Vítima apresentou na DPPA o cartão do contato da empresa (Foto: Alvaro Pegoraro/FM)

O dinheiro de 18 anos de trabalho, recebido após a demissão da empresa, ‘sumiu’ em pouco tempo. A dona dele não gastou, pelo contrário, investiu tudo, com a promessa de receber juros muito acima da caderneta de poupança. Em quatro meses, os R$ 45 mil se transformaram em R$ 62 mil. Porém, o valor ficará registrado apenas na memória e no extrato da empresa onde ela investiu o dinheiro, a InDeal, que desde terça-feira, 21, teve as operações financeiras encerradas no Brasil.
A vítima, de 38 anos, foi a primeira moradora de Venâncio Aires a denunciar o caso na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). Ontem pela manhã, acompanhada pelo marido, entregou documentos, revelando como e com quem efetivou o investimento. “Como foi registrado em cartório, imaginamos que se tratava de algo sério”, argumentou o homem. “Mas a autenticação em cartório apenas confirma que aquela assinatura realmente é da sua esposa”, explicou a ele o delegado Vinícius Lourenço de Assunção.
Para o titular da DPPA, a captação de recursos financeiros, sem autorização do Banco Central, por si só já se traduz em um crime. “Todavia, ao que tudo indica, há indícios de outros crimes que vão muito além da captação ilegal, eis que a empresa não aplicava os recursos de seus clientes da forma prometida”, avalia.

MERCADOS DIGITAIS
Segundo o marido da vítima, eles souberam do investimento através de um amigo. Como acreditaram se tratar de negócio rentável, entraram em contato com uma mulher, que se apresentou como consultora em mercados digitais, e encaminharam a transação. Inclusive, apresentaram o cartão de apresentação dela, com nome e outras informações. “É claro que isso é mais uma pirâmide, mas as pessoas ficam cegas com a possibilidade de ganhar dinheiro fácil”, observou o delegado.
O contrato foi assinado no mês de janeiro e autenticado em cartório. A mulher investiu R$ 45 mil e a promessa, no primeiro mês, era de um rendimento de 15%. O extrato mostrou que os juros foram de R$ 6.750, aumentando o capital para R$ 51.750. No mês seguinte, a promessa era de 9% de rendimentos. Ontem, enquanto fazia o registro na DPPA, ela entregou extratos, mostrando que o seu capital era de R$ 62.873,68.
Indagado pelo delegado Vinícius, o casal disse que a promessa de receber juros muito acima dos oferecidos normalmente, foi que o motivou a investir. A vítima explicou que procurou a DPPA depois de saber da operação da Polícia Federal (PF), na terça-feira. Ela entrou em contato com a mulher com quem negociou, para retirar o seu dinheiro, mas foi informada que teria que aguardar o desenrolar da situação. Ela não conseguiu reaver nenhum centavo. Todo o dinheiro apreendido na operação da PF – e que deflagrada em todo o Brasil -, está bloqueado.

823 CIDADES
Oficialmente, a empresa InDeal, com sede em Novo Hamburgo e composta por cinco sócios, captou mais de R$ 1 bilhão de investidores em pouco mais de um ano, em 823 cidades do Brasil. No Rio Grande do Sul foram 288 municípios. Em um ano, segundo declarações de delegados da PF, R$ 300 milhões sumiram das contas que seriam do dinheiro dos investidores.
Durante as investigações, foi descoberto que os sócios adquiriram imóveis, veículos e joias, com valores muito acima da condição social que possuíam. Por um apartamento em Florianópolis, por exemplo, pagaram R$ 6,5 milhões. Foram apreendidos 36 veículos de luxo, com valores de compra que variam entre R$ 100 e R$ 500 mil. Além dos cinco sócios, outras cinco pessoas foram presas.
Para os delgados da PF, a descoberta destas transações financeiras não autorizadas pelo Banco Central, é apenas a ponta de um iceberg. O delegado Vinícius tem informações sobre outras pessoas que atuariam no mesmo ramo, no município, e aguardo os registros na DPPA.

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