Em 2020, Venâncio supera 100% na maior parte das vacinas para bebês

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A cor da camiseta, da chupeta e dos olhos de Arthur reflete outro ponto que está ‘no azul’: os índices da cobertura vacinal infantil em Venâncio Aires. Com números bastante positivos, o município já deixou para trás a média brasileira em 2020.

Enquanto o país está na metade do alvo devido, em parte, à pandemia do coronavírus e o ‘fique em casa’ levado à risca, a Capital do Chimarrão superou a meta na maioria das imunizações previstas. E quem contribui para isso é Arthur Ferreira Bohnen. Aos 10 meses, ele já recebeu, ao longo do ano, todas as vacinas que abrangem sua faixa etária. Muitas podem ser momentaneamente doloridas, como a que ele tomou nesta semana, mas necessárias para um desenvolvimento saudável.

Para atualizar a caderneta, as lágrimas foram inevitáveis. A picada no braço esquerdo do menino foi para imunizá-lo contra a febre amarela. “Ele deveria ter tomado aos 9 meses, mas como não viajamos neste tempo e o médico disse que não haveria problema esperar um pouquinho, ele está fazendo agora”, revelou a mãe, Adenise Inês Ferreira.

Com a dose recebida, Arthur entra para a lista dos mais de 70% que já foram vacinados contra febre amarela em 2020 e está entre os dados superpositivos nas demais imunizações. Os números são tão otimistas que, de 12 tipos de vacinas aplicadas em crianças com até ano, 10 delas já superaram a marca de 100% ainda em agosto (veja box).

100%

Mas como explicar a superação da meta máxima? “Isso acontece quando vacinamos crianças que moram em outros municípios”, aponta a enfermeira responsável pelo setor de Imunizações do Município, Carla Lili Müller.

A rotina é bem comum, já que no Hospital São Sebastião Mártir nascem crianças que serão moradoras de Mato Leitão, Passo do Sobrado e Vale Verde, por exemplo, e acabam vacinadas aqui.

A população estimada para cada tipo de imunização também precisa ser considerada. A meta de 2020, por exemplo, foi baseada na última atualização do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) – no caso 2017. A estimativa para este ano é de 772 crianças.

Covid

Embora tenha números excelentes em Venâncio, o ‘ano do coronavírus’ causou oscilações, principalmente entre abril e junho. “Por causa da pandemia, houve uma pequena pausa, mas agora as pessoas estão voltando”, afirmou Carla Lili Müller.

No Brasil, a pandemia também é apontada como o motivo da baixa cobertura, que levou as pessoas a ficarem em casa e não saírem para vacinar os filhos.

Mas, ao mesmo tempo, o coronavírus pode ter levado ao caminho inverso. Muitas famílias, com receio de ficarem vulneráveis a outas doenças, buscaram a imunização. “O Covid pode ter contribuído por busca de vacinas, pelo medo de adoecerem por outras doenças. Observamos isso com os idosos, que neste ano se conseguiu rapidamente a cobertura da gripe”, considerou Carla.

Meta

De acordo com dados do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, até o dia 7 de setembro, cerca de metade das crianças brasileiras não recebeu todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Imunização em 2020. A cobertura vacinal estava em 51,6% para as imunizações infantis e o ideal é que ela fique em 90%.

Movimento

  • A baixa procura no Brasil pelas imunizações infantis não é exclusiva de 2020. No ano passado, por exemplo, sete de nove vacinas para bebês tiveram os piores índices de cobertura desde 2013.
  • Em alguns casos, como a BCG e a poliomielite, o porcentual de crianças vacinadas em 2019 foi o menor em mais de 20 anos, segundo dados oficiais do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
  • Ao analisar os números de Venâncio, observa-se uma queda em 2016 e 2017. Mas, segundo a enfermeira Carla Lili Müller, o problema passou pelo sistema de dados usado.
  • “Houve uma incompatibilidade nos sistemas de envio e recebimento, devido a inconsistências em cartões SUS. E quando ocorre um erro, isso não ‘entra’ no sistema do Ministério da Saúde”, explicou. Ou seja, na prática, Venâncio pode ter mantido bons índices, como os registrados em 2015 e a partir de 2018.
  • Atualmente, o Município utiliza o e-SUS, sistema de informações da atenção básica, que envia os dados para o Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI).

A importância da imunização em dia

Questionado sobre a queda na cobertura vacinal, o Ministério da Saúde afirmou que vários fatores têm interferido, “variando desde a falsa sensação de segurança causada pela diminuição ou ausência de doenças imunopreveníveis, desconhecimento da importância da vacinação por parte da população e as falsas notícias veiculadas especialmente nas redes sociais sobre o malefício que as vacinas podem provocar à saúde.”

A pediatra Samanta Feilstrecker chamou a atenção para o combate a doenças já controladas. “Temos a oportunidade de deixar nossos filhos protegidos contra doenças que existem vacinas para combater. Por que não fazê-lo? Atualmente existe um movimento antivacinas, totalmente sem fundamento e embasamento científico, que acaba trazendo à tona novamente doenças que já estavam controladas.”

A médica destacou ainda que a vacinação também é uma responsabilidade social. “Devemos pensar na importância que temos como pais e cuidadores e nas nossas obrigações de proteger nossos filhos, o que ao meu ver inclui vaciná-los. E também no papel que temos como cidadãos, pois quando decidimos não vacinar nossos filhos acabamos expondo as outras crianças.”

Grazieli mostra a caderneta de vacinação ‘em dia’ da pequena Joana (Foto: Rosilene Müller Fotografias/ Divulgação)

Prevenção

Joana, hoje com sete meses, tinha poucas semanas quando ‘estourou’ a pandemia do coronavírus. Isso foi em março e até então a pequena só tinha ido ao posto de saúde para receber a BCG.

Mas, mesmo em tempos que o sair de casa cause receio, os pais entenderam que ela não poderia ficar sem as doses seguintes. “A vacinação é primordial para proteger nossos filhos de doenças graves. Confesso que não é fácil ver o choro na hora do ‘pic’, mas é prevenção para a saúde”, resumiu a mãe de Joana, Grazieli Pittol.

Ainda que a maior dificuldade talvez seja ‘aguentar’ a agulha, a caderneta da pequena Joana é exemplo, com todos os respectivos espaços preenchidos. A próxima ida ao posto está prevista para novembro, quando ela completará nove meses, e deve receber a vacina contra a febre amarela.

De acordo com o primeiro parágrafo do artigo 14 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a vacinação é obrigatória em casos recomendados pelas autoridades sanitárias.

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