Manga: da fruteira para o quintal de casa

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Em algumas propriedades do interior de Venâncio Aires ou até mesmo em terrenos na cidade, nesta época percebe-se o pleno desenvolvimento da manga. Várias árvores estão carregadas de frutos. Muitas frutas já estão amadurecendo e ‘puxando’ para uma cor roxa, o que indica que estamos nos aproximando da safra da manga.

Em Linha Maria Madalena, na casa dos agricultores Ornélio, 78 anos, e Norma Kreibich, 75 anos, das três árvores de manga, duas estão carregadas de frutas. As duas mudas foram compradas em Pareci Novo. “A gente sempre gosta de plantar coisas diferentes e ver se dá certo aqui”, conta a produtora.

Norma recorda que há 10 anos o casal decidiu dedicar um espaço no quintal para as mudas de manga. “A gente gosta muito de comer e pensamos, porque não plantar?” No início,

Manga na árvore
Pelo terceiro ano consecutivo a mangueira do casal de Linha Maria Madalena está com frutos (Foto: Roni Müller/Folha do Mate)

logo o casal pensou que não daria certo, pois a mangueira não florescia e não carregava com frutos. “Uns dois anos pra cá estamos contentes com a colheita”, frisa Norma, ao relembrar que, há três anos, a árvore deu cerca de 15 frutas, no ano passado foram mais de 50 e neste ano está carregada.

A vontade de cultivar a manga era tão intensa que Kreibich comprou uma manga na fruteira e plantou o caroço. A árvore em questão tem mais de 30 anos e foi plantada em frente à residência do casal e esporadicamente dá alguns frutos. Como era algo muito irregular, eles decidiram plantar mudas novas. “Compramos essas duas enxertadas e agora já temos três safras de manga. É outra coisa, comer o que a gente planta. Aqui fruta é tudo”, destaca o agricultor aposentado.

Receitas

A manga é bastante utilizada em saladas de frutas e in natura pelo casal, mas Norma já aguarda a colheita para testar receitas. “Agora que tem a internet, já vi receita de um mousse de manga. Isso deve de ficar bem bom”, enaltece. Nesta safra, a agricultora terá várias receitas para testar, pois fruta não deve faltar, afinal, os galhos estão carregados. “A manga é uma delícia, muito doce. Eles falam que é a manga maçã, tem que cuidar pois quando amadurece muito ela até é doce demais”, comenta Kreibich.

Norma acredita que o calor e a falta de chuva podem ter contribuído com a safra cheia. “Dizem que ela gosta de calor e nos últimos dois anos fez muito calor, então pode ter relação”, afirma. A mangueira é uma planta tropical, que se desenvolve bem em condições de clima subtropical e é originária do Sul da Ásia.

Variedade

A manga é só uma das plantas no quintal do casal, onde a variedade de frutas chama atenção. Goiaba, laranja, bergamota, carambola, ananás, marmelo, ameixa, pêssego, jabuticaba, limão e pera estão entre as frutas cultivadas pela família. “A gente gosta de diversificar e produzir nossas frutas. É sempre um desafio plantar árvores diferentes e frutas que nem da nossa região são”, conta Kreibich.

Cuidar da horta e do pomar é lazer para o casal de agricultores que ainda concilia com outras atividades. Além disso, os dois participam do Grupo das Sementes Crioulas de Venâncio Aires, por isso, na propriedade da família são encontradas diversas variedades de frutas, verduras e legumes, alguns raros de serem encontrados.

“Sempre acredito que a gente precisa ir testando e quando tem uma coisa nova e diferente, a gente planta.”

ORNÉLIO KREIBICH

Agricultor

SAIBA MAIS

  1. Conforme o escritório municipal da Emater, em Venâncio Aires existem poucas famílias que plantam mangueiras e destas, apenas para consumo próprio.
  2. A cultura não é comercial no município. Conforme o técnico agrícola do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, Alex Davi Gregory, “é uma cultura que não gosta muito de frio, então é difícil ela se adaptar na nossa região.”
  3. Gregory ressalta que o pé de manga precisa de uma proteção no inverno devido à geada.
  4. Além disso, esta é um cultura que precisa de duas a três variedades para realizar a fecundação. “Uma variedade poliniza a outra”, explica.
  5. Por ser algo raro e diferente no município existem poucos dados e informações sobre a manga.

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