Produtora de tabaco, Bárbara conseguiu se habilitar no Pronaf Habitação e conquistou a casa própria em Estância São José, no ano passado. (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Ter a casa própria é o sonho de qualquer família. A jovem Bárbara Suélen Lauermann Hendges, 25 ano, moradora de Estância São José, sempre gostou da vida do interior e desde pequena tinha como meta continuar morando nas terras em que nasceu. “Acho que isso é valorizar tudo que nossos pais construíram. A gente precisa ficar e lutar pelo campo. O jovem precisa morar no interior”, enfatiza.

Há cinco anos ela e o namorado, Luan Willian Rodrigues Konzen, 29 anos, optaram por morar juntos e permanecerem no campo. “A gente começou em uma casa de madeira, bem precária. Ao lado da casa dos meus pais”, explica.

Mas, o sonho do casal era ter a casa própria e nova. Em uma edição da Expoagro o casal ficou sabendo que no Plano Safra 2019/20 abriria a opção do agricultor construir a casa própria. “Fiquei em contato com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e assim que saiu o Plano Safra a gente fez o projeto. A Emater nos ajudou e fomos no banco encaminhar a papelada. Lembro que naquele dia, a gente foi o primeiro casal a assinar o Pronaf Habitação”, recorda Bárbara.

Produtores de tabaco, o casal mora na residência nova desde janeiro. A construção iniciou em setembro de 2019. No primeiro ano, as regras do Pronaf Habitação eram diferentes, por isso, os pais de Bárbara, Renê e Solange, tiveram que assinar a papelada. Neste ano, o governo já disponibilizou com que os jovens possam construir nas terras dos pais.

A casa nova, erguida próximo da casa dos pais é motivo de orgulho para a jovem. “Poucos jovens da nossa região optaram por seguir aqui. Mas a gente espera mais incentivo do governo. Tem muita coisa que precisa mudar.” Quando Bárbara se refere às mudanças, ela observa, especificamente, a energia elétrica na localidade. Juntos, os quatro plantam 120 mil pés de tabaco, mas o forno elétrico poucas vezes pode ser ligado, e no momento é impossível ampliar. “A gente tem uma energia elétrica muito fraca. Já perdemos fornada de fumo por falta de luz. O investimento é muito alto para um produtor rural conseguir instalar a rede trifásica. Por isso, a gente espera o apoio dos nossos representantes”, frisa a jovem.

Opção para os jovens

A extensionista da Emater de Venâncio Aires, Djeimi Janisch, ressalta a importância dos programas habitacionais para o interior. “Antes, os programas pensavam somente na aquisição de máquinas, ampliação de galpões e se esquecia do bem-estar da família. A gente sabe que uma moradia boa reflete na produção do agricultor.”

A Emater já atendeu 59 projetos desde que existe o programa. Djeimi reforça que esse incentivo vai ao encontro das políticas públicas para que o jovem permaneça no campo. “Sem contar que é uma linha de crédito acessível e barata para o produtor. A gente sabe que todo ano dificilmente sobra dinheiro para reformar a casa. Sem contar que é um incentivo para os jovens e para o empoderamento da mulher.”

No Plano Safra deste ano, os agricultores familiares brasileiros poderão continuar usando o crédito para financiar e reformar casas rurais, no valor de R$ 500 milhões, o mesmo do ano passado. Cada produtor pode acessar até R$ 50 mil, com prazo de até dez anos para pagar e juros de 4,6%, ao ano.

59 – é o número de projetos atendidos pela Emater-Rs/Ascar de Venâncio Aires na execução de novas moradias via Pronaf Habitação.

Plano Safra disponibiliza R$ 236,3 bilhões para a agricultura do país

Desde o dia 1º de julho, o Plano Safra 2020/21 entrou em vigor e os produtores rurais podem acessar os recursos para financiamento nos bancos que operam com crédito rural e nas cooperativas de crédito. O Governo Federal disponibilizou R$ 236,3 bilhões para apoiar a produção agropecuária nacional, alta de 6,1% (mais R$ 13,5 bilhões) em relação à safra anterior.

