A dentista Rosana dos Santos, 38 anos, passou em concurso da Prefeitura em 2005. Já trabalhou no interior e hoje está exclusivamente na UBS Gressler. Um dos pacientes é o aposentado Odoni Gomes, 66 anos, que hoje faz tratamento dentário. Ele avalia o atendimento como ótimo. (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

O serviço de um posto de saúde, tradicionalmente, ainda é muito relacionado àquele atendimento que só diz respeito à consulta médica, ao que não é urgente ou mesmo à manutenção da carteira de vacina. Mas, em Venâncio Aires, a maior parte das unidades municipais também oferece atendimento odontológico.

São 17 de 20 estruturas (85%) que contam com dentistas, em pelo menos algum turno entre manhã e tarde, de segunda a sexta-feira (veja box). Em 2019, já foram mais de 26 mil procedimentos realizados por 16 profissionais.

Segundo a coordenadora municipal de Odontologia, a dentista Daniela de Andrade Xavier, são oferecidos serviços básicos, mas com nomes não tão simples: profilaxia, restaurações, raspagens, pulpotomias, consulta inicial de endodontia, cirurgia oral menor, radiografias e urgências. A média de custo mensal com a saúde bucal no Município é de R$ 160 mil.

Ainda conforme Daniela, a forma com que acontecem os agendamentos é diferente em algumas unidades e, na maioria, o paciente inicia o tratamento e só é liberado quando finalizado. “Mas isso não acontece em todos os postos, depende a demanda, em alguns ainda acontecem os agendamentos por ficha. É importante deixar claro que, em todos os postos, a consulta de urgência não necessita agendamento prévio, porque sempre é deixado horário para esses pacientes.”

A dentista reforça que o tratamento também é responsabilidade do usuário. “Quando acontece agendamento e o paciente falta, alguém que precisa poderia ser atendido, se houvesse desmarcação. Estamos tentando conscientizar, porque precisa do comprometimento de ambas as partes.”

ESPECÍFICOS

De todas as estruturas municipais, apenas duas oferecem dentistas fixos durante as manhãs e tarde, de segunda a sexta: ESF Macedo e ESF Santa Tecla. “Em uma ESF (Estratégia Saúde da Família) que tenha a equipe de saúde bucal, o dentista e a auxiliar de saúde bucal são fixos e essas unidades podem atender somente moradores da sua área”, destaca Daniela.

Outra especificação são os casos dos postos Central e Cruzeiro, que estão entre as três unidades municipais que não oferecem atendimento odontológico. Estes postos são referência para outras especialidades, como o Centro Materno Infantil e o PAM, com atendimento de especialistas. Quanto à UBS de Vila Arlindo, o secretário de Saúde de Venâncio Aires, Ramon Schwengber, disse que “não está descartado ter este [dentista] atendimento”.

A Penitenciária Estadual de Venâncio Aires (PEVA) também conta com uma equipe e isso inclui um dentista. O atendimento ocorre nas segundas, terças e sextas-feiras.

CONSULTAS

Para consultar com dentista em ESF, a coordenadora municipal de Odontologia, Daniela Xavier, explica que existe o cadastro das famílias que são atendidas. Elas têm um ‘cartão da família’, como forma de comprovar que recebem atendimento naquela unidade, além do cartão SUS. Já em uma UBS, basta o cartão SUS e um documento de identificação, como RG ou CNH.

UNIDADES COM DENTISTAS

MANHÃ

  • Segunda-feira: ESF Santa Tecla, ESF Macedo, ESF Caic, ESF Tabalar, ESF Mariante, ESF Coronel Brito, UBS Santa Tecla, UBS Gressler, UBS Deodoro, UBS Palanque, UBS Santa Emília, UBS Estância e UBS Teresinha.
  • Terça-feira: ESF Santa Tecla, ESF Macedo, ESF Caic, ESF Tabalar, ESF Mariante, ESF Coronel Brito, UBS Santa Tecla, UBS Travessa, UBS Gressler, UBS Centro Linha Brasil, UBS Tangerinas, UBS Palanque e UBS Santa Emília.
  • Quarta-feira: ESF Santa Tecla, ESF Macedo, ESF Caic, ESF Tabalar, ESF Mariante, UBS Santa Tecla, UBS Gressler, UBS Deodoro, UBS Palanque e UBS Santa Emília.
  • Quinta-feira: ESF Santa Tecla, ESF Macedo, ESF Caic, ESF Tabalar, ESF Mariante, ESF Coronel Brito, UBS Santa Tecla, UBS Travessa, UBS Gressler, UBS Centro Linha Brasil, UBS Tangerinas, UBS Palanque, UBS Santa Emília e UBS Estância.
  • Sexta-feira: ESF Santa Tecla, ESF Macedo, ESF Caic, ESF Tabalar, ESF Mariante, ESF Coronel Brito, UBS Santa Tecla, UBS Gressler, UBS Palanque e UBS Santa Emília.

