entre setembro e novembro. “As empresas que não conseguirem manter suas atividades no mesmo nível terão, obrigatoriamente, dispensar mão de obra. Precisamos de novos investimentos, para que estes trabalhadores sejam absorvidos”, declara.

• Indústria: Segundo Claudio Soares, o principal trabalho realizado durante o período de pandemia – e que vai servir de norte para as ações futuras – é o mapeamento das cadeias produtivas do setor. “Estamos medindo forças e fraquezas dos setores fumageiro, moveleiro, metalmecânico e pelo de proteína animal, para citar alguns. Na indústria, nosso principal interesse é completar o processo de verticalização onde ele ainda não existe”, diz. Como exemplo, ele cita o setor fumageiro: “É preciso fortalecer o que já está em crescimento e que, para Venâncio Aires, é o carro-chefe da economia. O que nos falta é uma fábrica de cigarros. Se tivéssemos, como Santa Cruz do Sul tem, uma fábrica, a verticalização estaria consolidada. Para isso, obviamente, precisamos de investidores interessados em completar a cadeia produtiva, o que nos daria mais condições de agregar valor aos produtos”, destaca.

• Inovação e tecnologia: Estimular o surgimento local e também a atração de startups é uma das metas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. “A título de comparação, uma indústria leva pelo menos cinco anos para perceber o retorno do seu investimento. Uma startup percebe isso de hoje para amanhã”, afirma. De acordo com o titular da pasta, entre as ações da Administração para estimular o setor está a liberação de alvarás de funcionamento para empresas de baixo risco em tempo recorde. “A startup é o melhor exemplo, pois precisa de uma sala de quatro metros quadrados, um computador e um telefone para sair produzindo e vendendo. Se não tem risco ambiental, sanitário ou de incêndio, por quais motivos o Município não pode desburocratizar este processo”, questiona. Além disso, recorda, “sem alvará não pode haver emissão de nota fiscal, ou seja, o Município deixa de arrecadar”. Claudio Soares comenta ainda que empresários do setor podem procurar a secretária caso queiram se qualificar a partir de capacitações.

• Produção rural: Verticalizar, integrar e diversificar, de acordo com Soares, são os três verbos que norteiam o pensamento da Administração para o setor. “O mais importante para o produtor é saber que terá comprador para suas mercadorias. Isso estará garantido quando houver verticalização e, ao mesmo, fará com que produtor e comprador interajam, em especial no que se refere à negociação do preço”, diz. Em relação à diversificação, ele destaca que a dica é não afastar a produção daquilo que é importante, mas buscar novas fontes de renda, que possam agregar à atividade rural. “Se o tabaco é o principal, deve ser mantido. Mas também é necessário pensar em um açude na propriedade, para vender o peixe; em algumas cabeças de gado, para leite ou carne; do plantio de outras culturas na resteva; e, porque não, no reflorestamento. As atividades têm que dialogar”, conclui.

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