A comitiva formada pelas entidades que integram a cadeia produtiva do tabaco e os prefeitos que representam a Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) foram recebidos, nesta quinta-feira, pela segunda vez, pela chefe da delegação brasileira na Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP 8), a embaixadora Maria Nazareth Farani Azevêdo, em Genebra.

Foto: Divulgação / Foto cedida para a Folha do MateSegunda reunião com a delegação brasileira ocorreu nesta quinta-feira
Segunda reunião com a delegação brasileira ocorreu nesta quinta-feira

No encontro, a Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq) reforçou o papel dos prefeitos dos municípios produtores de tabaco no processo de aceleração da diversificação. Os correspondentes da imprensa brasileira não puderam participar da reunião, na sede da Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas, mas segundo o secretário-executivo da entidade, Dalvi Soares de Freitas, no encontro ficou claro que a Comissão segue de portas abertas para a Amprotabaco e quer participação ativa dos gestores locais. “Voltaremos para o Brasil com dever de casa para fazer e muitas propostas para tirar do papel.”A ideia da entidade é organizar um calendário de atividades que incluirá a formatação de documentos, realização de assembleias e até reuniões com cidades produtoras de tabaco de países vizinhos do Brasil. A proposta vai ao encontro da ideia de tornar a Associação internacional e, com isso, garantir participação na COP 9 em 2020, já que este seria o quesito para participar como observadora da Conferência.Segundo prefeito de Venâncio Aires e tesoureiro da Amprotabaco, Giovane Wickert, a Conicq está ciente desta pretensão da entidade, inclusive teria se mostrado favorável durante a reunião. “Daqui para frente temos que reunir entidades, avaliar a COP e traçar um novo caminho. Queremos daqui para frente criar pautas, hoje estamos sendo pautados. Temos que mudar o foco e fazer o dever de casa.”Para o vice-presidente da Amprotabaco, Rudinei Harter (prefeito de São Lourenço do Sul), a delegação do país quer a ajuda dos prefeitos para construir e melhorar as propostas que estão sendo debatidas, inclusive, acena-se para a participação da entidade na próxima COP. “Conseguiram compreender que são os municípios que precisam executar a diversificação e que não podemos ficar de fora desta discussão.”

CIDE DO TABACODurante o encontro a Conicq foi questionada sobre o texto do projeto que tramita na Câmara dos Deputados buscando criar a Cide do Tabaco e, segundo o prefeito de Venâncio Aires, a comissão admitiu que, pela redação atual a diversificação não é contemplada e que esse item pode ser revisado com apoio político dos gestores. Pelo texto, os recursos arrecadados com o novo imposto, pago pela indústria, seria aplicado no tratamento de doenças relacionadas ao tabagismo.

SENSIBILIDADEA defesa dos trabalhadores da indústria do tabaco também esteve representada na reunião realizada com a embaixadora do Brasil Maria Nazareth Farani Azevêdo, em Genebra. Segundo o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo (Fentifumo), Gualter Baptista, a diplomata foi sensível e reconheceu a importância dos empregos. “Ela citou que se solidariza com essa situação e que o Brasil tem preocupação com os  40 mil trabalhadores que representamos. Ela disse que o país não quer engrossar a fila de desempregados.” Fentifumo é a entidade sindical que integra o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo, Alimentação e Afins de Venâncio Aires.

NOVO ENCONTRO – Nesta sexta-feira está previsto o terceiro e último encontro entre a delegação oficial do Brasil na COP 8 e a comitiva da região Sul do Brasil que está na Suíça. 

 

Foto: Letícia Wacholz / Folha do MateComitiva se reuniu na noite desta quinta-feira para compartilhar informacoes sobre o encontro com a delegação brasileira na sede da Missão Permanente
Comitiva se reuniu na noite desta quinta-feira para falar sobre o encontro com a delegação brasileira na sede da Missão Permanente

Brasil vai coordenar as Américas na MOP

No encontro realizado nesta quinta-feira, 4, na sede da Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas, uma das perguntas da cadeia produtiva do tabaco foi relacionada ao contrabando de cigarros e a posição do Brasil na MOP 1, que é a reunião das partes que ratificaram o protocolo de combate ao mercado ilícito de tabaco.A delegação brasileira adiantou que o país será coordenador da região das Américas tanto nesta reunião, que ocorre de 8 a 10, na próxima semana, como também da MOP 2, em 2020. “Esta mobilização é importante. Para o tratado ser efetivo, quanto mais países participarem, melhor”, avaliou Carlos Galant, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo). Cinco países integram a região das Américas, além do Brasil: Nicarágua, Costa Rica, Uruguai, Panamá e Equador.

48%é o percentual de cigarros consumidos no país provenientes do contrabando, segundo pesquisa citada pelo presidente do SindiTabaco, Iro Schünke.