TARDE

  • Segunda-feira: ESF Santa Tecla, ESF Macedo, ESF Coronel Brito, UBS Santa Tecla e UBS Gressler.
  • Terça-feira: ESF Santa Tecla, ESF Macedo, ESF Caic, ESF Coronel Brito e UBS Gressler.
  • Quarta-feira: ESF Santa Tecla, ESF Macedo, ESF Caic, ESF Coronel Brito, UBS Santa Tecla e UBS Gressler.
  • Quinta-feira: ESF Santa Tecla, ESF Macedo, ESF Caic, ESF Coronel Brito, UBS Santa Tecla e UBS Gressler.
  • Sexta-feira: ESF Santa Tecla, ESF Macedo e ESF Coronel Brito.

Quase 30 anos de serviço público

Orion Luiz Haas tem 59 anos e metade da vida trabalha com serviço público. Durante 16 anos, foi dentista nas unidades de Tangerinas, Deodoro, Teresinha, Caic e Cerro dos Bois. Agora, já são quase 14 em Vila Palanque e no bairro Gressler. “Todo profissional tem que fazer o lado social, se puder ter a oportunidade de trabalhar com serviço público. Porque a gente procura atender bem, seja no posto seja no consultório”, destacou Haas.

Durante as terças, quintas e sextas-feiras pela manhã, ele se dirige a Vila Palanque para atender, geralmente, oito pessoas (seis fichas agendadas e duas de urgência). Entre os pacientes, a agricultora aposentada Dirley Noely da Silva, 64 anos. Ela mora há 23 anos em Palanque e sempre fez o atendimento inicial no posto. “Sempre foi tranquilo para ser atendida. Durante muito tempo usei dentadura e isso machucava um pouco. Agora tenho implante, que fiz particular.”

Com a nova ‘estrutura bucal’, as visitas já não são mais tão frequentes, mas Noely diz que, quando precisa, continua indo ao posto.

Além de Palanque, os pacientes também vêm de outras localidades, como Linha Herval e Grão-Pará. Pela proximidade com o município vizinho, até moradores de Mato Leitão são atendidos.

Orion Haas trabalha há quase 14 anos na UBS de Vila Palanque (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

MUDANÇA

Atendendo desde pequenos a mais velhos, ou crianças de anos atrás que hoje já levam os próprios filhos, Orion Haas diz que se foi o tempo de quem nunca vai no dentista. “Antigamente o pessoal só ia quando ‘doía’ ou com ‘tocos’ de dente na boca. Mas com a informação e o trabalho preventivo, a saúde bucal não é mais desassociada da saúde como um todo.”

Pelos tempos na saúde pública, Haas entende que a demanda é crescente e que, na sua opinião, deveria ter o dobro de profissionais atendendo. “Acho que primeiro precisa zerar o básico para depois expandir. Porque se tiver atendimento de dia, de noite não precisa. A prevenção estará feita.”

DEMANDA

Um dos defensores da ampliação do atendimento odontológico no município, inclusive com indicações ao Executivo, é o vereador André Puthin (MDB). Ele, que também é dentista, entende que o problema é o fim de semana. “Sabemos que no hospital é difícil e tudo depende de recursos, mas na UPA poderia ter essa adaptação.”

Recentemente, a UBS Gressler começou a trabalhar com horário estendido até as 21h, segundas e terças-feiras. Mas, para dentistas, não há definição. “Precisamos ver a demanda, mas, por enquanto, não tem previsão de aumento no serviço odontológico”, informou o secretário Ramon Schwengber.

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