Leni e Juliana vivem a expectativa pela alta de Daniel, internado desde 5 de maio para tratamento da Covid (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

Há 39 dias, a aposentada Leni Frohbose Tonezer, 62 anos, só consegue ver o filho por meio de visitas no Hospital São Sebastião Mártir (HSSM). Daniel Fagundes da Silva, 34 anos, foi o primeiro morador de Mato Leitão a ser diagnosticado com a Covid-19. Os sintomas, entre eles dor de cabeça, vômito, febre e tosse, começaram no dia 1º de maio. No dia 5, ele procurou atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) e foi encaminhado para a casa de saúde de Venâncio Aires como caso suspeito de coronavírus.

“Quando falaram que ele precisava fazer o teste, já comecei a chorar. Algo me dizia que o resultado ia dar positivo”, conta Leni. Daniel ficou internado três dias no setor de isolamento da Covid-19 instalado no HSSM. Na tarde da sexta-feira, 8, ele foi transferido para a UTI. Neste mesmo dia, à noite, a família recebeu o resultado do teste que confirmava a infecção por coronavírus.

“Ele ficou 20 dias dormindo [coma induzido]”, recorda a mãe. Agora, Daniel está bem e lúcido. Segundo a mãe, a equipe médica fez uma traqueostomia e tem retirado o respirador aos poucos, para que ele consiga voltar a respirar sem a ajuda de aparelho. “Ele já tenta falar, mas às vezes não sai voz, então precisamos ler os lábios”, acrescenta. Para Leni, o mais difícil nesse período foi não poder estar ao lado do filho durante o tratamento.

Daniel e a namorada Juliana (Foto: Arquivo pessoal)

“Só queria poder trocar de lugar com ele”, diz, em meio a lágrimas. A aposentada lembra que durante 15 anos o filho precisou fazer hemodiálise. Além disso, há cerca de 5 anos, Daniel recebeu um transplante de rim, no fim do ano passado fez uma cirurgia por causa da sinusite e também já passou por um cateterismo. Em todas essas situações, ela esteve junto dele, dando suporte. “Agora estou um pouco mais tranquila, porque ele está reagindo bem. Mas não é fácil.”

Além de não poder estar com o filho em todo esse período, para a aposentada, o Dia das Mães deste ano também foi muito complicado, a data foi comemorada no dia 10, domingo seguinte à sexta-feira que Daniel tinha sido internado na UTI. Tanto Leni quanto a namorada de Daniel, Juliana Andréia Dörr, 20 anos, deixam como mensagem que as pessoas se cuidem e levem a sério todas as recomendações de prevenção.

“Ninguém imagina o que é isso: olhar a pessoa e não poder fazer nada para ajudar”, desabafa Leni. A família também agradece aos amigos e parentes que desde o dia da internação estão orando pela saúde de Daniel. “Quando ele sair do hospital quero o abraçar muito. Vai ser a nossa maior vitória”, destaca a aposentada.

Ela e a nora Juliana, além de outros familiares que tiveram contato com o Daniel, fizeram teste rápido para o diagnóstico da Covid e o resultado foi negativo. Contudo, Leni e Juliana cumpriram 15 dias de isolamento domiciliar. Elas também optaram por higienizar a casa, como forma de prevenção.

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