Foto: Polícia Civil / DivulgaçãoFelipinho: morte prematura aos 22 anos
Felipinho: morte prematura aos 22 anos

Vida de Felipe Stein durou apenas 22 anos. Apesar disso, Felipinho, como era conhecido, colecionava acusações e suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas e de participação em morte e execuções. Ele morreu quinta-feira à noite no Hospital São Sebastião Mártir, em virtude de um atentado à bala, sofrido horas antes no bairro Gressler.

Felipinho morava próximo de onde foi atacado e ferido a tiros de revólver e pistola. No dia do crime, estava sozinho em seu automóvel, um Ford Fusion. Foi abordado por dois homens armados com revólver e pistola. A dupla deu pelo menos nove tiros contra o carro.

Ele tentou fugir correndo, mas foi perseguido pelos dois atirados. Felipinho foi atingido por três disparos, caindo no pátio de uma casa, na rua Armando Ruschel.

Os executores ocupavam um Renault Clio, cinza, que fugiu em direção à Linha Bela Vista. A Brigada Militar fez buscas, mas ninguém foi preso. Ontem, agentes do Setor de Investigações (SI) receberam uma informação sobre a localização de um veículo, com estas características.

O carro estaria abandonado, na área rural de Venâncio Aires. Os policiais foram ao local e a informação, em partes, se confirmou. O carro realmente era um Clio, mas pertence a um morador da localidade, que não tem relação alguma com o ocorrido. O veículo estava próximo a um arroio, onde um conhecido do dono, pescava.

Desde novo

Felipinho teve envolvimentos com a polícia, quando ainda era menor de idade. Em uma ocasião, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa onde morava, os policiais apreenderam maconha, crack, dinheiro, um celular e uma pistola de brinquedo.

Nesta mesma época, foi acusado de tráfico e posse de entorpecentes. Felipinho, conforme a polícia, como menor de idade, ainda é suspeito de ter participado de um homicídio, em 2009, em Linha Travessa, e de outras quatro execuções.

Uma delas, no próprio bairro Gressler. Na noite do dia 27 de janeiro de 2009, André Rodrigo Ferreira, o Goré, foi morto com quatro tiros. Ele já havia sido baleado anteriormente, duas vezes, mas sobreviveu.

Outra acusação que recaia sobre Felipinho é de uma execução no bairro Cruzeiro. A vítima, ênio Adair Frantz, o Tita, foi morto com diversos tiros, na noite de 5 de janeiro de 2010. Quatro meses antes, escapou de um atentado, ao ser atingido por um tiro no rosto.

A outra execução que teria a participação de Felipinho, em Venâncio Aires, foi praticado na noite do dia 26 de junho de 2011, no bairro Leopoldina. Um adolescente foi levado até uma rua escura e morto a tiros.

A quarta execução foi praticada em Santa Maria. Em todas estas execuções, as vítimas foram mortas com tiros na cabeça.Em setembro de 2011, já maior de idade – e em virtude dos seus antecedentes -, foi encaminhado à Fundação de Assistência Sócio-Educativa (Fase), em Porto Alegre.

Investigado

De acordo com o investigador Paulo Ullmann, chefe do SI, Felipinho sempre foi investigado por envolvimento no tráfico de entorpecentes. Como maior de idade, era suspeito de participação em outras duas mortes e uma tentativa.

Um das vítimas foi um pedreiro, que morreu inocentemente. A polícia apurou que o filho dele tinha desentendimentos com Felipinho. O jovem já havia sofrido um atentado, mas não foi atingido. O pai foi morto a tiros, dentro da casa onde morava, no bairro Gressler.

A última morte que teria tido a participação de Felipinho foi praticada segunda-feira à tarde, também no Gressler. Alcírio da Silva Bueno, o Kiko, 46 anos, foi atraído até o portão da sua casa e executado. Três suspeitos do crime foram presos.

Durante as investigações, a polícia descobriu que Kiko vinha sofrendo ameaças de morte, que teriam sido feitas por Felipinho. Para a polícia, ele foi o mandante do crime. Tanto que o delegado Vinícius Lourenço de Assunção, após autuar os três indivíduos pelo crime, representou pela prisão preventiva de Felipinho.

O titular da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento acredita que a sua representação não havia sido apreciada pela juiz João Francisco Goulart Borges. Felipinho foi sepultado ontem, no Cemitério dos Machados, em Vila Santa Emília.