Há pouco mais de um ano, o preço pago ao produtor pela arroba da erva-mate, teve um acentuado aumento, chegando aos valores de R$ 15 a R$ 18. Hoje, com o excesso de oferta, o preço caiu e o produtor está recebendo na média, R$ 13,50 pela arroba. Naquela época, houve falta da matéria-prima.

“O preço da erva-mate hoje está se equilibrando, entrando num patamar de estabilidade”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias do Mate do Rio Grande do Sul (Sindimate/RS). Gilberto Heck frisa que o ocorrido no segundo semestre do ano passado foi uma alteração de preços fora dos padrões aceitáveis e agora está se equilibrando. “Foi um período muito curto de supervalorização e agora o mercado está se ajustando. Espero que se equilibre nos patamares que se encontra hoje.”

Os motivos que influenciaram no aumento da produção são o clima favorável na primavera e verão passado e, o produtor voltou a investir na recuperação dos ervais, com a condução da lavoura, aplicando fertilizantes orgânicos e químicos. Com isso, há um excesso de oferta e a consequência é a redução do preço que chegou a R$ 18 e hoje está entre R$ 13,50 e R$ 15.

Na opinião do chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar Vicente Fin, a demanda foi tanta que acabou fazendo pressão nos ervais a tal ponto de ter sido extraída quase toda a erva das lavouras. A redução também ocorreu em função das condições climáticas desfavoráveis no ano de 2012, quando os ervais foram afetados pela geada e pela estiagem e forte calor que se prorrogaram até o início de 2013. “As áreas de solo mais raso produziram menos e isto também ajudou a diminuir a oferta”, acentua. A demanda do mercado naquele momento, segundo Fin, fez a pressão sobre as áreas existentes, reduzindo ao mínimo possível, ocasionado esta busca desenfreada.

Agricultor recupera produção dos ervais

Como nos últimos anos o produtor estava desanimado com o preço que recebia pela arroba – em março de 2012 estava em R$ 3,50, passou a não mais investir em tratos culturais, praticamente abandonando a lavoura. Com isso, observa Fin, os ervais passaram a produzir menos, o que também influenciou para que reduzisse a oferta e, quando o preço melhorou, aumentou a demanda. “Hoje, mesmo que a procura não seja tão crescente, o produtor voltou a investir”. Os investimentos nas lavouras proporcionaram um aumento de produção e de oferta em torno de 30%. “Porém, o mercado estabilizou, o produtor devolveu a estabilidade e por isso, o preço caiu a R$ 13,50 no Polo Ervateiro dos Vales e entre R$ 15 e R$ 18 nos outros polos do Estado.”

Hoje, o preço está dentro da realidade daquele que era praticado no ano de 1993. Está como se fosse um preço em equilíbrio

Vicente FinChefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar

Confira a reportagem completa no flip ou edição impressa de 31/07/2014.