Do total programado de R$ 236,3 bilhões do Plano Safra, R$ 179,38 bilhões estão destinados para custeio, comercialização e industrialização e R$ 56,92 bilhões para investimentos.

Para o seguro rural de 2021 o governo disponibilizou R$ 1,3 bilhão. O valor deve possibilitar a contratação de 298 mil apólices, num montante segurado da ordem de R$ 52 bilhões e cobertura de 21 milhões de hectares.

Os pequenos produtores rurais terão R$ 33 bilhões para financiamento pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com juros de 2,75% e 4% ao ano, para custeio e comercialização. Para os médios produtores rurais, serão destinados R$ 33,1 bilhões, por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), com taxas de juros de 5% ao ano (custeio e comercialização).

Nos financiamentos para grandes produtores, a taxa anual de juros será de 6% para custeio e de 7% para investimento. Os financiamentos da atual safra poderão ser contratados pelos agricultores de 1º de julho deste ano a 30 de junho de 2021.

Saiba quanto os Bancos do Brasil, Banrisul e Sicredi disponibilizaram para o Plano Safra

BANCO DO BRASIL

O Banco do Brasil disponibilizou R$ 103 bilhões para o setor na safra 2020/21. No último ano-safra, os produtores contrataram R$ 92,5 bilhões, o maior desembolso da história do banco. Nesta safra, o valor será dividido em R$ 10,3 bilhões para as agroindústrias e R$ 92,7 bilhões para o crédito rural – R$ 64,6 bilhões vão financiar a safra da agricultura empresarial, R$ 14,4 bilhões para os médios produtores e R$ 13,7 bilhões para a agricultura familiar.

O banco também vai destinar nesta safra um incremento de R$ 2,5 bilhões em recursos próprios para o Programa Moderfrota, que possibilita a modernização de tratores agrícolas e outros equipamentos. As taxas serão as mesmas anunciadas no Plano Safra do Ministério da Agricultura.

BANRISUL

O Banrisul anunciou o seu Plano Safra 2020/21, com dotação de R$ 4,1 bilhões em recursos para o agronegócio do Rio Grande do Sul. O valor é 26% superior ao disponibilizado no período anterior. Desse total, R$ 500 milhões serão destinados exclusivamente para o financiamento de investimentos e R$ 3,6 bilhões para as demais linhas do agronegócio, como custeio, comercialização e industrialização.

O volume de recursos para a agricultura familiar é de R$ 800 milhões, aos médios produtores são R$ 635 milhões, e para os demais produtores, cooperativas e empresas do setor, é de R$ 2,67 bilhões. Serão ampliados os recursos próprios disponíveis pelo Banrisul para R$ 450 milhões nas principais linhas de investimento para o agronegócio, como o Inovagro, Moderagro, Pronaf e Pronamp Investimentos.

Nesta safra, a estratégia comercial para os financiamentos será voltada à irrigação das lavouras, conservação do solo e armazenagem de grãos e frutas e seus derivados. Outro destaque é a modalidade AgroInvest 4.0, linha de crédito que tem a finalidade de financiar novas tecnologias para a produção agropecuária, como drones e softwares de gestão e automação agrícola, acelerando a digitalização no campo.

SICREDI

O Sicredi irá disponibilizar mais de R$ 22,9 bilhões em crédito rural no Plano Safra 2020/21, o que representa um aumento de 10% em relação ao ano-safra anterior. A projeção é que os recursos sejam disponibilizados para aproximadamente 227 mil operações.

Desse total, a expectativa da instituição financeira cooperativa, que reúne mais de 4,5 milhões de associados em 22 estados, é disponibilizar R$ 10,4 bilhões para operações de custeio, comercialização, industrialização e investimento, R$ 5,2 bilhões via Pronamp e R$ 4,3 bilhões via Pronaf, além de R$ 3 bilhões com recursos direcionados, oriundos do BNDES

No Plano Safra 2019/20, os pequenos e médios produtores rurais estiveram entre os perfis de associados mais atendidos pela instituição, representando 80% das operações realizadas. A expectativa é que esse patamar seja mantido no próximo ciclo.

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