A gauchinha de Soledade

Iniciamos 2019, com o compromisso de cada vez mais divulgar os feitos e fatos da nossa cultura e as bases do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG): nossas crianças e jovens, futuros dirigentes deste movimento iniciado por jovens.

Sabe-se que tudo na vida requer esforço e determinação, mas o apoio da família, especialmente, nos tempos atuais tem papel fundamental no crescimento destes jovens. Também, ‘espelhos’ para eles são as lideranças de entidades tradicionalistas e do movimento organizado. Tripé que tem o compromisso de incentivá-los, dar exemplo de responsabilidade e espaço para que cresçam e fortaleçam o movimento, enquanto instituição. 

Foto: arquivo pessoal / divulgaçãoxx
Amo nossa cultura, nossa história e nosso estado. Seguidamente me indago e reflito sobre o que é esse amor, que leva e mobiliza tantas pessoas de todas as idades, desde quem ajuda nos CTGs até quem está no MTG. Quem dança, quem concorre, quem dirige uma entidade, nos pais que incentivam os filhos, nos coordenadores, peões e prendas, nos individuais, nas pessoas que trabalham nesse meio. Enfim, esse sentimento que mora em cada um de nós.”
Foto: Beatriz Colombelli/Folha do Matexx
Elaine Bona da Silva Freitas, vem de Soledade para contar um pouco da sua vivência no meio tradicionalista

Na série ‘Gaúchos de Corpo & Alma’, trazemos a vivência de Elaine Bona da Silva Freitas, uma gauchinha lá de Soledade, da 14ª Região Tradicionalista (14ª RT), que há 11 anos ‘respira’ a tradição gaúcha. Ela que em 2018, concluiu o 2º ano do Ensino Médio no Instituto Estadual Polivalente, escola que deu os primeiros passos na invernada artística. Atualmente, além de Prenda de faixa, dança, declama e faz teatro há cinco anos. A filha de Marivânia da Silva e Jesus da Silva Freitas, nasceu no dia 19 de junho de 2001. Tive a alegria de conhecê-la em 2012, quando fui avaliadora de concurso da 24ª RT, ao lado de Andreas Fink e Fábio Lautert, naquele município, em um sábado muito frio, porém de calor humano que se perpetua.

Uma das maiores alegrias, em 2018, foi reecontrar a ‘prendinha mirim’ que avaliei, hoje 1ª Prenda Adulta gestão 2018/19, do Grupo de Artes Nativas (GAN) Vaqueanos da Cultura. Muito gratificante em saber que a perseverança no meio tradicionalista se fortaleceu e o compromisso com a tradição gaúcha também. E nem poderia ser diferente, pois desde que nasceu Elaine teve a base familiar e a influência do irmão João Vitor, que já integrava a invernada artística da entidade e, posteriormente, foi o 1º Piá Farroupilha. Reencontrei a jovem durante a Mostra Folclórica, do Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart), em Santa Cruz do Sul. E, hoje, trazemos um pouco desta vivência.

Fotos: arquivo pessoal / divulgaçãoMostra Folclórica - Enart 2018
Mostra Folclórica – Enart 2018
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“O TRADICIONALISMO SEMPRE ESTEVE MUITO PRESENTE EM MINHA VIDA”

Aos seis anos,no Instituto Polivalente, Elaine conta que iniciou na invernada mirim da escola, onde dançou por três anos. No ano de 2010, passou a integrar a invernada do Centro de Tradição Gaúcha (CTG) Marciano Brum juntamente com o irmão. “Foi lá que concorri no meu 1º concurso de Prendas, e me tornei a 1ª Prenda Mirim 2010/11. No ano seguinte, fui novamente para o concurso, e conquistei o título de 1ª Prenda Mirim. Então, eu e meu irmão decidimos concorrer na fase regional”. Ela relembra que foi a partir de então que teve o primeiro contato com os eventos, projetos, atividades e compromissos de uma prenda. Entretanto, mesmo concorrendo, destaca que continuou dançando na invernada e participando de rodeios, eventos e festivais.

COLUNISTA: CONTE-NOS UM POUCO DE TUA TRAJETÓRIA:

ELAINE BONA DA SILVA FREITAS: Foi no concurso regional na cidade de Soledade, no ano 2012 que me tornei a 1ª Prenda mirim da 14ª RT, gestão 2012/13. Foi nesse mesmo concurso que tive a honra de conhecer e ser avaliada pela Tia Bea, uma pessoa que marcou a minha vida e que tenho um carinho enorme e que tenho a prazer de reencontrá-la nas andanças da vida. Nos anos que seguiram fui novamente a 1ª Prenda Mirim da entidade nas gestões 2013/14 e 2014/15. Em 2014, participei de um festival, no Uruguai.

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E A PARTIR DAÍ:

Em 2015, fui para o GAN Vaqueanos da Cultura, a qual é a entidade que participo atualmente. Entrei para a invernada juvenil, fui 1ª Prenda juvenil 2015/16; 1ª Prenda 2017/2018; e hoje sou, orgulhosamente, a 1ª Prenda do GAN Vaqueanos da Cultura gestão 2018/19.

 

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FALE SOBRE TUAS ATIVIDADES:

Durante todo esse tempo, continuei fazendo parte, ativamente, de invernadas, participando em rodeios tanto dançando quanto declamando. Como dançarina já participei de rodeios, do Festival de Danças de Canelones, no Uruguai, Festival Internacional de Folclore de Soledade, Fegaes; três classificatórias do Juvenart; duas Inter-regionais e uma final de Enart. Pra mim, a dança é uma paixão imensa. Posso dizer que faz parte de quem eu sou, é um sentimento inexplicável de amor. Esteve muito presente na minha vida e é muito importante.

QUAL A PARTE QUE MAIS GOSTA NO TRADICIONALISMO?Quando me perguntam o que gosto mais, a parte artística ou a cultural, não consigo medir para responder, realmente amo as duas vertentes e creio que elas andam juntas, escolher uma ou outra é praticamente impossível.

EM QUE O TRADICIONALISMO CONTRIBUIU NA TUA VIDADigo que o tradicionalismo e o CTG contribuíram muito pra pessoa que sou em vários aspectos. Não consigo imaginar como seria minha vida se eu não participasse, pois me ajudou na escola, no teatro, contribuiu na minha função de oradora do Grêmio estudantil da escola, para a facilidade de me expressar e aprender. Enfim, é uma escola informal que ensina muitas coisas.

QUAIS OS PROJETOS DESENVOLVIDOS ATUALMENTE?Atualmente, estou me dedicando a dança e os trabalhos e projetos da entidade e no município, além dos eventos e dos compromissos de prenda. Desde 2013, todos os anos, principalmente na semana farroupilha, desenvolvo projetos em parceria com as escolas estaduais e municipais aqui de Soledade e nas comunidades do interior, com ciclo de palestras, conversas e oficinas sobre vários temas relacionados a cultura e ao estado.

A IMPORTÂNCIA DE DIFUNDIR A TRADIÇÃO POR MEIO DE ATIVIDADES E PROJETOS?Sinto que esse trabalho é muito importante já que muitas vezes não são todas as pessoas, principalmente as crianças, que tem acesso, creio que é de grande valia envolver e levar cultura pra quem está de fora do que ficar chovendo no molhado e só usar a cultura para mérito próprio, sem repassá-la. Levar cultura e conhecimento, onde muitas vezes não é comum, difundir nossa cultura e alcançar cada vez mais pessoas é imprescindível e necessário tanto para as pessoas quanto para o tradicionalismo. O conhecimento é válido quando é repassado.