Um setembro diferente para Elisa

Elisa Janine Ferreira, 23 anos, assim como todos está vivendo estes tempos de pandemia com cuidados. No entanto, a jovem também está experimentando sentimentos que são normais, especialmente neste mês de setembro, para os tradicionalistas. E um deles é a saudade. Saudade dos encontros com os amigos, da roda de mate, das manifestações culturais presenciais, neste mês que ela considera colorido.

No meio tradicionalista

A jovem venâncio-airense começou a viver no meio tradicionalista aos seis anos, por meio da amiga Krisna Vogt e seu pai Valdir Vogt, na invernada artística do Departamento de Tradição Gaúcha (DTG) Piazito da Tradição. “Eles me levaram para ver um ensaio e lá dancei por oito anos”, destaca. Embora, atualmente, não faça parte do grupo, afirma com orgulho ser “uma amante da tradição gaúcha”.

Acadêmica de Pedagogia e Gestão Financeira (Uninter e Univates – EAD), a jovem que atua no setor administrativo do Colégio Gaspar Silveira Martins, busca expressar o sentimento de saudade, por meio da escrita.

Na integra, transcrevo o texto, que certamente expressa o sentimento de gaúchos e gaúchas, de todas as querências. Embora, cada um procure fazer a sua parte, virtualmente, os abraço e os aplausos precisam ficar para mais tarde.

Fala, Elisa!

Nos encontramos em setembro outra vez, que em meio à pandemia se achegou. Na alma, a dor.

No mês mais gaúcho do ano, não vamos ver as flores das orquídeas nos cabelo das prendas, nem a rua Osvaldo Aranha terá cavaleiros na contramão. O Parque do Chimarrão não será cenário de confraternização, não vamos ver fogo de chão, muito menos sentir o cheiro do costelão.

Nos varais não vai ter pilchas estendidas a secar com pressa, não vamos ouvir o som do narrador ecoando na pista de laço que é pura emoção! Esse setembro é armada branca para todos os gaúchos.

No galpão Morada Velha, não se escutará o som do maçanico, nem do chico sapateado, tampouco terá plateia aglomerada para aplaudir o espetáculo. Tudo diferente, na história do gaúcho. O primeiro ano que a tecnologia vai levar as tradições para dentro dos lares, seja gaúcho raiz ou gaúcho de apartamento.

O mês de setembro não terá a mesma cor. Quando no calendário, o dia 20 chegar, estaremos longe do galpão. E no aconchego do nosso lar vamos cantar: “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra.”

A música que transborda orgulho e sentimento, vai ecoar no ar, o vinte vai ser quebrado diferente, mas não será deixado de lado.

No silêncio do mate, agradeça ao patrão, por ter nascido neste estado que é pura tradição!


 

 

 

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