Culturas registram perdas irreversíveis no município

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Um relatório de perdas fornecido pela Emater de Venâncio Aires vai ao encontro da situação climática que o estado e região estão passando. A falta de chuvas significativas nos últimos meses amarga prejuízos para produtores de soja, milho, feijão, hortaliças, gado de corte, entre tantas outras culturas presentes na Capital Nacional do Chimarrão.

De acordo com o chefe do escritório local da Emater, Vicente Fin, os problemas ocasionados pela estiagem tem causado mais de R$ 75 milhões em prejuízos em Venâncio. “Nós estamos monitorando a situação, acompanhando nossos produtores, mas registramos perdas irreversíveis. Não adianta chover, aquilo não se recupera mais”, frisa.

O relatório da Emater mostra que a soja apresenta, até o momento, 35,6% de perdas. O arroz registra perdas de 9,6%; o tabaco 17%; o milho safrinha 26,7% e o safra 36,5%. Mas uma das culturas mais afetadas são as hortaliças: dos 40 hectares plantados, 45,5% apresentaram perdas irreversíveis. Além disso, Fin comenta que 850 hectares de pastagens também foram perdidos, como 34,2% da silagem que também apresentou perda, com isso, todo um ciclo será afetado, afinal, o pasto para animais tende a ser de menor qualidade e escasso.

SOJA

Apesar de registrar perdas irreversíveis, a soja, uma das culturas que já está na fase final de maturação e até iniciando a colheita, é a grande expectativa para os produtores. Eles estão agora de olho no céu. Se chover nos próximos dias, a soja da área semeada mais tarde não vai sofrer tanto quanto a soja das lavouras precoces. Caso contrário, as perdas serão ainda maiores, comenta Fin.

Só que a notícia não é boa para o produtores Rio Grande do Sul. Segundo meteorologistas, não tem previsão de chuva para os próximos dias. Ela deve retornar apenas em abril, mas não em grandes quantidades.

A safra de soja no Rio Grande do Sul já tem perdas de 46,6% por conta da estiagem, de acordo com a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul.

OTIMISMO

Apesar disso, o produtor Carlos Bencke, de Linha Isabel, ainda carrega otimismo. O agricultor planta 415 hectares de soja divididos entre Venâncio Aires e Pantano Grande.

Em Venâncio, Bencke comenta que a colheita deve iniciar em abril. “Por plantar a soja em áreas de várzea, os prejuízos em Venâncio são menores, mas em Pantano já iniciamos a colheita, acionamos o Proagro, estamos aguardando o pessoal da Emater para fazer a avaliação.”

O produtor explica que por ser área de várzea, a expectativa era de uma colheita melhor da soja plantada. “A gente ainda espera que a chuva possa amenizar um pouco os prejuízos, mas muita coisa a gente não recupera mais.”

Comitê de gerenciamento da crise

Desde a última terça-feira, 17, a Prefeitura de Venâncio Aires implantou um Comitê de gerenciamento da crise causada pela estiagem. O grupo é formado por representantes das Secretarias de Meio Ambiente; Desenvolvimento Rural; Infraestrutura e Serviços Públicos além dos capatazes de todos os distritos; Vigilância Sanitária; Defesa Civil; Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Sindicato Rural; Corpo de Bombeiros; Emater e Corsan; e passa a avaliar o abastecimento e a qualidade da água, assim como organizar os pedidos de ajuda, principalmente do interior, que chegam diariamente ao Executivo.

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