Tic-tac…

2 Minutes to Midnight é um dos principais clássicos do Iron Maiden e de todo o heavy metal em sua essência. Segunda faixa do espetacular disco Powerslave, de 1984, é uma das pérolas compostas pelo guitarrista Adrian Smith e o vocalista Bruce Dickinson. O riff principal é uma releitura de Smith para outro clássico, este quase dez anos mais antigo – Burn, do Deep Purple. Na letra, repleta de analogias, o seminal vocalista dá recados claros, como o de que o conflito ali narrado vai matar tudo aquilo que está somente no útero e/ou ainda nem nasceu – ou seja, o futuro de todos nós.

23:58

A inspiração para o hino, de título facilmente traduzido para Dois Minutos para a Meia-Noite, vem do chamado Relógio do Juízo Final – no original, Doomsday Clock. Um equipamento metafórico sobre os riscos da extinção da humanidade por uma guerra nuclear, criado e mantido desde 1947 pelo Comitê de Cientistas Atômicos da Universidade de Chicago. A meia-noite representa o fim da linha. Para todos. E o mais perto disso que o relógio chegou, conforme as conclusões dos cientistas, foi à marca de 23 horas e 58 minutos – ou seja… –, após testes de dispositivos termonucleares entre EUA e URSS em 1953 e outra vez em 2019, diante dos perigos das mudanças climáticas e da falta de progresso dos governos na redução de riscos nucleares.

E contando…

A lembrança da contagem foi invocada de imediato após as pouco alvissareiras notícias da quinta-feira à noite, quando do ataque dos EUA que matou uma das principais chefias militares do Irã. Especialistas temem que o relógio fique próximo, como nunca antes, de uma meia-noite que seria bem menos misteriosa do que a cantada por Zé Ramalho – e bem mais parecida com aquela sanguinária descrita por Dickinson: em que a população, sem diretamente ter relação com tais disputas, lubrifica as mandíbulas da máquina de guerra com seu apoio a políticos escusos – e alimenta ela, a máquina, com seus próprios filhos, mandados ao campo de batalha com passagens somente para a ida.

Analogias

Pus-me a pensar se, analogamente, o apocalíptico relógio bolado em Chicago e musicado na Inglaterra fosse transposto e aplicado também em pequenas realidades locais. Em Sebastianfield, o hospital local, outra vez no centro das discussões, seria o possível favorito a rondar a temida marca da meia-noite. Enquanto isso, picuinhas barulhentas, como discussões políticas em redes sociais de ocupantes de ontem, hoje ou amanhã de cargos públicos comissionados, já estariam com seu medidor temporal batendo nas oito da manhã do dia seguinte. Salve-se quem puder.

Três acordes

# Melhor deixar essa ideia de lado: o mundo já terá problemas suficientes com os quais se preocupar após os ataques da quinta-fera.

# O ano começa como termina a última estrofe de 2 Minutes…: com os loucos – vulgo políticos – jogando com suas palavras e fazendo o povo dançar sua música. Aqui, ali e em qualquer lugar, já cantaria a Rita Lee num álbum de tributo aos Beatles.

# Nem foi preciso chegar o Carnaval e sua calamidade musical para pulverizar os recém-emitidos votos de feliz ano novo. E agora haja Iron Maiden para tocar a respeito.

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