Caqui como opção de rentabilidade e diversificação

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Talvez o maior segredo da família Coutinho, de Linha Herval, é plantar um pouco de cada cultura e apostar fortemente na diversificação. Raul de Azeredo Coutinho e Janaina Stein, ambos de 44 anos, se dedicam ao cultivo de frutas e hortaliças para a comercialização dos produtos em feiras ambulantes.

Desde 1998, Raul atua como vendedor ambulante. “Eu logo percebi que a gente precisava incrementar com frutas, além das verduras.” Além de bergamota, laranja e abacate, o caqui foi acrescentado na lista dos produtos comercializados.

Hoje a produção de caqui já é muito maior, se comparada com a do início. São cerca de 30 árvores espalhadas na propriedade, maioria da variedade fuyu, o famoso caqui chocolate branco. A venda já iniciou há duas semanas e a expectativa é de que deva durar até início de abril, mas claro, se os predadores deixarem. Um dos grandes problemas na produção de frutas, segundo o casal, é a presença dos pássaros. “Eles comem tudo, não sobra nada. Já utilizamos diversas técnicas para espantar eles como uso de CD, espantalho e, agora, a alternativa mais eficaz para proteger os frutos é utilizar o sombrite”, explica Janaina.

Sombrite caqui
A família Coutinho teve que adaptar técnicas para conseguir manter os frutos longe dos predadores. A medida mais eficaz foi o uso do sombrite (Foto: Roni Müller/Folha do Mate)

A expectativa é de colher cerca de 250 quilos de caqui nesta safra. Raul recorda que, no ano passado, a safra foi menor. “Para fruta é assim: cada ano é um ano. Nesta safra é produção total, talvez ano que vem não dê nem a metade de novo.”

Os cuidados com os pés de caqui são relativamente simples. A família conta que utiliza a calda bordalesa na época da floração, que é um fungicida agrícola tradicional que possui comprovada eficiência sobre diversas doenças fúngicas, principalmente infecções. “A gente tenta manter limpo e faz as podas, que são muito importantes”, comenta Janaina. Com o aumento pela procura da fruta, a família planeja plantar mais alguns pés de caqui chocolate preto. “A gente já percebeu uma procura, então é um nicho que iremos apostar.”

Conforme o escritório municipal da Emater/RS – Ascar, em Venâncio Aires são cerca de 14 hectares de caqui em pomares domésticos, onde são produzidas as duas variedades: branco e preto. “São inúmeros produtores que têm o caqui como fonte comercial. Desses 14 hectares, a gente tem uma média de até cinco árvores por família”, reforça o chefe do escritório local, Vicente Fin.

Nicho de mercado

Para Fin, o caqui é um nicho de mercado que pode ser explorado. “Mas a gente sempre precisa reforçar que não temos muito espaço para comercialização, não tem como um produtor daqui competir e colocar o produto na Ceasa, é praticamente inviável. Então a produção precisa girar aqui. Diria que o caqui é uma ótima opção de agregar renda a outras atividades do produtor”, destaca o engenheiro agrônomo.

Fin salienta que em Venâncio Aires, o caqui é uma opção de diversificação. “Muitas famílias implementaram o caqui pois é uma fruta que dá em uma época que tem pouca fruta. O citros ainda não começou e a uva já acabou. Então entra na história de segurança e soberania alimentar. A maioria planta para o consumo da família e, se sobra, comercializa para os vizinhos e amigos.”

14 hectares é a quantidade de área que o caqui ocupa no município. A área é relativa a pomares domésticos.

O caqui é um nicho de mercado. Não adianta a gente competir com grandes regiões produtoras. Se você plantar demais aqui, você não vende. A gente procura diversificar, planta de tudo um pouco”

RAUL COUTINHO
Agricultor e feirante ambulante

Diversidade

O agricultor reforça que o segredo é atender nichos de mercado e produzir aquilo que se consegue comercializar de forma direta. “Não adianta eu expandir demais e plantar um monte de caqui. Eu prefiro intercalar com outras frutas. Por exemplo, agora eu já tenho bergamota para vender, depois já tem laranja e assim vai, nunca se tem demais e tem fruta o ano todo”, cita Raul Coutinho.

Na propriedade, além das estufas com hortaliças e temperos, a família cultiva 700 pés de frutíferas, das mais diversas variedades, como abacate, amora, bergamota, laranja, goiaba, caqui, entre outros.

Coutinho relembra que, quando iniciou como vendedor ambulante, ele comercializava apenas aipim. “Logo senti a necessidade de incrementar produtos e transformamos nossa propriedade nisso. Temos de tudo um pouco.”

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