Lide

É crível que o prezado leitor tenha visto a publicação de notícia, nos últimos dias, sobre o lançamento do primeiro clipe do duo RockNeon – disponível no canal deles no YouTube –, que inclui o venâncio-airense Rafael Campos. Ele se uniu ao candelariense Fábio Pivetta Hörbe para inusitada mistura musical, entre sua guitarra e o bandoneon tocado pelo colega. A música em questão, Anti-Herói, contou ainda com a percussão do santa-cruzense Edinho Nascimento e backing vocals do nativo Thomás Lenz, dono do estúdio onde ocorreu a gravação. A história, porém, vai além do mero lide.

Lunáticos

Campos é mais conhecido como Da Lua, figura recorrente na cena musical garageira local do fim dos anos 90 pra cá. E o Anti-Herói da letra é seu pai, Elvino Inácio dos Santos, o Nânthia, alguém de quem os moradores de Sebastianfield com mais de 40 anos de vida certamente se recordarão. Ele escreveu a letra – a qual descreve ser sobre a vida, os demônios e vícios do progenitor, os quais defendeu até a morte – em 2013, quando resgatou da rua o pai, então em nova recaída de abuso de substâncias químicas. Tal agrura acompanhou Santos por quase toda a vida, o que fica bem claro no verso ambíguo e com endereço certo que conclui o refrão: agora tudo virou pó.

Tempo, preços e apostas

Nânthia, o pai, morreu em 2016, apenas um mês após desfilar no Carnaval de Rua local, numa cadeira de rodas, pela escola de samba Malandros do Ritmo, da qual foi mestre de bateria por longos anos. É uma das daquelas figuras que compõem uma espécie de folclore local, deveras lembrado ainda por quem ia aos bailes na Sociedade de Leituras e Sete de Setembro ou jogos do Guarani – onde puxava a famosa charanga– em épocas de grande prestígio popular destes. O clipe conta com cenas dos dois filhos de cada músico, em bela ilustração da mensagem da canção: a busca das crianças pela imagem de herói para o pai – o que as apostas de cada um nem sempre fazem virar realidade.

Moto, balão e trovão

A melhor história deste Festival de Balonismo que já está em curso é o Moto Balão: o nome inusitado foi dito pelo músico Fernando Bergmann, falecido em outubro, ao sugerir em conversa bem humorada, como era de seu feitio, que houvesse no evento um encontro motociclístico com shows de rock. Pois dito e feito: a reunião entre os sons das Hayabusas e das guitarras se dará hoje no Parque do Chimarrão, com sonoplastia a cargo de Dozeduro e Riffnaria. O palco do encontro é batizado como Thunder, apelido que o querido Bergmann carregava – e que certamente lhe faria sorrir e saudar os cachorrões, outro alegre termo seu, que levaram a ideia adiante.

Três acordes

# Este espaço mais uma vez se destaca em pesquisa sobre colunas de música em jornais venâncio-airenses escritas por cabeludos. As informações são da Fundação Alto e Bom Som, ligada ao MPBLT – Movimento Plante uma Bíblia e Leia uma Tipuana.

# Pelas inovações que envolvem textos e comentários exitosos, receberei o prêmio Preferência Verdadeira: um lindo troféu, em forma de pinheirinho de um led que não era o Zeppelin. Bonito – e até que me saiu bem baratinho. Felicidades para mim.

# Patifarias à parte, haja bom (ou mau) humor para suportar alguns açoites da realidade cotidiana. Por certas vezes, é uma lástima pensar que a manifestação do pensamento através de música com os amigos tenha sido trocado por postagens em redes sociais, em pleno período de fartura de bizarrices explicitadas.

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