Como diz um ditado popular, “a vida é feita de altos e baixos”. Mas no caso de quem possui transtorno bipolar, essa alternância de fases atinge níveis mais graves. Estende-se por dias, semanas ou meses. Provoca mudanças no humor, na energia, nos pensamentos e no comportamento.

De acordo com a psiquiatra Camila Pedrollo de Vasconcellos Chaves, o diagnóstico de bipolaridade não é fácil, pois os sintomas se confundem com os de muitas outras doenças psíquicas. 

Como sinais que apontam para a necessidade de a pessoa ser avaliada, ela cita os sintomas orgânicos como alterações no sono e no apetite, as intensas oscilações de humor e as ações impulsivas que fogem da sua normalidade, como contrair dívidas, envolver-se em relações sexuais promíscuas, bem como em situações de risco. 

A pessoa está sempre oscilando entre o pólo que a gente chama de mania, que é o da euforia, e outro que é da depressão. Num pólo, a pessoa está se sentindo o super-homem e fazendo coisas de super-homem. Mas como não tem a capacidade do super-homem, acaba se metendo em enrascada. E no outro pólo, ela está deprimida, sentindo-se totalmente incapaz de fazer algo.” Camila Pedrollo de Vasconcellos Chaves – psiquiatra 

Segundo a profissional, os transtornos psiquiátricos costumam ter base genética, sendo a bipolaridade uma das doenças com base genética mais forte. Mas o surgimento do transtorno também pode estar ligado a traumas, frustrações, angústias, estresse, elevado nível de exigência e alterações significativas no sono.

Camila aponta o suicídio como um dos riscos corrido por quem tem transtorno bipolar. “é muito sério que as pessoas banalizem o risco de suicídio com frases como ‘Quem fala não faz’ e ‘Cão que ladra não morde’. Em caso de suicídio, isso não é verdade. Na dúvida, leve a sério.”

De acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), a mortalidade dos portadores da doença é elevada, e o suicídio é a causa mais frequente de morte, principalmente entre os jovens. Estima-se que até 50% dos portadores tentem o suicídio ao menos uma vez em suas vidas e 15% efetivamente o cometem.

TRATAMENTO

Conforme Camila, o tratamento da bipolaridade é basicamente medicamentoso, mas ela ressalta que a terapia auxilia os pacientes a lidarem com a situação, principalmente para aqueles que já sofreram perdas significativas em função da doença.

Como ressalta a psiquiatra, quem tem diagnóstico de transtorno bipolar precisa fazer uso de algum tipo de medicamento para o resto da vida, mas na menor quantidade possível para manter o paciente estável. Ela destaca a importância do vínculo da pessoa bipolar com o local no qual está se tratando. Em Venâncio Aires, ela cita que o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) conta com profissionais como psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, que auxiliam os pacientes a lidar com a doença.