Linha e agulha são companheiras diárias da moradora da avenida Ruperti Filho, que faz guardanapos em crochê (Foto: Cassiane Rodrigues/Folha do Mate)

Foi no ano de 1972 que Wallita Dattein, 88 anos, se mudou com o marido e as filhas para uma casa na avenida Ruperti Filho. Na época, a maioria nas residências era de madeira e ainda existiam muitas plantações de milho e outras culturas nos arredores.

Hoje, condomínios residenciais e casas de alvenaria são maioria na rua. Wallita segue residindo na mesma casa, que passou por melhorias com o passar dos anos. Ela lembra que antigamente passava uma sanga nos fundos do terreno e o esgoto pela rua de estrada de chão em frente à casa. “Hoje está tudo muito diferente, mas sempre adorei morar aqui”, ressalta.

Logo que se mudaram, não tinham banheiro e as necessidades fisiológicas eram feitas numa patente nos fundos de casa. Para o banho, o chuveiro era de lata, sendo necessário bombear a água para abastecer a casa. Com o tempo, foi possível construir um banheiro e fazer melhorias na residência, de acordo com o desenvolvimento do local. “Onde hoje é o Imec tinha uma fumageira, não tinha comércio para esses lados antigamente”, conta.

Wallita veio para a cidade junto com o marido, Pedro Dattein, já falecido, e as filhas Lurdes, hoje com 66 anos; Liane, 64; Sara, 62; e Solange, 59. No interior, a família tinha um minimercado, chamado de ‘bodega’, na época, com espaço para o jogo de bolão. Além disso, a casa onde a família residia também servia como pensão.

“Levantava muito cedo para tirar leite das vacas e fazer o fogo no fogão à lenha para dar café para as meninas que paravam lá”, recorda. Ela lembra que por um período chegou a abrigar 12 professoras que lecionavam nas escolas da região.

TRABALHO
Quando tinha 15 anos foi morar em Vila Deodoro e, aos 19, se casou com o marido, com quem trabalhava numa sapataria. “A sapataria era do pai dele, eu ajudava fazendo tamancos, que eram muito usados na época”.

A profissão de Wallita sempre foi do lar, mas este cargo exigiu muito trabalho braçal. Quando morava no interior, lembra de carregar muitos litros de água para casa, pois não tinha abastecimento. “Já trabalhei muito, desde criança até adulta”, recorda.

Quando foi morar na cidade, levantava cedo para fazer cuca e pão para vender. O trabalho também era aliado ao prazer, já que ela sempre gostou muito de cozinhar. No interior, sempre tinha pessoas da cidade que almoçavam semanalmente em sua casa.

Ela conta que um médico alemão atendia na unidade de saúde da localidade uma vez por semana e fazia as refeições na sua casa. “Eu ficava pensando: o que será que alemão gosta de comer? Fazia uma comida caseira e ele sempre dizia ‘Das ist ein gutes Essen’ (Isso é uma boa comida)”. Wallita aprendeu a falar alemão com o marido, depois de casada.

O trabalho era grande também depois da mudança para a cidade, o pátio tinha muitas árvores, o que demandava muitas atividades. “Sempre fui eu que cortei a grama e cuidei das folhagens”, conta. Os serviços da casa eram feitos por ela até pouco tempo. Foi preciso tomar mais cuidado e ficar mais quieta após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) há dois anos.

ARTES MANUAIS
1 Natural de Lajeado, Wallita e três irmãos foram criados por uma tia paterna após a morte da mãe, quando ela tinha 6 anos.
2 Por um tempo moraram em um hotel que era da tia. Foi onde com 8 anos aprendeu a costurar e fazer tricô.
3 Uma vizinha ensinou e Wallita e a irmã costuravam sempre que podiam. “Enquanto os tios dormiam, a gente batia máquina”, recorda.
4 O aprendizado proporcionou que ela fizesse os vestidos para as filhas mais tarde. Já fez muitos tapetes e mantas em crochê.
5 Hoje, a produção em crochê é mais de guardanapos.

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