Preservação do cultivo de bucha vegetal

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No quintal da casa da agricultora Elise Algayer, 50 anos, em Linha Travessa – São José, a cerca e algumas partes da parede do galpão se mesclam com as ramas verdes, cheias de flores amarelas, e frutos de bucha vegetal de todos os tamanhos.

Elise conta que, desde pequena, lembra que na propriedade dos pais Pedro e Alzira (ambos falecidos), a bucha vegetal, também conhecida como esponja vegetal, ‘decorava’ parte da cerca. “Meus pais que iniciaram com o cultivo e trouxeram as sementes. Mas não faço ideia de onde vieram”, cita.

A agricultora comenta que a bucha vegetal sempre foi usada pela família. “Onde havia um tanque tinha um pedaço pra gente se lavar. A mãe usava até para lavar louça. Usávamos no banho, mas principalmente quando voltávamos da colheita do fumo. Tirávamos aquela ‘meleca’ que fica nos braços com a própria bucha”, detalha.

Hoje, Elise ainda cultiva a espécie. Na propriedade são duas variedades. “Tem uma mais compridinha e outra mais encorpada”, compara. Apesar de não plantar mais manualmente, a produtora comenta que nasce por conta. Todo ano, as ramas ‘sobem’ a cerca e as árvores e produzem várias buchas. “Como tem muito a gente não vence tirar e guardar tudo. Daí algumas caem, as sementes brotam e ano que vem já tem de novo. Isso nasce por conta se tu não mexe muito na terra. Muitos dizem até que é um inço”, declara.

Conhecida principalmente pelos antigos, a bucha vegetal é cultivada em pequenas áreas da agricultura familiar de Venâncio Aires. Conforme a Emater-RS/Ascar, ela tem um cultivo tradicional e espontâneo de ‘fundo de quintal’ e faz partes de algumas propriedades que ainda preservam o hábito que vem de gerações.

A planta tem origem africana, é de fácil manejo e tem hábito de crescimento trepador. Uma das orientações técnicas é de que ela não pode ser tocada durante o seu crescimento, pois dessa forma irá apodrecer.

Segundo a extensionista rural do escritório local da Emater-RS/Ascar, Djeimi Janisch, a bucha vegetal contribui com o meio ambiente. “A gente precisa reforçar essa questão de sustentabilidade.

Ela é eficiente, sustentável e uma esponja durável. Além disso temos menos lixo no mundo”, esclarece.

Higiene

Elise, o marido Benildo e o filho Tiago utilizam a bucha vegetal para a higiene pessoal. “A gente usa para tomar banho e lavar as mãos. Se a gente cuida a bucha, dura um mês. Eu tenho uma sensação de relaxamento, parece uma massagem no corpo quando uso a bucha vegetal no banho”, frisa.

Por ser utilizada em ambientes úmidos, Elise conta que aprendeu dos pais que a bucha não pode ficar em locais úmidos. “A gente pega, coloca uma cordinha e pendura ela. Assim as bactérias não encontram um ambiente para se propagar”, ensina.

A produtora não tem o foco comercial, mas eventualmente pessoas chegam a procurar para adquirir. “Eu distribuo para quem quer. Tem tantas, a gente guarda de um ano para o outro e mesmo assim não usa tudo. Então se eu tenho e alguém me pede eu doo”, destaca.

“Além de gostar, utilizar e cultivar, a bucha tem um sentido especial para mim. Como meus pais plantaram, eu quero cultivar essa tradição, não deixar essas sementes se perderem.”

ELISE ALGAYER

Agricultora

Colheita

• Para saber se a bucha vegetal está no ponto da colheita, Elise recomenda quando ela perdeu a cor verde e está mais acinzentada. “Ela fica seca e a gente já sabe que pode colher”.

• Com cerca de 30 centímetros a colheita é realizada e é necessário tirar a casca. “A gente tira a casca, chacoalha um pouco e tira as sementes, lava ela com água e deixa secar. Depois já pode usar sem problema algum”, recomenda a agricultora.

• A extensionista da Emater, Djeimi Janisch, comenta que para branquear ela, a bucha pode ser deixada de molho com uma solução de água com hipoclorito (água sanitária).

Na foto, Elise mostra a diferença de uma bucha limpa, pronta para o uso e uma seca que precisa ser limpa (Foto: Roni Müller/Folha do Mate)

CURIOSIDADES

  1. A bucha vegetal pertence à família botânica das Cucurbitaceae, gênero Luffa. À essa mesma família também pertencem o melão, a melancia, o chuchu, o pepino e as abóboras.
  2. A planta, provida de gavinhas, tem hábito de crescimento trepador, sendo a produção realizada predominantemente em sistema de tutoramento. A espécie mais conhecida e cultivada no Brasil é a Luffa cylindrica.
  3. A fibra do fruto maduro é muito utilizada em todo o mundo na limpeza geral, higiene pessoal e como artesanato. Na indústria, as fibras são empregadas na fabricação de estofamentos, de dispositivos de filtragem e de isolamentos acústicos e térmicos, dentre outras aplicações. A espécie Luffa aegyptiaca também pode ser utilizada para a produção de fibra.

Fonte: Embrapa

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