Paulo Roberto Janisch instalou o sistema de irrigação a carretel na propriedade e o utiliza em várias culturas da propriedade (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Apesar de a chuva ter retornado a Venâncio Aires e região na semana passada, trazendo alívio para os agricultores, os reflexos da estiagem seguem sendo sentidos. Algumas culturas vão demorar para se recuperar. Mas, em algumas propriedades, antes mesmo de a chuva ser novamente notada, o verde chamava atenção.

Em Linha Travessa, na propriedade de Paulo Roberto Janisch, 31 anos, a pastagem verdinha não faltou para alimentar os mais de 40 animais que cria. O agricultor instalou, em 2016, um sistema de irrigação com carretel e, neste ano, mais do que nunca, fez o uso do sistema para o azevém, milho, silagem e hortaliças. “Aqui, com esse sistema, sempre teve fartura de alimento para o gado”, diz o produtor rural.

Janisch é produtor de leite. São 13 vacas na ordenha e, por dia, são produzidos aproximadamente 210 litros. Por isso, o produtor optou por instalar, neste ano, mais um sistema de irrigação. Porém, ao contrário do carretel, esse é fixo: é a irrigação por aspersão, que imita a chuva. “Agora vou ter quase cinco hectares irrigados. É um investimento, é caro, mas é algo que tu tem certeza. Graças a Deus meus bichos sempre têm o pasto verdinho para comer”, destaca.

Veja fotos do sistema de irrigação

Outras culturas

O sistema de irrigação auxiliou a família em outras culturas, além do azevém. Janisch utilizou o método para irrigar o milho da silagem, o milho verde que comercializa para a Ceasa e para as hortaliças. Mas, para ter um sistema de irrigação na propriedade, é necessário ter água. Por isso, Janisch tem três açudes na propriedade e pretende ampliar este número. “Neste ano, quase faltou água, foi uma seca que castigou muito os agricultores”, reforça.

O investimento do produtor foi de aproximadamente R$ 45 mil para instalar os dois sistemas de irrigação: o fixo e o móvel. São necessários no mínimo 20 mil litros de água por hora. Com isso, Janisch consegue ter pasto verde para o gado de leite o ano todo. “Eu me criei na lida da ordenha, herdei isso do meu pai. Hoje, já faz 10 anos que moro em Linha Travessa e trabalho com o gado de leite”, orgulha-se.

Experiência

  • O produtor Paulo Roberto Janisch enfatiza que tomou conhecimento do sistema de irrigação no município vizinho de Cruzeiro do Sul. Após conhecer o método, decidiu procurar auxílio da Emater para instalar e verificar se o negócio seria rentável. Hoje, comemora os resultados. “Se tu tem o pasto verde para oferecer, não precisa de tanta silagem. Com isso, aumenta a produção de leite”, esclarece.
  • Para o engenheiro agrícola do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, Diego Barden dos Santos, a irrigação trouxe inúmeros benefícios na propriedade e adiantou a pastagem de inverno. “Com a irrigação, foi possível aumentar a capacidade produtiva. Especificamente este ano, conseguiu adiantar a utilização das pastagens de inverno, pois pode plantar e logo irrigar”, frisa.

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