“Momento mais delicado que a Covid”, afirma diretor técnico do hospital sobre a situação do HSSM

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O Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) chegou, na quinta-feira, 26, a 100% de ocupação dos leitos disponíveis. Com a superlotação, pacientes aguardaram ou mesmo precisaram ficar internados no Pronto Atendimento (PA). Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a situação também preocupa.

A ocupação de leitos acima da média, cerca de 85%, já acontece há cerca de três semanas e, de acordo com o diretor técnico do HSSM, Guilherme Fürst Neto, são pacientes internados por vários tipos de doenças e com muita gravidade, principalmente com sintomas respiratórios.

Durante coletiva de imprensa na quinta-feira, 26, o médico ressaltou que a situação não é exclusiva de Venâncio Aires. “Esse fenômeno é em todo o estado. O problema é que geralmente as internações e ocupações ocorrem no inverno, entre julho e agosto, e ainda nem estamos no inverno. É um momento bastante difícil e mais delicado que a própria Covid”, lamentou.

A afirmação do médico está sustentada no seguinte argumento: durante o auge da pandemia de coronavírus, entre 2020 e 2021, todos os esforços de quaisquer serviços de saúde, em qualquer parte do mundo, foram destinados a praticamente uma única doença. “Serviços pararam e, como muitos ficaram em casa, não adoeceram. Então, não tinha outras doenças para tratar e toda estrutura se focou na Covid. No hospital, por exemplo, o bloco cirúrgico parou porque virou uma UTI.”

Perguntado se a população pode estar mais suscetível a doenças, já que está novamente exposta sem a máscara que usou por dois anos, Guilherme Fürst Neto diz que isso já é ventilado por estudos médicos. “As pessoas estão ficando doentes facilmente. Tem gente que está há semanas gripada, melhora um pouco e volta de novo. E isso é com várias doenças, não apenas um tipo.”

Números recordes

Na coletiva de quinta, o HSSM apresentou alguns números para comprovar esse excesso de consultas e internações. Eles não consideram 2020 e 2021 (pandemia) e mostram que em maio de 2019, antes da Covid, a UPA atendeu 4.730 pessoas. Em maio de 2022, até quarta, 25, foram 5,5 mil.

A diferença dos números de abril é ainda maior: em 2019 foram 4.457 e, em 2022, 6.558. “Estamos falando de aumentos de quase 50%. E, além de vários tipos de doenças, ainda convivemos com a Covid, que requer atenção diferente, como isolamento”, destacou Guilherme Fürst Neto.

Devido ao momento, o médico pediu a compreensão da população. “Sabemos de tudo que está acontecendo e que não é o atendimento ideal para a população, mas pedimos a compreensão pela demora. É importante dizer que não existe culpado. O hospital está fazendo o que pode, a UPA já ampliou e vai aumentar mais o atendimento e o poder público também está fazendo sua parte. Ninguém tem culpa do que está acontecendo”, destacou.

O número de internações no HSSM em maio de 2022 (até o dia 25) foi 593. Em todo mês de maio de 2018, foram 546.

“Pedimos que a população entenda o momento, porque não há um culpado. A orientação é que cuidem-se e quem puder usar consultórios particulares e planos de saúde, por favor, o faça, porque isso desafoga o atendimento. Quem tiver que ser atendido no hospital e UPA será, talvez, não no tempo ideal, mas vamos atender a todos, com organização para ter qualidade no atendimento e não cometer nenhuma imprudência com nenhum paciente.”

GUILHERME FÜRST NETO – Diretor técnico do HSSM

Consultório será instalado na UPA

O diretor técnico do HSSM, Guilherme Fürst Neto, explica que a estimativa no estado é que esse momento deve durar cerca de oito semanas. Mas, sem certeza se será algo sazonal e se essa contagem de semanas já considera abril, o hospital se programa para melhorar o fluxo de atendimento nos próximos dias.
“Não se trata apenas de contratar ou reestruturar leitos e espaços, mas principalmente melhorar a definição de fluxo de pacientes. Além de compreensão, peço que as pessoas se cuidem mais”, enfatizou.
Durante reunião com o prefeito Jarbas da Rosa, a vice-prefeita Izaura Landim, e o secretário de Saúde, Tiago Quintana, também na quinta, o HSSM apresentou as mudanças

previstas. Conforme a Prefeitura, a partir de 1º de junho, mais um consultório será instalado na UPA, com nova equipe de médico, enfermagem e técnico para alterar o fluxo de entradas e atendimentos na unidade.

Também existe a possibilidade de ampliação do espaço físico da UPA para atendimentos, o que não é possível no hospital. Com aporte de recursos extras por parte do Município, será possível ampliar para quatro médicos disponíveis de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h. “Com isso, também vamos alterar a porta de entrada e saída de pacientes ‘amarelos’ e ‘vermelhos’ na UPA, com o objetivo de reduzir filas e humanizar os serviços”, disse Fürst.

Metas

Ainda nessa reunião, ficou estabelecido como metas para o mês de junho: aumentar e qualificar a equipe médica da UPA; aumentar o potencial de resolutividade no local, com exames e medicações; buscar cumprir os tempos de triagem; padronizar a triagem com o HSSM; e implantar um mecanismo automático de encaminhamento ao hospital.

O prefeito Jarbas da Rosa elogiou o trabalho de busca por alternativas, mas, para ele, elas não vão resolver o problema, apenas amenizá-lo. “Nossa meta, além de construir um Centro Materno Infantil para atendimento à pediatria, é deixar nossa rede de atenção básica novamente em condições. E vamos voltar a debater a ampliação urgente do hospital.”

Sobre isso, algo também cobrado por parte da população, Guilherme Fürst Neto argumenta: “Perguntam o porquê de não ter aumentado a estrutura do hospital ou número de leitos nos últimos anos. Por que a maior parte do tempo o hospital não está com toda ocupação. A maior parte do ano está com 60% e agora que se chegou a um período com 100%.”

Leitos

• O Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) tem 114 leitos, entre SUS e particulares, mas desse total nem todos estão disponíveis para a população em geral, porque há aqueles que são para situações específicas, como é o caso do berçário e da maternidade.

• Do que se pode usar, são considerados os leitos de internação clínica, cirúrgica e da unidade mental. Os 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) também estão sempre ocupados, já que a unidade é regulada pelo Estado. Assim, com a superlotação atingida na última quinta, oito pacientes chegaram a ficar internados no Pronto Atendimento (PA).

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