teste rápido Covid Venâncio Aires
Teste rápido é feito a partir da coleta de sangue no dedo da pessoa (Foto: Juliana Bencke/Folha do Mate)

Por Carlos Dickow e Juliana Bencke 

Desde que a pandemia de coronavírus virou realidade, Venâncio Aires enfrentou dois picos de casos confirmados da doença, um em maio e outro em agosto, este último em meio ao rigor do inverno. O cenário mais atualizado da Covid-19, no entanto, evidencia a desaceleração do número de infecções na Capital Nacional do Chimarrão. Desde o dia 13 de abril – quando o primeiro caso foi confirmado -, a Folha do Mate acompanha a evolução semanal dos números, a partir de informações repassadas pela Secretaria de Saúde.

Nas 15 primeiras semanas do levantamento, o período entre os dias 18 e 24 de maio foi o que mais teve casos confirmados, com 49 no total. A partir da 16ª semana, a Administração passou a oferecer a testagem em massa para a população. Como já se esperava, o número de novos casos disparou e, em sete dias, chegou a 76. As duas semanas seguintes (17ª e 18ª) registraram, respectivamente, 157 e 195 casos, este último o maior número de confirmação para o período de sete dias desde o começo da pandemia de coronavírus.

O número médio de casos de coronavírus registrados por semana, em Venâncio Aires, desde o dia 13 de abril, quando foi confirmado o primeiro caso é 54. Em média, no período, são quase 8,2 casos por dia.

Consolidação

À medida que agosto foi se encaminhando para o fim é que a desaceleração foi se consolidando. No período de 17 a 23 de agosto (19ª semana), foram 151 casos, e entre os dias 24 e 30, o número ficou em 100. Na 21ª semana, a última completa do levantamento – que considera sete dias entre segunda-feira e domingo -, 102 casos de Covid-19 foram informados. A 22ª semana será concluída domingo, 13. Considerando os casos confirmados entre segunda, 7, e sexta-feira, 11, o número já chega a 108, uma média de 21,6 casos por dia.

Gestão inteligente no combate à pandemia

A desaceleração do ritmo de crescimento da prevalência do coronavírus no Rio Grande do Sul foi o principal dado apontado pela oitava e última etapa do estudo Epidemiologia da Covid-19 no RS. Os resultados da pesquisa coordenada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) foram divulgados na quinta-feira, 10. A estimativa é de que a proporção de pessoas com anticorpos para a Covid-19 seja de 1,38% no estado: 156.753 gaúchos têm ou já tiveram Covid, o equivalente a um caso real de infecção a cada 72 habitantes.

Na sexta-feira, 11, em entrevista ao Terra em Meia Hora, da rádio Terra FM, a coordenadora do Comitê de Dados do Gabinete de Crise do Governo do Estado, Leany Lemos, destacou o achatamento da curva de casos de coronavírus no Rio Grande do Sul e a terceira menor taxa de óbitos do país, como os principais aspectos positivos do cenário da pandemia no estado.

Ela lembrou que a ideia inicial de ‘imunidade de rebanho’ – de que a pandemia seria superada quando determinado percentual da população fosse infectada e tivesse anticorpos para a doença – tem sido questionada. “Há uma discussão sobre a questão, pois se descobriu que os anticorpos podem não durar tanto tempo e não serem identificados com o teste”, comentou.

Com relação à situação de Venâncio Aires, ela também acredita em uma tendência de desaceleração do ritmo de contágio. Um dos aspectos que indica isso é que, mesmo com a testagem em massa, os resultados por semana têm permanecido estáveis, no último mês. “Quando se realiza mais testes, consequentemente se tem mais casos, por isso, o que se deve considerar é o número de óbitos, porque dá ideia da pandemia como um todo. O índice de letalidade de Venâncio é menos da metade da taxa da região metropolitana de Porto Alegre”, citou Leany. Para ela, isso mostra “a boa gestão que tem sido feita na pandemia”, com testagem e rastreamento dos casos. “Venâncio tem uma política muito inteligente e excelentes práticas”, considera.

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