Venâncio Aires terá uma das maiores safras de trigo da década

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Pelo segundo ano consecutivo, a safra de trigo deve ser positiva em Venâncio Aires. A Capital Nacional do Chimarrão está acompanhando os números do Rio Grande do Sul. Conforme divulgação da Emater/RS-Ascar e da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), a estimativa é que a safra 2021 seja a de maior produção das culturas de inverno em território gaúcho, com 3,7 milhões de toneladas de trigo, cevada, canola e aveia branca.

Principal produto da estação, o trigo deverá ter uma produção de 2,89 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul, o que representa um aumento de 37,81% em relação ao ano passado, que foi de 2,1 milhões de toneladas. Cultivado numa área de 1,08 milhão hectares, 13,29% a mais do que na safra passada, que foi de 953,8 mil hectares. O grão apresenta tendência de produtividade média de 2,6 toneladas por hectare, 21,6% a mais do que a média da safra anterior, de 2,2 toneladas por hectare.

Em Venâncio Aires, o chefe do escritório local da Emater, Vicente Fin, comenta que foi surpreendente o número de produtores interessados. A estimativa inicial era de 550 hectares de trigo no município, mas o número teve um aumento, afinal foram semeados 620 hectares do cereal. O grão apresenta tendência de produtividade média de 2,6 toneladas por hectare, assim como a média estudual e 25 famílias estão envolvidas na atividade. Ao comparar com a safra passada, o aumento de área significa mais de 90%, pois foram cultivados 325 hectares.

Renda e palhada

Quem decidiu que era hora de tentar uma cultura de inverno foi a família Gaertner, de Linha Arroio Grande. “Tínhamos áreas de soja que ficavam ‘abandonadas’ neste período. A gente fazia adubação verde com aveia e ervilhaca, mas na hora de comprar as sementes percebemos que os valores quase empatavam com o trigo”, afirma Maicon André Gaertner, 35 anos.

O produtor explica que, apesar do trigo exigir tratos culturais e outros investimentos, eles se sentiram confiantes em cultivar nove hectares de trigo nas terras localizadas nas regiões mais altas. “Além de ter uma renda no inverno, a gente foi atraído pela questão da palhada, que dura mais na lavoura de soja do que a aveia”, enaltece.

Ao lado do pai, Vani José Gaertner, 67 anos, o produtor do 5º distrito cultiva cerca de 91 hectares de soja, milho para grão e silagem. “Há seis anos, mais ou menos, a gente plantou trigo, mas era para o trato dos animais, depois não tentamos mais. Agora, nossa expectativa está boa, plantamos em junho nas coxilhas e se der certo ano que vem a gente até aumenta”, frisa Maicon.

O grão apresenta tendência de produtividade média de 2,6 toneladas por hectare. (Foto: Pexels/Divulgação)

O trigo já está plantado há cerca de 30 dias, e a planta já está na fase do perfilhamento, com cerca de 10 centímetros de altura. A expectativa é de fazer a colheita na metade de outubro. A comercialização deve se feita em cooperativas da região. Depois, os Gartner irão fazer o plantio da soja direto na palhada.

De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar, 75% das áreas previstas para esta safra no Rio Grande do Sul já estão semeadas. As lavouras implantadas estão em emergência e desenvolvimento vegetativo inicial, com bom estande de plantas e boa sanidade.

“O trigo é uma opção de renda nessa época, serve como palhada para a soja que vem depois e contribui com o solo. Além disso, limpa a lavoura e combina com a soja.”

MAICON GAERTNER
Produtor rural

Aumento de 90% na área cultivada

O ‘boom’ em área plantada com trigo em Venâncio Aires – em torno de 90% maior do que no ano passado – tem diversas justificativas, conforme analisa o chefe do escritório local da Emater, Vicente Fin. “O preço de mercado é animador, está atrativo, temos uma grande demanda internacional pelo trigo. Além disso, temos um programa estadual que incentiva o cultivo”, cita Fin.

Em março, Seapdr e a Emater criaram a campanha ‘Trigo gaúcho! É bom, é gaúcho, é nosso’, que visa valorizar a produção gaúcha. Para a Emater, quanto mais relevância o cereal ganha, mais desenvolvimento econômico para o estado, gerando empregos e renda.

Além disso, Fin reforça que as sementes de cobertura verde, utilizadas nesse período, também estão com um valor alto e por isso muitos produtores optaram pelo trigo. “A lavoura com trigo fica uma das melhores para receber a soja depois”, observa.

Qualidade

O agricultor que aposta no trigo vai em busca de qualidade. Quanto melhor o trigo mais chances de comercializar ele para o moinho com a finalidade de ser vendido como farinha. O engenheiro agrônomo da Emater explica que, em outros anos, isso era arriscado, pois se o produtor não atingisse a qualidade, o cereal iria para ração e o preço não era atrativo. “Agora, a situação é diferente. A demanda está grande, os grãos estão em alta, e a tendência é um preço bom mesmo se o trigo for destinado para ração”, detalha.

Conforme dados da Emater, a grande maioria dos agricultores de Venâncio já adquiriu sementes de trigo pensando na panificação. “Maior parte da área plantada é pensando na panificação. No município, temos produtores que, se o clima colabora, conseguem bons resultados.”

“Além de realizar uma rotação de cultura, o trigo é uma oportunidade de gerar renda no inverno, período em que a terra fica parada.”

VICENTE FIN

Chefe do escritório local da Emater/RS-Ascar

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