Um assunto que pautou o setor ervateiro há três anos, volta novamente à tona, ou seja, o preço que o produtor recebe pela arroba do produto in natura, e o preço pago pelo quilo pelo consumidor. O assunto foi levantado nos últimos dias pelo diretor executivo do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate), Roberto Magnos Ferron.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MatePreço ideal para a erva-mate é discutido, frequentemente, pelo setor
Preço ideal para a erva-mate é discutido, frequentemente, pelo setor

“Temos recebido muitas indagações sobre o preço da erva-mate. Precisamos analisar e considerar os dois lados da moeda. Na ponta final, temos o consumidor que quer o menor preço possível. De outro lado, no início da cadeia produtiva está o produtor que, se não for remunerado, não se mantém na atividade”, alerta Ferron. Ele acrescenta que diante desta situação, se vê produtores novamente arrancando seus ervais. Isto ocorre pois hoje o produtor recebe por 15 quilos de folha verde, o valor de R$ 10 em média, o que equivale ao valor de um quilo de erva-mate. As ervateiras vendem ao mercado um quilo de erva-mate ao valor médio de R$ 5 a R$ 7. Por sua vez, os comerciantes colocam de 50% a 100% de acréscimo em cima do preço de venda das ervateiras, devido aos custos de impostos, entre outros.

Infelizmente, acentua Ferron, a erva-mate é um produto desvalorizado. “Quanto vale uma garrafa de cerveja, um sorvete de uma determinada marca, uma carteira de cigarro, um quilo de queijo, um quilo de torresmo? Qual a bebida natural que você toma por R$ 0,50 litro? Pois, com um quilo de erva-mate, se faz dez cuias de chimarrão e se toma 20 litros de água. E ainda mais, uma bebida natural e benéfica à saúde”, compara. Aqueles que acham a erva-mate muito cara, Ferron recomenda pensar no que foi exposto. “Caso contrário, os produtores de erva-mate desaparecerão, pois produzirão produtos que lhes tragam remuneração e lucro!”

ProdutorA situação vivida pelos produtores é confirmada por Walter Andreolli, que produz nove hectares de erva-mate em Palanque. Ele frisa que recebe R$ 9 pela arroba quando ele mesmo leva o produto até a ervateira e afirma que não lhe sobram mais do que R$ 6, porém com o desconto dos impostos, o valor líquido soma R$ 5,75. Ele defende que o preço justo que o produtor deveria receber é R$ 15 a arroba. Andreolli observa que em função do preço pago atualmente, já têm produtores erradicando seus ervais e investindo em outras culturas, como o milho safra e soja safrinha. Ele confirma que por enquanto não vai erradicar os seus ervais, mas não sabe garantir por quanto tempo. Para obter um lucro maior, Andreolli consorcia a erva-mate com outras culturas como milho e aipim.

Consumidor“O chimarrão é a bebida da amizade e da hospitalidade. é com ele que recebemos as visitas e ainda, é a nossa bebida símbolo”, afirma Louvane Kist, proprietária do salão de beleza,

Foto: Edemar Etges / Folha do Mate
“Com o preço do jeito como está, a saída é reduzir o tamanho da cuia, mas jamais deixar de tomar chimarrão”

ao falar sobre a importância do chimarrão. Ela é uma das consumidoras que defende que o quilo da erva-mate deve ser de R$ 10 o quilo ou até menos. Louvane afirma que até há algum tempo, consumia ervas de fora de Venâncio Aires. Porém, como estas são mais caras, começo a consumir as marcas locais, que são mais em conta.

IndústriasGilberto Heck, presidente do Sindicato das Indústrias do Mate do Rio Grande do Sul (Sindimate/RS) e empresário, observa que quem realmente determina o preço de venda da erva-mate é o próprio consumidor pois, ao deixar de consumir uma determinada marca e a troca por outra mais barata, é porque a qualidade deste produto não está satisfazendo. Com isso, acentua Heck, força esta indústria a rebaixar os preços de venda e, consequentemente, o preço de compra da matéria-prima. “Vejo com muita preocupação o futuro próximo, pois se plantou muita erva-mate de 2012 a 2015 e este produto começa a entrar no mercado aumentando a oferta e derrubando os preços”, pontua.

SupermercadosOs proprietários e os gerentes de alguns supermercados, confirmaram que o preço final repassado ao consumidor varia conforme a origem das marcas, como é o caso das vindas de outros municípios. Eles não falaram sobre o qual o índice incidente sobre o preço final e, alguns não se manifestaram a respeito, alegando ser uma política interna dos seus estabelecimentos.