Faltavam alguns minutos para o meio-dia de domingo, quando o brigadiano responsável pelo monitoramento das câmeras de segurança flagrou uma movimentação estranha, em um dos acessos a Venâncio Aires. Um homem parou uma camioneta importada às margens da rodovia, desceu, fez uma ligação em um telefone celular, fumou um cigarro, voltou ao veículo e seguiu em direção ao centro da cidade, desaparecendo. A semelhança dele com um indivíduo procurado em todo o Rio Grande do Sul é tanta que mobilizou a polícia da região.

A pedido do major Ailton Pereira Azevedo e do delegado Felipe Staub Cano, o homem não será identificado. O sósia entrou na cidade pelo acesso Dona Leopoldina, parou em frente ao Parque do Chimarrão, desceu, caminhou pelo acostamento, fez uma ligação e fumou um cigarro. Em um determinado momento, olhou na direção da câmera de segurança, jogou o cigarro fora e seguiu adiante.

Ao verificar as imagens, o operador pensou estar diante do procurado e entrou em contato com o major Azevedo. O oficial foi até a Brigada Militar e fez contato com os delegados Cano e Paulo César Schirrmann. O investigador Paulo Ullmann e o inspetor Cassiano Dal Ongaro também foram acionados para ver as imagens.

Outras situações intrigaram os policiais. Afora a semelhança do motorista com o procurado, a camioneta importada não estava em seu nome, a placa era de outro município e sumiu assim que entrou na cidade. Neste momento, policiais civis e militares estavam mobilizados na procura da camioneta. A Polícia Federal foi contatada e através da placa soube que ela não passou por pedágios.

Na central de videomonitoramento, Ullmann, um dos policiais mais antigos da região e que conhece a trajetória do procurado, ficou impressionado ao ver as imagens. “Fomos unânimes em dizer que era ele. Não só pelo aparência física e pelo cabelo, mas também pelo resto do contexto”, explica.

Mobilizados, os policiais se dividiram e vasculharam o Município. No meio da tarde, um ‘P2’ – a polícia discreta da BM – avistou a camioneta no pátio de uma casa, no bairro Xangrilá. O local foi cercado e o homem, identificado.

Diante do morador de Viamão, alguns policiais que não conhecem o indivíduo pessoalmente, acreditavam se tratar dele. “Mas tive certeza que não era ao ouvir ele falar, antes mesmo de vê-lo”, contou Ullmann. O ‘sósia’ tem parentes em Venâncio Aires e é músico em Viamão. Ao ver a foto do procurado, se impressionou com a semelhança.

à noite, quando retornava para Viamão, o músico foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal. Como o procurado tem fotos espalhadas por todos os órgãos policiais e devido à semelhança, o músico ficou detido alguns instantes, até que a situação foi resolvida e ele seguiu viagem. A pedido da família, seu nome e imagem não serão divulgados. Mas a semelhança é grande.

INTEGRAçãO

Para o delegado Cano, a mobilização ocorrida domingo à tarde mostra a harmonia do trabalho entre a Polícia Civil e a Brigada Militar, e a eficiência do sistema de vídeomonitoramento. “Isso serviu para mostrar que as câmeras funcionam muito bem e que a integração entre a Polícia Civil e a Brigada Militar é muito boa”, destacou.

Cano ressaltou que se a PC tivesse acesso ao sistema, os resultados poderiam ser ainda mais positivos. “Teríamos mais agilidade nas informações, sem precisar nos deslocarmos até a BM para verificar determinadas situações”, disse.

O major Azevedo menciona que a intenção é de disponibilizar uma senha para que a PC tenha acesso, via internet, às imagens geradas por todas as câmeras. “Agiliza o trabalho e acelera o processo de informação, ao mesmo tempo que sabemos quem as está visualizando”, observa.