Casal de Linha Herval investe em folhosas hidropônicas

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Um dos segmentos mais afetados com a estiagem e que causa reflexos para produtores e consumidores de forma quase que direta é o das hortaliças. No último laudo técnico de prejuízos decorrentes de estiagem da Emater, divulgado na quinta-feira, 2, as olerícolas apresentaram uma perda de 50%. Dos 85 hectares plantados em Venâncio Aires, 45 apresentaram perdas. Os prejuízos financeiros são de R$ 843.750, mais de 675 mil quilos.

Os prejuízos são em diversos produtos e afetaram os produtores de forma geral. É o que explica a vice-presidente da Cooperativa dos Produtores de Venâncio Aires (Cooprova), Mônica Moraes. “Em fevereiro, época do pico de plantação para nossos produtores, não tivemos chuva. Com isso, hoje temos menos variedade de produtos, alguns inclusive, já estão em falta”, enfatiza.

HIDROPONIA

Em Linha Herval, a família Brandão contabiliza inúmeros prejuízos com a falta de chuva. “Perdemos 11 mil pés de batata-doce. Olha, é triste”, lamenta Claudimar Brandão, 44 anos. Ele e a esposa Jocelita Brandão, 32 anos, são associados à Cooprova há seis anos. “A gente largou o tabaco e investiu nas hortaliças, mas a gente plantava elas no chão. Não chovia, a gente perdia tudo” comenta Jocelita.

Brandão reforça que na propriedade a escassez de água é grande, por isso, decidiram inovar. “A gente gosta de trabalhar com esse ramo, mas precisávamos mudar.” Foi então que após muitas leituras e pesquisas, o casal decidiu construir estufas hidropônicas.

Em janeiro, finalizaram a obra, e desde então, comemoram a qualidade dos produtos. São dez variedades de folhosas e quatro variedades de alface. “Aqui a gente é pedreiro, engenheiro, arquiteto, eletricista e agricultor”, brinca, Jocelita ao contar que a estufa foi construída sem auxílio de terceiros.


“Eu amo isso aqui, eu gosto mais de mexer nas verduras do que estar dentro de casa. Isso aqui é vida. É gratificante.”

JOCELITA BRANDÃO – Agricultora e associada da Cooprova


Atualmente, o casal planta e comercializa as hortaliças nos programas da Cooprova. Mas a meta é ampliar. Ao lado da estufa já montada, os materiais para as próximas duas já aguardam. “Nós já participávamos das feiras da Cooprova, por isso, precisamos ter quantidade para expor e vender.”

Com o sucesso e qualidade dos produtos, hoje nem é preciso sair de casa. Jocelita conta que várias pessoas vão até a propriedade e adquirem as hortaliças. No futuro, a família não descarta a possibilidade de abrir a propriedade para um colhe e pague.


Dos 85 hectares de olerícolas plantados em Venâncio Aires, 45 apresentaram perdas. Os prejuízos financeiros são de R$ 843.750, mais de 675 mil quilos.


SAIBA MAIS

• A hidroponia é uma técnica de cultivo de vegetais, sem o uso de solo ou de substrato, substituídos por uma solução, onde estão presentes todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas – neste caso, as hortaliças.

• Com a horta suspensa, evita-se as capinas e consegue-se ter um controle maior na planta. A tecnologia é utilizada em maior escala na produção de alface, tomate, pimentão, pepino, morango, melão, plantas ornamentais, medicinais e aromáticas.

• Mas na propriedade da família Brandão, de Linha Herval, a técnica vem sendo utilizada para temperos, brócolis e beterraba. Em Venâncio Aires, apenas cinco famílias trabalham com esse sistema de acordo com informações da Emater.

Na propriedade da família Brandão encontra-se o sistema hidropônico em duas formas, fora de estufas e dentro delas (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Cooprova já sente falta de produtos

A vice-presidente da Cooprova, Mônica Moraes, destaca que desde dezembro a cooperativa enfrenta problemas com perdas decorrentes da estiagem. “A gente tinha um ‘rescaldo’ da safra passada, mas desde dezembro percebemos que alguns produtos estão começando a aparecer menos nas feiras, muitas coisas estão faltando. Outras são afetadas na quantidade.”

Em conversa com alguns produtores que participam do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a Cooprova verificou que alguns itens estariam em falta, como é o caso do leite e folhosas. “A gente entregava 800 litros de leite por semana. Com a falta de pasto e quebra na produção de silagem não temos mais como entregar esse leite. Repolho e couve-flor também não conseguimos plantar”, frisa.

Outro item bastante afetado é o feijão, com a quebra na safra o produto está escasso nas feiras. “As consequências só não estão maiores porque as escolas estão fechadas, com isso, estamos mantendo as feiras e vamos ter um tempo para se reerguer.” O número de famílias associadas à Cooprova é 230.

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