Vitamina D é produzida pelo corpo, a partir da exposição ao sol. Bastam alguns minutos diários diretamente no sol (Foto: Eduarda Wenzel)
Vitamina D é produzida pelo corpo, a partir da exposição ao sol. Bastam alguns minutos diários diretamente no sol (Foto: Eduarda Wenzel)

Com a pandemia de coronavírus, muitas pessoas começaram a falar mais sobre a vitamina D, que é produzida pelo organismo, a partir da exposição ao sol. Cápsulas que prometem repor essa vitamina começaram a ser mais procuradas nas farmácias. E tem quem diga que ela pode ajudar na prevenção de gripes e do coronavírus. Mas será que ela ajuda mesmo?

Segundo a médica cardiologista Natália Artus, o papel da vitamina D é a manutenção da massa óssea, porém, alguns estudos relatam que ela pode influenciar também o sistema imunológico. Ela esclarece que a carência dela pode estar relacionada com o desenvolvimento de doenças autoimunes, como diabetes mellitus, esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal, lúpus, encefalite autoimune e artrite reumatóide.

A profissional alerta, no entanto, que para tomar cápsulas da vitamina é preciso passar por exames médicos, pois, em excesso, pode trazer risco para a saúde. “Com a exposição ao sol, mesmo durante a rotina diária, as pessoas já conseguem ter uma boa quantidade de vitamina D”, afirma, ao observar que 5 a 10 minutos diários de exposição ao sol são suficientes para obter a vitamina.

Natália esclarece que a reposição de vitaminas deve ser feita com cuidado, conforme orientações médicas para cada caso. “Hoje em dia, está comprovado que quem ingere polivitamínico sem recomendação médica tem mais risco de infarto, câncer e morte súbita”, informa.

Imunidade

A cardiologista explica que alguns estudos têm sugerido que a vitamina D pode influenciar também o sistema imunológico, assim poderia auxiliar na prevenção de gripes e de coronavírus. Ela comenta que, recentemente, o jornal italiano La Republlica publicou uma matéria sobre um estudo realizado na Universidade de Turim, o qual relaciona a hipovitaminose D a Covid-19, uma vez que parte dos pacientes com o vírus apresentavam níveis baixos de vitamina D.

“Baseado neste achado, a reportagem sugere que a vitamina D poderia atuar na prevenção e no tratamento da Covid-19. Entretanto, este estudo ainda não foi publicado, portanto, o benefício do uso de vitamina D para prevenção ou tratamento da Covid-19 ainda não está comprovado cientificamente”, salienta Natália.

Ela também lembra que a principal recomendação para manter a imunidade e prevenir a Covid-19 é um estilo de vida saudável e os hábitos preventivos de higiene. “É necessário tomar os cuidados relacionados à pandemia, como evitar aglomerações usar máscaras e manter a higiene das mãos.” Para manter o nível adequado de vitamina D, a médica lembra que é indicado continuar pegando um pouco de sol todos os dias. “Mas, novamente, ressalto que as pessoas não devem se automedicar.”


Cardiologista Natália Artus (Foto: Arquivo pessoal)

“O papel fundamental da vitamina D é a manutenção da massa óssea, porém, alguns estudos têm sugerido que ela pode influenciar também o sistema imunológico.”

NATÁLIA ARTUSCardiologista


Cuidados com a pele

A dermatologista Luiza Metzdorf explica que a vitamina D é produzida a partir da exposição solar e tem como benefício prevenir doenças, como, por exemplo, a osteoporose. No entanto, a exposição excessiva é responsável por queimaduras. “Gera um envelhecimento precoce e pode levar ao câncer de pele, que é considerado o câncer de maior prevalência, atualmente.”

De acordo com ela, existe uma discussão sobre qual melhor horário para pegar sol, pois “a radiação solar necessária para a síntese de vitamina D é a radiação ultravioleta B (UVB), com a maior incidência entre 10h e 15h.” Este, também, é o horário que o sol causa mais danos para a pele. “É um assunto controverso na comunidade científica”, afirma. Outro aspecto observado por ela é que, quando há o uso de protetor solar, a produção de vitamina D é menor.

Para pessoas que têm doenças como lúpus, porfiria cutânea e fotodermatose, não é indicado pegar sol diretamente. “Nesses casos, a suplementação medicamentosa pode ser considerada, desde que realizada avaliação e acompanhamento médico”, enfatiza. A dermatologista também alerta que o uso dessas cápsulas sem orientação médica pode acarretar em problemas de saúde. “A vitamina D, bem como as vitaminas A, E e K, quando ingeridas em excesso, se acumulam no organismo, causando hipervitaminose.”

Como, quando e onde tomar sol?

Para que o corpo produza vitamina D, a dermatologista Luiza Metzdorf explica que é bom tomar um sol direto, “mas, não é recomendado ficar exposto por mais de 15 minutos.” Também comenta que a síntese de vitamina D depende da radiação ultravioleta B, que não é capaz de ultrapassar vidros. “Se quiser tomar sol da sacada para pegar vitamina, precisa ser com vidros abertos”, detalha.

Para aproveitar o sol durante o isolamento social, ela indica os 15 minutos sentados em frente à casa, ou pegando sol com a janela aberta, pelo menos uma vez na semana. “A vitamina D pode ficar armazenada no organismo por tempo variável. Assim, as pessoas com níveis normais dela não terão problemas com a exposição reduzida por algum tempo.”

Conforme a dermatologista, somente 10% da vitamina D que produzimos é derivada da alimentação. A grande maioria é sintetizada no organismo por meio da exposição cutânea à radiação solar. Os alimentos mais ricos em vitamina D são óleos de peixe, como salmão e atum, e derivados do leite fortificados.


Dermatologista Luiza Metzdorf (Foto: Divulgação)

“Estudos mostram que a exposição à radiação solar apenas com atividades cotidianas é o suficiente para garantir a vitamina D, para uma grande parcela da população.”

LUIZA METZDORF – Dermatologista


 

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