O poder de reabilitação da fisioterapia

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Ao longo da vida, são muitos os momentos em que as pessoas procuram os serviços de um fisioterapeuta. Seja para tratar lesão em alguma parte do corpo, reabilitação após alguma cirurgia ou recuperar movimentos devido a algum trauma neurológico, é papel do fisioterapeuta auxiliar os pacientes para a recuperação plena. Além disso, a atuação do profissional é muito forte em questões respiratórias.

A fisioterapeuta Ana Cristine Schwarzbold Frantz relata que os atendimentos relacionados a questões respiratórias aumentaram com pacientes positivados pela Covid-19, porém, por outro lado, houve queda nos atendimentos para pacientes com outras síndromes respiratórias. “Com o uso da máscara e a orientação de isolamento social, os casos de pacientes com outras síndromes respiratórias tiveram uma queda durante este ano, principalmente durante o inverno”, explica.

Sobre os benefícios da fisioterapia respiratória, Ana cita a eficácia da ventilação pulmonar e diminuição da sensação de dispneia (falta de ar), além de prevenir e/ou melhorar o acúmulo de secreções brônquicas, melhorar a resistência e a tolerância às atividades cotidianas e também ao exercício, melhorar a efetividade da tosse e, consequentemente, promover uma melhoria da qualidade de vida do paciente. “A fisioterapia respiratória é uma especialidade da fisioterapia que, através de estratégias e técnicas específicas, buscam a otimização do transporte de oxigênio”, conclui.

A profissional que atua na clínica Fisioterapia e Medicina Schwengber ressalta que a técnica é amplamente utilizada em casos de patologias respiratórias que apresentam limitação do fluxo aéreo, como asma, enfisema pulmonar, fibrose pulmonar, insuficiência respiratória, pneumonias e bronquite crônica, entre outros. “É muito indicada, também, nas unidades de terapia intensiva, em pré e pós-operatórios e a nível ambulatorial para adultos, idosos e crianças”, afirma. Também é utilizada com indicação preventiva para evitar doenças e/ou complicações respiratórias de qualquer causa.

Pós-operatório

A profissional, que é pós-graduada em Fisioterapia Hospitalar e Terapia Intensiva Adulto pelo Instituto de Educação e Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento, explica que a fisioterapia é muito importante em todos os casos de pós-operatório. Ela afirma que é indicada após qualquer tipo de cirurgia. “Diante do perigo causado pela imobilidade do paciente no leito no período pós-cirúrgico, as técnicas fisioterapêuticas se tornam essenciais para, além de reabilitar o paciente para o retorno das suas atividades de vida diária o mais breve possível, também auxiliar no controle e diminuição da dor e das tensões musculares”, diz.

Além disso, as sessões previnem a má circulação e surgimento de trombose venosa profunda. “Também existem casos em que a fisioterapia respiratória é altamente recomendada para restabelecer a função pulmonar do paciente, visto que o mesmo passou por um processo de anestesia e, muitas vezes, ventilação mecânica”, completa.

Ajuda profissional e força de vontade do paciente levam à recuperação plena

Eva Alves Liota, 62 anos, faz acompanhamento com a fisioterapeuta Ana Cristine Schwarzbold Frantz há três anos e meio. Ela estava internada no Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) devido a problemas pulmonares e, no dia que iria dar alta, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico.

Devido à gravidade da lesão, ficou internada duas semanas somente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e perdeu todos os movimentos no lado direito do corpo. “Fui entubada, não conseguia falar e tinha sonda para alimentação. Fiquei na cama um tempo”, relata. Nos primeiros dias após o ocorrido, Eva começou as sessões de fisioterapia. Depois que deu alta, foi morar com uma irmã em Vila Mariante e recebia as visitas da fisioterapeuta três vezes por semana. Nos demais dias, fazia os exercícios solicitados pela profissional.

Ela conta que os médicos diziam que as chances de recuperação dos movimentos eram mínimas. Porém, com muita força de vontade e o apoio da fisioterapeuta, voltou a andar. “Foi tudo devagar, aos poucos, lembro quando dei o primeiro passo, não imaginava que ia conseguir fazer isso”, declara.

Hoje, Eva faz fisioterapia uma vez por semana e já se locomove com a ajuda de uma muleta. Não conseguiu recuperar o movimento do braço, mas faz todo o serviço da casa. “Eu faço até pão, ganhei uma nova chance na vida”, considera.

Ana explica que, em casos neurológicos, a fisioterapia é essencial. Em situações como a de Eva e tantos outros, é muito importante que o paciente se ajude, queira melhorar e faça o que é proposto. “Sempre digo que só o nosso trabalho não é suficiente, o paciente precisa querer e a Eva sempre se esforçou muito”, comemora a profissional.

Ana afirma que, quanto antes for iniciada a fisioterapia, melhores serão os resultados. Os pacientes acometidos por AVC ou alguma outra condição neurológica geralmente possuem déficit motores significativos e a fisioterapia atua diretamente nesses casos, para manter ou melhorar a amplitude de movimentos, ganho de força muscular, melhora do equilíbrio estático e dinâmico, normalização do tônus muscular, entre outros.

“O principal objetivo nesses casos é ajudar o paciente a se adaptar às suas deficiências, favorecer sua recuperação funcional nas atividades de vida diária, motora e neuropsicológica e promover sua integração familiar, social e profissional”, comenta a fisioterapeuta. A reabilitação desses pacientes está diretamente ligada ao tipo e à extensão da lesão e, principalmente, à adesão ao tratamento por parte do paciente.

Fisioterapia em pacientes acamados

A fisioterapia é indicada mesmo para pacientes acamados e sem consciência?

“Sim. Pacientes internados em unidades de terapia intensiva submetidos à ventilação mecânica costumam ficar longos períodos restritos ao leito. Essa imobilidade acaba acarretando inúmeros efeitos deletérios ao paciente, como, por exemplo, atrofia muscular, diminuição da flexibilidade e mobilidade, aumento da tensão muscular, diminuição da força muscular, edema e complicações de origem pulmonar.

A fisioterapia atua diretamente nessas condições, melhorando e prevenindo-as. Tudo isso para que, quando o paciente se recuperar da sua doença de base, poder retornar as suas atividades o mais rápido possível e com menos sequelas.

Tudo isso se refere também a pacientes com doenças incapacitantes, onde o mesmo se mantém acamado ou em uma cadeira de rodas, podendo também apresentar todas essas condições e onde a fisioterapia traz grandes benefícios, minimizando tais efeitos e melhorando sua qualidade de vida.”

Ana Cristine Schwarzbold Frantz, fisioterapeuta.

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