Pelas paredes e estantes de uma pequena e aconchegante sala, os materiais recicláveis foram transformados em porta-objetos, bolsas, quadros, maletas, vasos, flores de plástico, casa de passarinho, robôs de brinquedo, entre outras coisas que antes eram simplesmente tampas, caixas, papelão, latas, garrafas e restos de tecido. Desenvolvido pela Prefeitura há seis anos, em parceria com as Secretarias de Desenvolvimento Social e de Cultura, Esportes e Turismo, o projeto Kizomba tem apresentado resultados expressivos em termos de conhecimento e criatividade de crianças e adolescentes com idade entre 8 a 15 anos.

Com atividades recreativas, educativas, culturais e artísticas no turno oposto à escola, os jovens têm a oportunidade de aprender através de oficinas de artesanato, artes plásticas, violão, percussão e teatro. às segundas e terças-feiras, quatro turmas participam das aulas sob o comando da professora de artes, Voni Eidt, numa sala anexa à secretaria de Desenvolvimento Social, na Rua Visconde do Rio Branco, centro de Venâncio.

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Os alunos do projeto são oriundos de várias escolas do município e algumas fazem parte do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). é o caso do jovem Jonas Lenz. Uma vez por semana, ele e os irmãos Josi e Jeferson, se deslocam de ônibus da localidade de Linha Cachoeira Alta, na região serrana do município. Jonas participa do projeto que transforma material reciclável em arte desde o início e, segundo a professora, é um exemplo para as outras crianças no sentido de aprender e ser criativo. “A arte faz a gente pensar e a ver as coisas de uma forma diferente”, destacou o menino de apenas 15 anos. “O Jonas tem uma caminhada de seis anos. Ele acrescenta muito ao projeto e serve de motivação às outras crianças”, elogia Voni.

A professora aposentada conta com o auxílio da universitária Larissa Líbio. A estudante de psicologia diz que o trabalho e o prazer de atender às crianças vão além das aulas, porque os pequenos têm outro olhar em relação ao descarte do lixo. Os objetos que são normalmente jogados no lixo ganham formas coloridas através da habilidade e criatividade. Para que os materiais virem pequenas obras de arte é usado tinta acrílica à base d’água, especial para artesanato.

André do Couto, aluno da Escola Jubal Junqueira, de Vila Deodoro, participa do projeto há cerca de meio ano. Concentrado totalmente no trabalho de artesanato envelhecido, disse que iria dar de presente o porta-objetos que preparou na aula para a sua mãe Eliane.

AUTORRETRATO

Em meio aos trabalhos produzidos pelas crianças, um pequeno espaço é dedicado ao canto da leitura. São biografias dos grandes mestres da arte que os alunos podem levar para casa e devolvê-los após um período. Em outro ponto da sala, as crianças ficam informadas sobre os eventos de arte que acontecem em nível de país. Um quadro traz notícias atualizadas sobre arte como a Bienal, que acontece em São Paulo de 6 de setembro a 7 de dezembro.

Uma exposição no saguão de entrada da secretaria de Habitação e Desenvolvimento Social presta homenagem aos 60 anos de falecimento da artista e pintora mexicana Frida Khalo, considerada uma revolucionária. Militante comunista e agitadora cultural, Frida usou tintas fortes para estampar em suas telas, na maioria autorretratos. E com foco nesses autorretratos a turminha mostrou sua criatividade na exposição, que traz as réplicas das pinturas de Frida Khalo com os rostos dos alunos. O trabalho está colocado e pendurado em caixotes de madeira. “Essa simples exposição traz a questão da criatividade, o que faz melhorar a autoestima de cada um”, avalia Voni.

P.S. Os materiais usados para as aulas de artes são custeados pela Prefeitura, por empresas e por pessoas que contribuem com a reciclagem de tampas, caixas e outros materiais. Quem quiser cooperar com o projeto pode ligar para o telefone 3983-1143.