Cultivo das olerícolas é retomado em Venâncio Aires com a chegada da chuva

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“Chegou na hora certa. A gente já estava ansioso aguardando a chuva”, observa a produtora de olerícolas Márcia Baierle, 42 anos, de Linha Hansel. Com o retorno da chuva na última semana, a família decidiu ‘correr’ para a horta e plantar mais de 2 mil mudas de hortaliças, entre elas, alface, repolho, brócolis, cebola, salsa e morangos.

Há oito anos, Márcia decidiu apostar em um novo negócio na propriedade. Até então ela e o marido Luciano Baierle, 45 anos, cultivavam somente o tabaco. “Eu fui em busca de uma atividade que eu fosse gostar, que me agradasse. Fiz artesanato, várias especializações e me descobri em um curso em Teutônia sobre o cultivo de morangos. Voltei de lá decidida”, comenta.

Após a safra do morango alfaces são cultivadas no sistema de bancada slabs (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)
Após a safra do morango alfaces são cultivadas no sistema de bancada slabs (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Hoje, Luciano segue com o cultivo de 50 mil pés de tabaco e Márcia se dedica as hortaliças, afinal são mais de 4 mil mudas que em alguns meses serão comercializadas para a Cooperativa dos Produtores de Venâncio Aires (Cooprova).

Com uma horta repleta de cor, vida e amor, Márcia exibe com orgulho os 900 pés de morangos, destes 500 vindos da Espanha. “São oito anos na lida do morango. A gente erra, acerta e aprende. Hoje é o terceiro ano que planto parte dos morangos na bancada slabs e tem dado certo.” Quando a safra do morango acaba, ela aproveita a irrigação e o substrato dos slabs para plantar alface. Além dos morangos em bancadas, Márcia cultiva canteiros no chão, ao lado de outras hortaliças. “Esse ano a estiagem afetou muito a produção das hortaliças. Plantei algumas coisas antes, mas tinha o compromisso de regar tudo, todos os dias. E sem contar que com a pandemia muita coisa atrasou. Os morangos da Espanha por exemplo chegaram no fim de março, uma outra variedade ainda está por chegar”, analisa.

Márcia de Linha Hansel investiu no cultivo de morangos com mudas vindas da Espanha (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)
(Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Desde março a roça da família Baierle estava pronta. “Eu até arrisquei e plantei algumas coisas. Mas o principal tive que plantar agora com o retorno da chuva. Ela veio no tempo certo.” Isso porque Márcia comercializa os produtos para a Cooprova e em programas como Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). “Hoje a feira eu não venço a fazer, mas além de vender os produtos para a cooperativa que vende eles nas feiras eu vendo alguma coisa para o consumidor direto. Vou de porta em porta na comunidade.”

Vários espaços da propriedade foram preparados para receberem as hortaliças após a chuva (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Os cuidados de Márcia são diários, agora o regador vai descansar um pouco e dará lugar para a enxada que fará a capina. “É bem trabalhoso cuidar disso tudo, principalmente dos canteiros no chão. Mas é algo que me realiza e me encanta. É muito bonito e prazeroso, sem contar na qualidade da alimentação das pessoas.”

“A estiagem atrasou o plantio das olerícolas. Mas para os programas que a gente atende através da Cooperativa ainda está em tempo. Agora é torcer para uma regularidade de chuva.”

MÁRCIA BAIERLE – Produtora de hortaliças

Novas mudas na terra

A extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Djeimi Janisch, conta que após a chuva basta percorrer o interior e observar que onde tem uma horta é uma nova muda na terra. “Foi uma retomada geral, tanto em nível comercial, pensando nos produtores da Cooprova como para subsistência”, reforça.

Vários espaços da propriedade foram preparados para receberem as hortaliças após a chuva (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)
(Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Em Venâncio Aires são contabilizados pela Emater 88 hectares de olerícolas, abrangendo hortas comerciais e de subsistência, a maior parte dos produtores possuem as hortas em paralelo com outras culturas.

Djeimi reforça os cuidados com a horta. “Não é fácil cultivar uma horta. É dedicação e também algo cultural.” Hoje, observa-se que muitas famílias já comercializam seus produtos de porta em porta e em vizinhos, outros já iniciam um sistema de colhe e pague. “ A gente precisa incentivar a venda direto da propriedade. Assim, o cliente sabe o que está comprando, garante produtos frescos e a economia fica rodando no município.”

Conforme a extensionista rural, a época para o cultivo das hortas é favorável pois as chuvas começam a ser regulares e o sol não é mais tão quente. “É fundamental observar o manejo do solo. A Márcia por exemplo plantou crotalária no verão, uma adubação verde. Assim, garantiu uma melhoria no solo e uma adubação orgânica. Agora a terra que recebe as hortaliças e as mudas de morangos está mais forte e saudável”, frisa Djeimi.

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