Arte retrô

Depois de muitos anos sem vontade, resolvi tomar gosto por ir ao cinema. Ainda timidamente, é verdade, mas comecei. Influência da minha mulher, apaixonada pela sétima arte e que, por sinal, resolveu escrever – e muito bem – a respeito, vide a página Club do Filme no Instagram. Pois bem. Fomos ver o Coringa com Joaquin Phoenix e agora mal vejo a hora de assistir à sexta (!) sequência de O Exterminador do Futuro, lançada na última quinta-feira. Em 14 de Novembro, será a vez de Ford vs. Ferrari, com uma incrível história do esporte a motor que culmina nas 24 Horas de Le Mans de 1966. Notou algo em comum? Pois bem. A onda continuísta e inspirada no passado não é privilégio da indústria da música.

De volta para o passado

Vejamos: o Coringa é um vilão que aparece pela primeira vez nos quadrinhos em 1940 e no cinema em 1966, com interpretação do seminal Cesar Romero, na primeira encarnação do Batman na tela grande. É o mesmo ano do ápice da história de rivalidade automobilística protagonizada por Henry Ford II e Enzo Ferrari. A famosa série Terminator é mais jovem, mas nem tanto: foi parida em 1984 e teve seu auge em 1991. Quase contemporâneo ao Guns N’ Roses, que entregou a música-tema arrebatadora do segundo filme da franquia.

Resgate

As similaridades não param. A série estrelada por Arnold Schwarzenegger e a banda capitaneada por Axl Rose se recuperam de períodos longos de ostracismo. Precisaram recorrer a antigos parceiros para buscar a retomada de seus dias de glória – os donos dos direitos do Exterminador buscaram o próprio ator austríaco, a atriz Linda Hamilton e o produtor e diretor James Cameron, enquanto Rose precisou trazer Duff McKagan e o agora ex-rival Slash para se aprumar. Cá e lá, o passado ainda é a força-motriz do futuro de um modo até preocupante. Não diria isso sobre o cinema, mas em pouco tempo o rock talvez precise trocar sua dita data comemorativa , de 13 de julho para o dia de hoje.

A gente não sabemos

Leio afirmação que repercutiu na semana sobre a (falta de) inteligência do eleitor local. Vejamos algumas notícias relacionadas ao tema, em especial as veiculadas nos últimos 15 dias, mais ou menos: Bíblia gigante, crise e demissões no hospital, salários atrasados há cinco anos, óleo incontido nas praias do nordeste, novo AI-5, suspeitas no assassinato de Celso Daniel e por aí vai. Sejamos razoáveis: a dita burrice eleitoral é real. E não é exclusividade da casa: aplica-se a gaúchos e brasileiros. Mais de trinta anos se passaram desde o surgimento do clássico do Ultraje a Rigor e a gente, na média, ainda não sabemos escolher presidente – nem deputado, vereador, presidente de associação de bairro e o que mais se assemelhar.

Três acordes

# O tópico acima poderia, sem tirar nem por, ser batizado e balizado como They Don’t Care About Us ou Sad But True.

# Afinal, a dose desejada de infâmia seguiria a mesma – tanto no viés humorístico-textual adotado quanto na relação da classe política com a população.

# Nada mudará enquanto a população mantiver atitudes, dentro ou fora de suas cabines eleitorais, ao nível do conhecimento de Anitta, a cantora mais popular do país, sobre a produção de leite. Exemplos sintomáticos, diga-se, de que tudo que ocorre na política e na música não é por acaso.

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