Lituânia comemora 32 anos de independência da URSS

A Lituânia é uma das Repúblicas Bálticas, no norte da Europa e atualmente faz fronteiras com a Letônia, Bielorrússia, Polônia e com o enclave de Kaliningrado, pertencente à Rússia.

As divisas desta pequena nação sofreram inúmeras mudanças ao longo dos séculos, enquanto o país padeceu ocupações opressivas. Tudo começou há mais de mil anos quando a Lituânia já aparecia em anais históricos e com o passar do tempo foi crescendo até tornar-se uma expressiva nação na Idade Média . Era um reino pagão fundado no século XIII pelo único rei da história lituana, Mindaugas, formando o Grão-Ducado da Lituânia que se estendia por toda Europa. Nesta época o país viveu períodos de glória e prosperidade tanto financeira quanto culturalmente.

Os século seguintes foram negros na história do país pois durante mais de cem anos o país viveu sob a sombra da Rússia, período em que a cultura lituana foi massacrada e a nação russificada. E depois veio a União Soviética, mais cinco décadas sob o regime comunista, que tentou, em vão, deletar o patriotismo lituano. Os russos enviaram centenas de lituanos para Sibéria na tentativa de terminar com qualquer oposição ao regime. Os lituanos, no entanto, nunca abraçaram a visão da URSS e continuamente resistiram ao comunismo. A história deste período macabro está bem documentada na antiga sede do KGB transformado no museu da liberação, no centro de Vilnius.

Sendo a primeira república da URSS a se libertar do regime no dia 11 de março de 1990 o país comemora com euforia a restauração de sua independência. São apenas 32 anos que valem por quase três séculos. Esta jovem democracia se inspirou nos países vizinhos nórdicos e vem se desenvolvendo como uma nação próspera e inovadora. Esta data especial é festejada com feriado nacional e neste ano, mais do que nunca, é tempo de valorizar a liberdade que eles tanto sofreram para conquistar e que os ucranianos agora lutam da mesma forma para se livrarem do domínio russo. Uma triste história que se repete. Em 1991 a Ucrânia proclamou sua independência do regime soviético mas a Rússia continuou a usar a questão das minorias para exercer pressão sobre o povo ucraniano com a intenção de subordinar o país. Desde 2014 os russos vêm criando conflitos congelados na fronteira com a Ucrânia e agora, em pleno 2022, em solo europeu, estão em guerra contra o país. Ou melhor, na definição russa o conflito sangrento na Ucrânia é uma “operação militar especial” para salvar os vizinhos ucranianos. Imagina se os argentinos decidissem invadir a fronteira do Rio Grande do Sul com pretexto similar!

A exemplo da comemoração da libertação do império russo no dia 16 de fevereiro, a independência da URSS é marcada por muitos eventos oficiais em todo país. Em Vilnius, uma multidão saiu às ruas novamente para celebrar a liberdade além de demonstrar solidariedade com as vítimas da guerra na Ucrânia. Neste ano a bandeira azul e amarela da Ucrânia se mescla ao pavilhão lituano em todas solenidades. E a programação aqui na capital esteve recheada de música ao ar livre. A população de Vilnius se veste nas cores verde, amarelo e vermelho demonstrando um patriotismo pouco visto no resto da Europa. Pelo centro histórico da capital bandeiras tremulavam nas fachadas antigas de palacetes e casarios. A união desta nação guerreira de menos de 3 milhões de pessoas é palpável durante os eventos que exaltam a pátria amada, engajando várias gerações. Desde crianças pequenas até os mais velhos, já com seus 80 e 90 anos e que viveram na pele o domínio russo de outrora, a participação popular é intensa.

Bandeiras tremulando na capital lituana.

Semana passada o prefeito de Vilnius, Remigijus Šimašius, surpreendeu a todos ao autorizar a mudança de nome da rua onde está localizada a embaixada da Rússia na capital lituana. Dias atrás a nova placa da via foi instalada, passando a ser denominada rua dos Hérois da Ucrânia. Nesta semana também o prefeito autorizou a mudança da sinalização em uma das principais artérias de Vilnius. Na placa foi incluída a distância até a capital ucraniana Kiev (779km), e ao lado a distância até capital da Bielorrússia, Minsk (187km), com uma nota entre parênteses – ocupada pelo Kremlin.

Nova denominação da rua defronte a embaixada russa.
Nova placa de sinalização na saída de Vilnius.

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