Embora fevereiro ainda esteja em curso, já é possível afirmar que os dois primeiros meses de 2019 não foram nada fáceis para quem trabalha no Hospital São Sebastião Mártir (HSSM), tanto para os que são funcionários quanto para quem exerce função diretiva na instituição de saúde. O problema já se apresentava no fim de 2018, quando ficou constatado que os recursos à disposição não seriam suficientes para quitar salários e décimo terceiro.

Com auxílio da Prefeitura, que antecipou R$ 770 mil do valor referente ao contrato firmado com o hospital, foi possível virar o ano. No entanto, veio janeiro e, como ele, atrasos de salários e crises internas, que se prolongaram por fevereiro. Embora o cenário não seja favorável, a direção acredita em uma reversão, que passa, necessariamente, pela criação de novas receitas.

O contexto da crise enfrentada pelo HSSM foi explanado na sessão da Câmara desta segunda-feira, 18. Oly Schwingel e Fernando Branco, presidente e administrador da instituição, respectivamente, ocuparam a tribuna do Legislativo por quase duas horas, tempo utilizado para as explicações sobre atual situação da casa de saúde a parlamentares e comunidade.

E partiu de Branco uma informação que chamou muito a atenção de quem acompanhava o encontro semanal da Câmara. “Para ficar um dia inteiro aberto, o hospital gasta R$ 129 mil”, revelou ele. Levando em conta o dado apresentado pelo administrador, é possível calcular que a despesa mensal do HSSM chega a R$ 3,87 milhões. E que em um ano, são necessários R$ 46,44 milhões para manter em funcionamento a estrutura que é oferecida pela instituição.

Gerar novas receitas, aliás, foi um ponto reforçado várias vezes pelos dirigentes, em especial pelo presidente Schwingel. “Nunca vamos deixar a filantropia de lado, mas precisamos ter consciência de que o hospital vive de negócios. Nossa UTI é 100% para o SUS, a UPA também, e ainda temos 70% dos atendimentos pelo SUS, que não atualiza a tabela há pelo menos 15 anos. Estamos diante de uma situação de gestão de crise, mas não conseguimos baixar os custos, embora pensemos nisso o tempo todo”, declarou.

Por outro lado, Schwingel destacou a parceria do Município e prestadores de serviços, que segundo eles são os principais responsáveis pelo funcionamento da casa de saúde. “O poder público é o grande comprador de serviços e nossos prestadores garantem o atendimento de qualidade”, argumentou.

OTIMISMOApesar do momento conturbado, o administrador Fernando Branco aposta em uma recuperação do hospital em tempo recorde. Se os repasses do Governo do Estado forem regularizados, em até dois ou três meses, acredita ele, o HSSM pode viver uma nova realidade. “Nos próximos dois meses, a gente ainda vai ter muitos obstáculos e, possivelmente, atrasos de pagamentos.

No entanto, temos a previsão de que, a partir de abril, o governador Eduardo Leite consiga garantir valores, em dia, dos incentivos à saúde. Por mês, são R$ 350 mil para o nosso hospital, dinheiro que não chega desde o mês de setembro de 2018”, esclareceu. Foi justamente o atraso de repasses, conforme Branco, que levou a instituição ao desequilíbrio financeiro.

Além disso, também seguem em aberto remessas do Instituto de Previdência do Estado (IPE). Somados, os passivos chegam a R$ 1,6 milhão, segundo atualização da direção.

Foto: Carlos Dickow / Folha do MateIntegrantes da direção do Hospital São Sebastião Mártir participaram da sessão para atualizar a situação da casa de saúde e pediram paciência em um momento classificado como de gestão de crise  (((OLHO INFORMATIVO)))
Integrantes da direção do Hospital São Sebastião Mártir participaram da sessão para atualizar a situação da casa de saúde e pediram paciência em um momento classificado como de gestão de crise

Perguntado sobre a possibilidade de o HSSM se utilizar de medida judicial na tentativa de receber os valores atrasados, Fernando Branco disse que não descarta a hipótese. Porém, ele comentou que acha difícil o Judiciário bloquear recursos que Estado, que passa por violenta crise financeira.

R$ 1 milhãoé o valor líquido aproximado da folha de pagamento mensal do HSSM.

“Temos um único hospital para quatro municípios. Não se pode imaginar o que sente quem está doente, por isso queremos garantir os atendimentos e incentivar um cultura da paz e confiança.”OLY SCHWINGELPresidente do HSSM

“Vamos atrasar os salários de novo, já mandamos até carta para os médicos. Porém, não vamos deixar de atender ninguém e acreditamos que, em pouco tempo, o quadro pode ser revertido.”FERNANDO BRANCOAdministrador do HSSM