O Caps II, localizado na rua Visconde do Rio Branco, é um dos serviços especializados referente à saúde mental (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)
O Caps II, localizado na rua Visconde do Rio Branco, é um dos serviços especializados referente à saúde mental (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

Não é novidade que a pandemia do novo coronavírus tem causado alterações em diversas áreas e setores. Isso não é diferente quando o assunto é o atendimento realizado pelos três Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Em Venâncio Aires, esses locais são referências de serviços especializados voltados à saúde mental.

Segundo a enfermeira e coordenadora do Caps II, Regina Freitas Marmitt, no local aconteceram muitas mudanças, como a suspensão dos grupos de pacientes, que ainda não têm previsão para retornar. Os atendimentos individuais, no entanto, estão mantidos e são realizados com horário previamente agendado. “Também diminuímos o número de cadeiras na sala de espera, respeitando a distância mínima entre os usuários”, observa.

Regina relata que se percebe uma diminuição pela procura do serviço. “Os pacientes nos relatam que estão com medo de sair de casa”, compartilha. Como alternativa em relação a isso, a equipe multiprofissional que atua no Caps II está oferecendo aos pacientes o contato por meio eletrônico. Assim, se o paciente já está agendado ou se ele optar por não se deslocar até o serviço, os profissionais ligam para saber como ele está.

“Neste tempo de isolamento social, o telefone é o principal recurso para as pessoas se falarem. Ligar e ser acolhido do outro lado da linha é também um aprendizado, porque muitas pessoas ainda não sabem lidar com esta situação de que alguém pode não estar presente fisicamente, mas pode sim, estar pronto para ajudar”, destaca Regina. A coordenadora do Caps II ainda ressalta que casos graves são atendidos conforme a demanda e são agendadas consultas.

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Caps Infantil

No Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi), os atendimentos com psiquiatra precisaram ser suspensos temporariamente porque o profissional faz parte do grupo de risco do novo coronavírus e, por isso, precisou ser afastado. O enfermeiro e coordenador do local, Paulo Roberto Fischer, explica que por causa dessa situação, casos graves que chegam até o CAPSi são encaminhados para avaliação no Hospital São Sebastião Mártir (HSSM).

Ainda de acordo com Fischer, os atendimentos presenciais com as duas psicólogas que atuam no local chegaram a ser suspensos por um tempo, sendo que neste período de suspensão os atendimentos psicológicos eram realizados via telefone ou videochamada. Agora os atendimentos psicológicos individuais retornaram e estão sendo realizados levando em conta as medidas de distanciamento, uso de máscaras e higiene das mãos. Outro serviço que sofreu alteração foi o acolhimento de novos pacientes. Em razão da suspensão temporária das consultas presenciais com o psiquiatra eles também não estão mais sendo realizados.

“Para os casos graves de pacientes que já frequentam o CAPSi, mantemos a escuta individual com orientações, quando for necessário. Dependendo de casa situação, nós encaminhamos para outros serviços, como o HSSM e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA)”, esclarece o enfermeiro. As atividades de grupos também foram suspensas por causa da Covid-19.

Em relação à demanda, Fischer comenta que também se percebe uma diminuição. “Grande parte era encaminhada pelas escolas. Agora com as aulas suspensas são poucos encaminhamentos feitos”, pondera. O serviço de psiquiatria do CAPSi também atende pacientes de Mato Leitão, Passo do Sobrado e Vale Verde.

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Caps AD

  • De acordo com a enfermeira e coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (Caps AD), Patrícia Antoni, no local também foi possível perceber uma diminuição expressiva dos atendimentos. Ela explica que essa situação tem relação com a suspensão das atividades dos grupos, oficinas e dos espaços de convivência. “Está havendo evasão bem grande dos atendimentos”, avalia.
  • Segundo ela, algumas consultas psicológicas com pacientes que já eram acompanhados pelo Caps AD estão sendo agendados e realizados por telefone. Patrícia relata que os atendimentos psicológicos, psiquiátricos e clínicos individuais estão mantidos, bem como o atendimento da demanda espontânea, conforme já era realizado.
  • “Familiares que antes eram atendidos em grupos agora estão sendo recebidos individualmente, com horário agendado previamente por telefone”, pondera. A enfermeira ainda acrescenta que como medida de prevenção se ampliou o distanciamento entre as consultas para evitar aglomeração.
  • Antes da pandemia, o Caps AD atendia entre 200 e 250 pessoas. Entretanto, no mês de abril, conforme levantamento feito pela equipe, 190 pacientes passaram pelo local na busca de algum serviço. Para Patrícia, essa diminuição pode estar associada com o fato de as receitas para remédios controlados terem validade de três meses desde o fim de março e ao medo que algumas pessoas têm de sair de casa.

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