Tabaco: semeio antecipado em busca de mais qualidade

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Nos últimos anos, os produtores de tabaco estão antecipando cada vez mais a safra, seja por instinto, por experiência, incentivo de outros produtores ou números positivos de safras anteriores. Na safra passada, a Folha do Mate noticiou o início do semeio em 13 de abril, quando uma família de Centro Linha Brasil já havia começado com o ‘tabaco do cedo’.

Nas últimas semanas, a reportagem percorreu algumas localidades do interior e já percebeu uma antecipação maior do semeio da safra 2021/2022. São agricultores de diversas localidades querendo ‘fugir’ do calorão no verão e buscando mais qualidade na folha de tabaco. Além das regiões de Linha Isabel, Centro Linha Brasil, Linha Antão e Linha Arroio Grande, no 5º Distrito, localidades da serra, como Linha Julieta, Vila Deodoro, Linha Andréas e Linha Santos Filho têm agricultores que já iniciaram o semeio das mudas de tabaco.

As mudas mais cedo na ‘piscina’ significam o transplante antecipado. O tabaco vai antes para a lavoura do que é considerado ‘normal’ pelas empresas. Em Linha Isabel, a família Gullich já está na fase do repique das mudas, afinal, elas foram semeadas no dia 10 de março. “Essa é nossa terceira safra que antecipamos. Cada ano fizemos o semeio um pouco mais cedo. Não queremos mais virar o ano colhendo o fumo no sol forte. Chegamos a perder R$ 50 por arroba quando o tabaco queima na lavoura”, explica Erni Gullich, 53 anos.

Ao lado da esposa Clelia, 53 anos, e do filho, Ernei, 19 anos, neste ano, ele optou por diminuir a quantidade plantada. De 115 mil pés na safra 2020/2021, agora serão 95 mil pés de tabaco. “A gente precisou reduzir um pouco, somos só entre três”, comenta a agricultora.

No ano passado, a família semeou o tabaco em meados de abril. “Era 10 de junho e estávamos transplantando. No dia 19 de setembro iniciamos a colheita, mas no fim era dezembro, o calor estava ‘pegando’ e, com isso, perdemos muita qualidade. Por isso, esse ano decidimos arriscar e semear um pouco antes”, explica Ernei, que optou em ficar trabalhando com a agricultura e está na sua segunda safra ao lado dos pais.

Nesta safra, são dois meses de antecipação. A expectativa da família é, em no máximo três semanas, ter concluído o processo, que é feito em três partes. Agora, faltam apenas 30 mil pés. “Em maio já vamos ter fumo na roça. Mas não queremos mais plantar em agosto, pois nesse mês a mudinha acaba sofrendo muito com o frio.”

O ciclo médio em que a muda fica na piscina é de 60 dias. Devido à antecipação, a família acredita que vá levar um pouco mais, cerca de 75 dias. “Semeamos três variedades, um ciclo curto, médio e longo. Precisamos nos adaptar ao clima. A gente que mora no interior já percebe que tudo está mudando”, salienta Gullich.

“A gente precisa se adaptar ao clima, mas precisamos observar a situação onde moramos. Aqui decidimos semear um pouco antes que o normal, no dia 10 de março. Porém, acreditamos que o tabaco vai ganhar ainda mais em qualidade, em peso, e a folha vai estar mais encorpada, afinal, vamos fugir do sol quente.”

ERNEI GULLICH – Produtor de tabaco em Linha Isabel

Leia mais: Tabaco fora de época: A três semanas da colheita do baixeiro

Produtores querem ‘fugir’ das altas temperaturas

Moradores de Linha Santos Filho, no 3º Distrito de Venâncio Aires, Régis Posselt, 40 anos, e Laísa Roberta Penck, 23 anos, também semearam o tabaco em março. “Semeamos no dia 13 de março e estamos preparando mais kits de canteiros. A ideia é plantar 50 mil pés neste ano”, comenta a agricultora.

Ela frisa que, apesar da época recomendada ser final de abril e início de maio, nesta safra, eles adquiriram os insumos por conta e decidiram antecipar a safra, por causa da qualidade. “Quanto mais esperamos, mais prejuízo depois, na hora de vender, além do fumo tarde ser queimado pelo sol, que é muito quente.”

Em Centro Linha Brasil, no 5º Distrito, o jovem casal produtor de tabaco que foi acompanhado pela Folha do Mate na safra passada também já antecipou a semeadura do tabaco. Lucas Ariel Bergmann, 22 anos, e Jaqueline Taiane Theis, 20 anos, semearam a primeira parte em 30 de março. A segunda será semeada na última semana de abril. O casal se programa para realizar o transplante das mudas em 20 de junho.

Casal semeando o tabaco
Lucas Bergmann e Jaqueline Theis, de Centro Linha Brasil, vão para a terceira safra. Neste ano, decidiram antecipar um pouco mais (Foto: Divulgação)

Eles, que vão para sua segunda safra, com 60 mil pés de tabaco, comentam que tiveram bons resultados com a antecipação no ano passado. “Neste ano, a semeadura foi mais cedo que ano passado. Optamos por antecipar a safra pois tivemos bons resultados, uma ótima qualidade. Outro diferencial é que nesta safra a área de terra vai ser outra, acreditamos que nesta área não acontecem geadas fortes. Mesmo assim pretendemos plantar uma muda mais forte na roça, sendo assim mais resistente à geada caso ela ocorra”, explica Jaqueline.

Em Linha Julieta, no 3º Distrito, os agricultores Fábio André Camara, 33 anos, e Carla Inês Elsenbach, 29 anos, realizaram o semeio ontem. Na atividade desde 2009, o casal irá plantar 35 mil pés nesta safra. “Decidimos realizar essa antecipação de safra por conta de muito calor e sempre provável seca no final do ano. O principal fator para antecipar a safra é o clima. Em anos anteriores quando não semeamos tão cedo, o fumo foi muito prejudicado pelo sol forte e perdemos muito na qualidade”, explica Camara. Se tudo ocorrer dentro da normalidade, as mudas em Linha Julieta serão replantadas para a lavoura no dia 20 de junho.

“Ano passado o tabaco cedo ficou clarinho, mas o tarde já ficou preto. Por isso, decidimos adiantar a safra. Seja o que Deus quiser. O colono sempre está na luta contra o clima, já aconteceu de várias vezes perdermos o nosso fumo, nosso trabalho duro jogado pro alto.”

LAÍSA ROBERTA PENCK –

Produtora de tabaco em Linha Santos Filho

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