O presídio de Vila Estância Nova começa a se tornar realidade. Ontem, homens e máquinas iniciaram  os serviços de terraplenagem em uma área lateral à Colônia penal Agrícola de Venâncio Aires (Cpava). A obra tem prazo de 240 dias para ficar pronta e uma alteração no projeto: o albergue intramuros foi retirado, permanecendo apenas os quatro pavilhões do regime fechado.

O contrato com a empresa Verdi Sistemas e Construções SA, de Porto Alegre, foi assinado dia 29 de março. A obra tem um custo estimado de R$ 21 milhões para os cofres do Estado. A ordem de serviço foi assinada na sexta-feira, 4, e ontem a obra já estava em andamento. O prédio será erguido às margens da estrada que liga a RSC-287 à Linha Rincão de Souza.

Segundo o engenheiro Alexsander Herbert Schlindwein, responsável pelo projeto, a obra terá 6.408 metros quadrados de área construída. Serão quatro alojamentos com capacidade para abrigar até 538 pessoas. O entorno da casa penal não será de muros, conforme anunciado anteriormente. “Serão duas cercas que proporcionam mais segurança, sendo uma de três metros e outra de seis metros de altura, ambas com concertinas”, revelou. Trata-se de um material de aço cortante, usado na base superior das cercas.

O projeto também prevê a construção de quatro torres de segurança. Elas ficarão entre as duas cercas, nos quatro cantos do presídio.

A novidade é a retirada do pavilhão que seria destinado aos presos de regime semiaberto e aberto. Desta forma, assim que o presídio estiver pronto, até o dia 8 de dezembro, será ocupado apenas por presos do regime fechado.

Até lá, os dois alojamentos e o anexo da Cpava deverão estar vazios. Desde que foi determinada a interdição total, não é mais permitido o ingresso de novos presos na casa penal. Ontem, o efetivo carcerário era de 120 presos.A alteração foi bem aceita pelo diretor da Cpava. Roque Valmor dos Santos visitou a obra ontem à tarde e mencionou que a retirada do albergue do projeto pode favorecer ainda mais a comunidade de Vila Estância Nova. “Mas ainda é cedo para dizermos que não haverá mais um albergue na localidade”, observou.

O fim das atividades do semiaberto é uma reivindicação antiga da comunidade. Por causa das precárias condições dos prédios e da falta de uma segurança adequada, seguidamente apenados são vistos andando pelos arredores da Cpava e não raros, envolvidos em crimes. Prova disso são as seis mortes registradas desde o ano passado. Três delas em confronto com a Brigada Militar, duas em uma troca de tiros dentro do anexo, e uma execução, também dentro da casa penal.

Agora, a luta é pelas reivindicações apresentadas pelo prefeito Airton Artus ao governo do Estado. As principais são a criação de uma Vara de Execuções Criminais no Município e a regionalização do presídio.