Foto: Juliana Bencke / Folha do MateHospital São Sebastião Mártir luta contra dificuldades financeiras e vai resolvendo as pendências a conta-gotas
Hospital São Sebastião Mártir luta contra dificuldades financeiras e vai resolvendo as pendências a conta-gotas

O Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) tem em aberto entre R$ 800 mil e R$ 900 mil referentes aos salários de dezembro dos médicos plantonistas, conforme informou ontem o administrador da casa de saúde, Fernando Branco, ao se manifestar sobre a possibilidade de paralisação parcial dos profissionais em virtude do atraso de pagamento, que deveria ter sido efetivado até o dia 15 deste mês.

Conforme Branco, o repasse aos plantonistas não foi feito porque o HSSM não recebeu recursos do Governo do Estado e do Instituto de Previdência do Estado (IPE) no valor de R$ 1 milhão e R$ 500 mil, respectivamente. “Estava tudo se encaminhando para o pagamento em dia, mas como deixamos de ter estes recursos em caixa, tivemos que atrasar.

Contudo, até o fim desta semana ou, no máximo, início da próxima, devemos ter esta situação resolvida. Estamos buscando os valores”, argumentou ele.

O administrador disse que não tinha conhecimento sobre paralisação parcial dos plantonistas e que a informação teria repercutido no hospital em razão de publicação na imprensa. “Fiquei sabendo pela Folha do Mate.

Nunca fomos procurados oficialmente por representantes dos médicos, no máximo tivemos consultas informais de alguns profissionais. Por isso, ficamos surpresos com o que saiu no jornal”, afirmou, em referência à nota divulgada na coluna Mateando, da edição de ontem da Folha do Mate.

Na segunda-feira, 28, à tardinha, um plantonista ligou para a redação informando que a paralisação parcial por conta dos salários atrasados iniciaria nesta terça-feira, 29. Consultados pela reportagem, outros profissionais que fazem plantão no HSSM confirmaram a decisão.

Ontem, um plantonista – que pediu para não ser identificado -, reforçou que os atendimentos estavam sendo feitos levando em consideração a “urgência por dor ou emergência” e que “casos de rede estão sendo atendidos se forem como uma martelada no dedão, como aconteceu hoje (ontem)”. Segundo fontes ouvidas pela Folha, o atendimento deve ser mantido nestes moldes até que os salários sejam repassados a todos os médicos.

Uma reunião entre representantes da direção do HSSM e dos médicos está agendada para hoje, para que uma previsão oficial de pagamento seja repassada aos profissionais.

“O hospital é sensível e sabe do descontentamento dos profissionais. Estamos encaminhando uma solução para o atraso. Utilizamos todos os nossos recursos e reservas para pagar salários e 13º em dezembro e não recebemos do Estado e IPE, o que nos obrigou a atrasar os pagamentos.”FERNANDO BRANCOAdministrador do HSSM

“Nossa expectativa, agora, é de receber na semana que vem. Isso já havia ocorrido em outras oportunidades e nós, médicos, é que tivemos que buscar informações sobre os motivos, pois ninguém nos avisou que o atraso era inevitável.”MÉDICO PLANTONISTAOuvido pela reportagem da Folha do Mate e que pediu para ter a identidade preservada

De acordo com Fernando Branco, não houve, recentemente, atrasos de três meses de salários. Segundo ele, o atraso é de 14 dias (hoje 15, portanto), pois o HSSM tem até o dia 15 de cada mês para pagar pelos serviços prestados no mês anterior.

“Sufocou de vez”, afirma administrador

Embora mantenha a esperança de que os problemas financeiros do Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) serão solucionados, o administrador Fernando Branco afirmou ontem que há preocupação com o futuro da casa de saúde. “Sufocou de vez”, admitiu ele, reforçando os atrasos de repasses do Governo do Estado e do IPE. “O Estado não envia recursos há quatro meses, já o IPE, quando faz, é parcial”, relatou.

Branco chegou a ventilar a necessidade de redução de serviços, caso o cenário não sofra alteração a curto prazo. Ele disse que não há um planejamento de quais serviços poderiam ser reduzidos, uma vez que haverá a necessidade de diálogo em razão de contratos assumidos.

O administrador comentou ainda sobre decisão do governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB), que na semana passada, em reunião realizada em Porto Alegre, com o presidente da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Antônio Cettolin, afirmou que a meta do atual governo é ter “previsibilidade” para manter em dia todas as competências do Estado com os municípios.

Leite anunciou ainda que as dívidas herdadas de outras gestões serão tratadas em um segundo momento. Entre repasses para o Hospital São Sebastião Mártir, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e Prefeitura de Venâncio Aires, são mais de R$ 5 milhões em atraso só da Administração de José Ivo Sartori (MDB).

Os médicos plantonistas da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) estão com os salários em dia, informou ontem o coordenador Rodrigo da Silva.