Luana e Ana Laura se dedicam à pesquisa sobre Plantio Direto na Palha e pretendem dar segmento ao estudo sobre o impacto de agrotóxicos na agricultura (Foto: Juliana Bencke/Folha do Mate)

O envolvimento com causas ambientais tem garantido destaque a projetos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Dom Pedro II. Há duas semanas, o trabalho ‘PDP: uma alternativa para os solos contaminados pelo uso de agrotóxicos’ foi escolhido para representar a região na final 10ª Mostra Científica Sul-brasileira Verde é Vida, durante a Expoagro Afubra, em 2019.

Iniciado no ano passado, como uma atividade da turma, o projeto teve continuidade, em 2018, pelo interesse das alunas do 8º ano, Luana Gabriela Stacke, 14 anos, e Ana Laura Vieira de Borba, 13 anos. Com a orientação da professora de Língua Portuguesa, Franciélle da Rosa, elas se debruçam sobre um tema comum à maioria das famílias dos estudantes: o uso de agrotóxicos na produção agrícola.

Com o objetivo de encontrar respostas para questionamentos como o uso recorrente dos produtos, quais as doenças que eles causam e o impacto no solo, os alunos conversaram com um técnico agrícola. A partir disso, descobriram uma técnica de plantio que reduz o uso de agrotóxicos a quase zero: o Plantio Direto na Palha (PDP).

Segundo Ana Laura e Luana, o PDP pode ser utilizado no cultivo do tabaco e consiste no plantio de espécies como crotalária ou milheto nos canteiros, no período em que as mudas ainda não foram plantadas. “A crotalária tem um cheiro que afasta os insetos. É um biopesticida. Essas plantas secam, apodrecem e viram adubo. Assim, o solo vai se recuperando”, explica Ana Laura.

Em uma experiência prática, com plantio de alface, as alunas comprovaram que hortaliças cultivadas com a técnica PDP cresceram mais vistosas dos que as demais. “A produtividade é maior do que com agrotóxicos, é mais seguro para os produtores que não sofrem riscos de ter doenças causadas por eles, e a natureza também agradece”, comenta Ana Laura. “Essa técnica também ajuda na recuperação do solo, o alimento fica mais saudável e isso ajuda na saúde das pessoas”, complementa Luana, que está incentivando a família a utilizar o PDP.

Nesta semana, o projeto participa da VII Mostra Venâncio-airense de Cultura e Inovação (VII Movaci), no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) Venâncio Aires, e, em outubro, integrará a Feira de Ciências da Universidade do Vale do Taquari (Univates). Ana Laura e Luana já adiantam que a ideia é não parar a pesquisa. “É um tema amplo, muito relacionado à nossa região e que tem muita coisa para se aprofundar”, destaca Ana Laura.

Valorização

Para a diretora Sabrina Daniana da Rosa, o desempenho dos estudantes nas mostras de projetos é sinônimo de orgulho para a escola, que tem 164 alunos. “Todas as turmas procuram desenvolver um projeto, de acordo com o nível. A participação em feiras e avaliação dos trabalhos motiva os alunos a quererem participar, cada vez mais cedo. Eles se envolvem com o tema, estudam e passam a dominar o assunto. É uma forma de dar visibilidade a uma escola do meio rural.”

Turma do 5º ano está empenhada em ajudar o meio ambiente, por meio da utilização de sacolas retornáveis de pano (Foto: Juliana Bencke/Folha do Mate)

Consciência para reduzir uso de sacolas plásticas

Não são apenas estudantes do 8º ano que vão levar o nome da Emef Dom Pedro II para fora do município. Depois de estudos e descobertas sobre as consequências do uso excessivo de sacolas plásticas, a turma de 5º ano, coordenada pela professora Andréia Luísa Siebeneichler, prepara-se para divulgar o trabalho ‘O uso consciente das sacolas plásticas’, na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), em Novo Hamburgo, no próximo mês. O projeto foi classificado para a feira após desempenho na VII Mostra Municipal de Trabalhos Escolares Construindo Aprendizagens, no fim de agosto.

De acordo com os estudantes Caliel Aparecido Lopes, 11 anos, e Thales Henrique Lopes Metz, 10 anos, o projeto surgiu após os alunos descobrirem os danos ao meio ambiente e aos animais que o uso excessivo de sacolas plásticas e o descarte incorreto delas pode causar. “Aproveitamos para estudar outras coisas produzidas a partir do petróleo e também realizamos recolhimento de lixo na estrada próximo à escola”, acrescenta a professora.

Entre as alternativas buscadas pela turma para amenizar a situação, o uso de sacolas de pano surgiu como a melhor opção. A partir disso, foram confeccionadas sacolas personalizadas e com slogan criado pelos estudantes, para que cada família adotasse o hábito de utilizá-la. A cor branca foi utilizada pois é considerada a mais indicada, para evitar a contaminação dos alimentos transportados. “Agora, meu pai sempre leva essa sacola quando vai ao mercado”, garante Thales.

Os alunos explicam que, além do uso de sacolas retornáveis, outras ações simples também podem contribuir com o meio ambiente. “Quando alguém vai na farmácia e compra alguma coisa pequena, pode colocar dentro da bolsa ou no bolso. Não precisa pegar sacola”, comenta Caliel. “Também dá para pedir para encher mais a sacola, no supermercado, e usar uma caixa de papelão para carregar os produtos”, sugere Thales.

Iniciativas ambientais

Além da participação no projeto Verde é Vida, da Afubra, e da realização de projetos com temáticas ambientais, a escola realiza ações voltadas à preservação da natureza e à qualidade de vida. Entre elas, estão a horta escolar, que fornece alimentos para as refeições dos estudantes, e a arrecadação e venda de materiais recicláveis, como garrafas pet e vidro.

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