Klaipeda: a cidade portuária da Lituânia

Porto de Klaipeda no oeste da Lituânia

Lá longe, do outro lado do país na costa oeste, às margens do mar Báltico, encontra-se a cidade mais antiga da Lituânia. Situada a pouco menos de 300km de Vilnius, Klaipeda esbanja charme e foge do estereotipo menos desejável por vezes associado às áreas portuárias. Klaipeda poderia com certeza ser apenas mais um porto cinzento e imundo de uma antiga república soviética. Mas não é! A terceira maior cidade da Lituânia superou o passado negro e hoje em dia progride a passos largos, numa vibrante modernidade, abraçando as águas do Báltico e oferecendo muitas opções de lazer, gastronomia e tanta história àqueles que decidem conhecê-la. O porto de Klaipeda recebe, inclusive, cargas vindas de Venâncio Aires!

Cidade pertencia à Prússia Oriental

A história fascinante desta cidade de 165 mil habitantes atrai visitantes de toda Europa além do turismo refinado de passageiros em cruzeiro pelo mar Báltico e que por ali desembarcam para pisar em terra firme durante um meio-dia. Klaipeda é um local único, de personalidade forte, revelada na arquitetura antiga do centro histórico com construções tipicamente germânicas e que nos transportam ao início de sua existência. As raízes da cidade remontam a 1252, quando a Ordem Teutônica se estabeleceu no local, chamando-a de Castrum Memele ou Memel, em alemão, e como era conhecida até o século XIX quando se tornou parte do território lituano. Antes disso a cidade fazia parte da Prússia Oriental.

Caminhada tranquila pelas ruelas de Klaipeda

Historicamente, a localização privilegiada no Báltico fez de Klaipeda (Memel) um território cobiçado pois estava situada num enclave geográfico e comercial estratégico, na única saída para o mar através da laguna de Curlândia. Nesta bacia fluvial gigante desembocavam mais de 40 rios navegáveis e através da qual as mercadorias fluíam do interior do continente para o mar. Na Idade Média, quando as comunicações terrestres e boas estradas eram inexistentes, rios e lagos do norte da Europa constituíam as artérias comerciais da época.

Ponte das correntes 

Durante a Segunda Guerra Mundial, Klaipeda foi dominada pelo regime nazista e praticamente destruída durante os bombardeios. Curiosamente, a cidade foi quase toda abandonada antes dos conflitos e quando o exército soviético assumiu o controle, havia menos de 30 moradores na cidade. Alguns dos antigos habitantes retornaram após a guerra, mas cidade foi preenchida pelos russos, recém-chegados de diferentes partes da Rússia. E assim ao visitar a cidade hoje em dia escuta-se ainda a língua russa, até mesmo nas rádios e canais televisivos.

Lenda do fantasma virou estátua

Devido à história de ocupações múltiplas, Klaipeda praticamente não tem monumentos ou construções que remontam à idade medieval. Seu único castelo, construído de madeira no século XIV foi destruído durante o grande incêdio de 1854 que praticamente devastou grande parte do centro histórico. Nos tempos soviéticos, muitas igrejas, mercados públicos e outros edifícios importantes foram demolidos. No entanto, as poucas ruelas do centro histórico de Klaipeda que ainda restam formam um conjunto arquitetônico de puro charme. São vias estreitas e originais, de pedra e paralelepípedo, emolduradas por casinhas que remetem aos vilarejos alemães. Durante nossa visita passamos horas perambulando, entre um quarteirão e outro, contemplando cada detalhe nas construções. Janelas adornadas, pequenas portas esculpidas em madeira e fachadas coloridas vão criando uma imagem de cartão postal da cidade velha.

A praça do teatro é um dos locais de destaque no centro histórico, no coração de Klaipeda. Foi nesta pequena praça que em 1939 Adolf Hitler anunciou a anexação da cidade. Cinco meses mais tarde, tropas nazistas invadiram a Polônia e iniciava então a Segunda Guerra Mundial. Além de histórica, Klaipeda é plena de lendas e contos de pescador. É uma cidade cheia de estátuas, espalhadas em cada canto e lugares inusitados representando pequenas narrativas e fatos pitorescos. Eis que um morador local me contou uma das tantas lendas quando caminhavámos à beira do cais. Reza a lenda que em 1595, o guardião do Castelo de Memel, Hans von Heide, viu um fantasma que atravessava a água, anunciando ao guardião que toda lenha e grãos deveriam ser guardados pois um grande mal estava por vir. Baseada nesta história a cidade construiu seu próprio fantasma de bronze ao lado da famosa ponte das correntes, construída em meados do século XIX e que continua a ser usada ate hoje.

Muitas estátuas espalhadas por toda cidade

Além das ruas charmosas repletas de cafés e restaurantes, Klaipeda é uma das potências comerciais da Lituânia. Pelo porto passam milhões de toneladas de carga, provenientes de todo mundo, inclusive de Venâncio Aires. Durante a época de safra de fumo o porto de Klaipeda recebe vários conteiners de tabaco da empresa CTA e que é transportado à fábrica de cigarros na Bielorrússia, país vizinho da Lituânia.

Centro histórico destaca arquitetura germânica

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